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The Memory Keeper's Daughter
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The Da Vinci Code
The Kite Runner
The Shining
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quarta-feira, 18 de julho de 2018

aleticiale 1a. quinzena de julho!

Devo confessar que li menos depois que o kindle morreu.

To be or not to be, Machado de Assis
Um desses contos do Machado que te lembram porque ele era talentoso, sobre um espertinho que tenta dar o golpe em quem aparecer pela frente por dinheiro.

Amor, LF Veríssimo

Sexo na cabeça, Veríssimo
Deixei os dois aqui porque bom, é Veríssimo, então foram bons. Mas não os achei inesquecíveis. Até hoje pra mim quase nada superou o Comédias da vida privada (o original, de 95), que é uma compilação boa do começo ao fim.

O homem ilustrado, Ray bradbury
Por que ninguém tinha me dito que esse cara era tão incrível? Eu fui lembrada da existência dele com o filme A livraria, sobre uma moça que tenta abrir uma livraria numa cidade pequena e é ostracizada por razões políticas (a mandachuva da cidade quer o espaço onde ela está). O único cliente fiel dela é um velho ermitão que se apaixona por Bradbury, e desde então eu abro os olhos quando aparecem coisas dele, mas foi a primeira vez que li de fato. Pra mim, o (bom) choque foi similar a ler Roald Dahl para adultos. Algo surpreendente, com o toque certo de esquisitice pra te impressionar. Maravilhoso.

Uma estranha em casa, Shari Lapena
Um desses best sellers pra ler na praia. É envolvente, mas achei a escrita de forma geral meio devedora: personagens que não te seduzem, ações que se repetem, uma certa previsibilidade (embora tenha sido surpresa pelo desenrolar).

A queda da casa de Usher e outras histórias, Edgar Allan Poe
Eu sei que não mereço viver, rs, mas eu não sou louca pelo Poe. Primeiro, as descrições muitas vezes são realistas demais pra mim (ele arrancando o olho do gato, por exemplo: não precisava dessa imagem na minha mente). Segundo, acho que fica do lado escuro do drama (por exemplo, os irmãos atormentados da casa de Usher). Acho que preciso tentar de novo mais pra frente na vida.

Foi isso. Tenho lido no iPad, e a luz é muito forte e ele é pesado (problemas de classe média, eu sei. Tenho vergonha. Mas é verdade! depois de ter um kindle, ler à noite um iPad é quase perigoso hahah).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

contos aleticiaescreve

E aí que esses são contos meus espalhados pela web! Tem uns quinze anos pelo menos...


http://www.blocosonline.com.br/cinema/pop_prosa/leticia.htm

http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_prosas.php?id_autor=2325&flag=nacional

Sessão da tarde
Com ar orgulhoso, queixo erguido e braços cruzados, buscou o que fazer, lamentando não haver trazido seu Kafka pela metade - ótima ocasião para terminá-lo sem arranjar outras desculpas, ironizou consigo mesma. Não falta muito, uns quinze minutos para abrirem a sala, e seu olhar vagou pela rua e pela fila, analisando rostos e roupas como se fossem objetos de pesquisa séria - como uma ruiva tem coragem de achar que ficou bonita em pink? Como se adivinhasse, a dita cabeça-vermelha a olhou nos olhos, envergonhando-a de sua futilidade; afinal, a ruiva estava na fila de um clássico, não podia ser alguém tão ruim. Ficou prestando atenção no diálogo do casal atrás dela, que versava, aparentemente, sobre uma agenda que o namorado-a-beira-de-ser-ex havia encontrado. A candidata a ex namorada se defendia “Li há pouco tempo um artigo dizendo que todo mundo deveria manter um diário, para avaliar seu progresso e desenvolvimento mental”, e enquanto ela pensava que seu próprio diário teria anotado o número de vezes em que se sentia compelida a escovar os dentes ou a quantidade de dinheiro que gastava inconsistentemente, o quase ex namorado dizia que ela tinha a ele para avaliar seu progresso. Difícil de escapar dessa, pensou, mas a garota tinha eloquência: “De onde vem esse ciúme afinal? Quem é que criaria esse cavalo de batalha por causa de uma tarde riscada na agenda? Quem é que trai alguém no meio da tarde, que estupidez”. Foi nesse momento que ela suspirou alto demais, provavelmente, o que fez com que o casal se entreolhasse e começasse a fase de sussurros. Ninguém consegue brigar sussurrando, portanto resolveram o assunto de modo que ela jamais soube se a garota estava blefando ou a tarde riscada era só uma metáfora. Mudou o peso para a outra perna, sentindo-se desconfortável pela primeira vez na vida, por estar na fila do cinema tão obviamente só. Sou uma mulher independente, disse mentalmente, não preciso de ninguém para ir a um maldito cinema e me beijar nas partes desinteressantes. Ninguém palestrando sobre física quântica ou motores de carros, ninguém zombando das mulheres estacionando na rua... ninguém para me ensinar o valor ou a dimensão da perda, e absolutamente ninguém para ser descoberto, no meio da tarde ou no meio da noite, fazendo as malas e dizendo que havia acabado. Olhou em volta uma vez mais, quem sabe achava algo que a fizesse pensar menos, afinal esse era seu momento do cinema - só se haviam passado cinco minutos da última vez que checara o relógio - bem, o relógio do namorado da garota, que aliás quase lhe havia causado torcicolo, Já deveria ter aprendido a usar relógio nessa idade, diria sua mãe, sempre cheia de regras úteis para a vida. Talvez devesse tê-la ouvido, especialmente quando lhe havia dito que casar-se com alguém era mais do que ela conseguiria, embora na época houvesse pensado que era pura inveja de quem criou uma filha com um pai semi-vivo, que falava e andava e trabalhava mas não era capaz de amar, inveja de que a filha dessa união indeterminada com o sujeito oculto fosse afinal hábil o bastante para superar a análise sintática da sua própria sorte e ser feliz. Enfim, talvez devesse checar o relógio da ruiva de pink - com seu bom-gosto, talvez fosse vermelho-sangue, e sorriu da própria ironia, não era sempre o que a salvava da loucura? Ou talvez devesse simplesmente voltar para casa, tomar anti-alérgico e dormir por 14 horas, assustando-se com o quanto poderia ser bom matar o tempo desse modo. O casal composto de desconfiança e persuasão se beijou longamente enquanto ela suspirava novamente, pensando em como seria bom sentir-se digna, Audrey Hepburn-digna. Não se preocupar com a unha acabada de arruinar-se na porta do carro, com tanta dor no mundo era de se esperar que seu egoísmo tivesse mais controle, não se concentrar no fato de estar só na fila do cinema no domingo (não deveriam haver somente crianças na sessão dominical?), não pensar na mesa do seu escritório como uma tábua de salvação, não enfrentar a terapia semanal como um dever a ser cumprido; havia um livro que colocava como era difícil entender que a dor vinha principalmente de tentar evitá-la, da tirania de querer coisas. Quando eu me tornei alguém que teme falar de amor e quando o faz, acompanha o sinal de aspas nas mãos? Quando me deixei levar desse modo pela angústia de finalmente se perceber alguém que havia começado a morrer quando nasceu - mesmo que houvesse sabido isso toda a vida? Completamente indiferente ao seu questionamento mental profundo ou a influência de seus movimentos na sua frágil linha de pensamento, a fila andou em direção às portas do velho cinema, finalmente abertas. Olhos meio fixos, acompanhou o rebanho nietzschiano e assistiu o trailer enquanto cogitava o que a trazia ao cinema sempre que precisava de chão. O dado de realidade que aquilo lhe proporcionava era algo quase esquizofrênico: na mentira da sétima arte conseguia encontrar mais verdade que nos insights terapêuticos. Tantos ângulos e perspectivas diferentes a faziam encarar a vida como um grande carrossel - assim mesmo, infantil, um pouco assustador, porém vivo e se mexendo. Tanta loucura e barulho, e ainda assim, a segurança de que enquanto ele estivesse se mexendo, haveriam pessoas reais nele, crianças chorando amedrontadas ou sorrindo e acenando para os pais, entregues à própria noção de que não precisa haver amanhã, dever de casa, castigo ou presente depois da maravilha de rodar em um cavalo de plástico ao som de uma música estranhamente insana. Pessoas nasciam e morriam na tela, riam, choravam, se embriagavam com álcool e consigo mesmas, e ela de alguma forma nascia, morria, ria, chorava e se alcoolizava com a própria idéia de tudo isso ocorrer com sua alma. Quem queria ser imortal se havia ainda a proposta de ser eternizado por uma câmara em toda uma vida de duas horas cinematográficas? Provavelmente mais pessoas como ela estavam acomodadas naquelas poltronas, aliviadas secretamente pelo escuro somente interrompido pelo brilho da tela nas cenas diurnas. Outras pessoas vivendo o dilema de esconder sua dor de si mesmas, talvez até pessoas que esperavam a projeção começar para cogitar a hipótese de que talvez, somente talvez, não houvesse sentido na promessa de que contariam tudo um para o outro e jamais se trairiam sem ser honestos. Que antítese mais ignorante era essa, que supunha que não somente o ser amante buscaria outra metade que não a sua eleita mas também seria consumido alternadamente pela culpa e pela luxúria até o ponto de dizer em prantos à sua ser amada que o havia feito? A ceia de Natal seguida da dieta até o Ano-novo, seguido então de nova dieta até o Carnaval, e assim contando-se os feriados como as catarses físicas que correspondem à pressão de celebrar. Muito triste não esperar nada das pessoas, pois se é um fenômeno consciente, isso é admitir que não se confia nela o suficiente para achar que vai corresponder às expectativas. Por outro lado, se se constróem todos esses castelos em volta de algo tão infinitamente frágil como um relacionamento se tende a sufocá-lo. Escolha do destino, portanto? Palavras no escuro da sua mente e da sala lhe davam um senso de completude que poucas coisas conseguiam - transformar os erros em eventos simbólicos, mistificando-os e tirando-lhes o verniz de vergonha para não ter medo do que então serão ícones. O não saber é tão irritantemente infinito, cogitou, quase feliz: sua maior fraqueza se tornando sua força, à medida em que fazia com que quase nada mais fosse importante de se perder. Estaria sua capacidade de confiar permanentemente abalada? Imediatamente a imagem se ligou ao fato de que haviam algumas roupas ainda a serem coletadas no armário, teriam sido levadas?, e se forçou a voltar ao seu mundo à velha moda, onde havia tristeza e desilusão mas também sempre esperança e o clássico modo de amar alguém com toda sua força, de modo que em algum sentido nada estaria morto nunca. Algumas coisas, contudo, estavam dando errado. Pareciam cenas mal gravadas, ou era verdade que jamais teria uma tradição só sua? Nunca conseguiria ter jantares imensos que houvessem se tornado pilares familiares, não teria alguém para fazer-lhe companhia quando a casa ficasse vazia, não comentaria livros sob as cobertas, não discutiria a sua responsabilidade perante crianças que herdariam um mundo que sequer era dos seus pais para deixar de herança, não... o peso da negativa ia-lhe pesando os olhos. Sobretudo, jamais teria outra chance de ser inocente - havia perdido essa oportunidade quando deparara com as vozes baixas ao telefone, o alívio das vozes!, e as malas semi-feitas. Que lhe havia restado? Quem eram as pessoas que se achavam no direito de dizer que lhe havia restado saúde ou trabalho ou quaisquer das coisas que lhe eram tão inúteis quando a esperança, meu Deus, a Esperança havia se mudado entre camisas amassadas. Por que não saúde, trabalho E Esperança, já que deveria ser tão agradecida? Por que não o mundo ampliado na tela (ou diminuído nela) cheio de reviravoltas que terminassem em algum ponto? Aquele mundo que era o único que lhe levava perfeição para a alma ainda, absolutamente seu paraíso mental - as poltronas do cinema que lhe distanciavam do seu próprio sofá e seu apartamento pseudo-ocupado. Fechou os olhos, entregue. “... tragédia acontecida no Cine I, no centro da cidade, uma das construções mais antigas do centro velho: aparentemente o fogo começou no fundo da menor sala, que reprisava um clássico, e se alastrou rapidamente até a entrada, fazendo com que o resgate se tornasse quase impossível. A bilheteria foi também tomada pelo incêndio, mas o funcionário que atendia os fãs diz ter vendido mais de 100 entradas pelo preço promocional. Até o momento foram registrados 78 sobreviventes, 4 internações em observação e um caso fatal ainda não identificado de uma pessoa do sexo feminino; os bombeiros continuam no local.”

Letícia Casavella
A cor dos teus olhos
Acordou sobressaltada, pensando que era inspiração divina: agarrou a caneta fosforescente da irmã, rabiscando no bloco: “Sonhei com a cor dos teus olhos”, escreveu, e imediatamente pensou em alguém cujos olhos fossem negros, nem foi sonho, você só dormiu, divertiu-se, e em seguida tentou se concentrar no que queria, na sua carta de amor. A sensação do sonho era tão boa, sentia-se tão protegida, como nunca havia pensado que poderia sentir-se. ... “e era tanto azul de mar, em cima e embaixo de mim, até me doía ver uma íris perdida no meio do tom”. Releu criticamente e sentiu vergonha. Talvez fosse melhor não ser tão crítica, imaginou, ou jamais conseguiria passar da segunda linha. Procurou inspiração na imagem criada com as palavras. “Espantoso, mesmo com medo de nadar, não me amedrontei com essa imensidão. Na verdade, ao contrário, me sentia calma, plácida até, sabendo que enquanto houvesse a crença no abandonar-se, haveria também estar seguro”– o quão maluco é isso? Soava uma frase tão inspirada – mas tinha certeza de que se lesse uma segunda vez não ia entender o começo da própria lógica, seguramente não podia fazer isso com ele. Posso tentar explicar, pensou. “Como se, por ser tão crédula, o mal não pudesse me atingir. E hoje eu quero te encurralada por suas próprias idéias. Como haviam sobrevivido poetas e escritores até o momento, era algo que jamais entenderia. Nada era tão difícil, tão fácil de cair na mesmice, na pieguice, imagine se gastasse o dia todo para escrever a premissa mais apaixonada e ele não entendesse – pior, achasse que fora tirada de poemas de figurinhas ou coisa que o valha... Bem, não que fosse uma idéia tão terrível, cogitou, e em seguida deu-se conta do tamanho da sua duvida... Podia tentar um tom mais leve, imaginou, e sentou-se na cama novamente: “Sonhei com a cor dos teus olhos. Bom, mais ou menos, você sabe como eles mudam um pouco de cor quando está quente, ou frio, ou dependendo da cor que você está usando ou até do seu humor. Você sabe disso, não?”. Não. Um sonho com a cor dos olhos de alguém deveria ser expresso com mais propriedade do que aquela indecisão, meio vergonha de dizer o que tinha de ser dito. “Sonhei com a cor dos teus olhos. Você...” não conseguiu continuar, e deu-se conta de que a bem da verdade, teria que ser “Sonhei com a cor dos seus olhos”, teus denominava tu, e nesse canto do país ela nem sabia conjuga-lo. Entretanto, isso acabava com sua idéia da frase, o impulso romântico, o que era necessário para que se pudesse transpor o primeiro pensamento da manhã em uma frase cativante? Talvez fosse fome o que a impedia de pensar, e foi até a cozinha. Nem o dia estava ajudando, não havia sol, não havia chuva, nada além de um céu poluído. A chuva costumava inspira-la, nesse dia até o Sol viria a calhar, mas nenhum dos dois deu sinal. Nada de cinematográfico, nada de inspirador. Talvez ele pudesse ajuda-la, e tocou novamente a mensagem da secretária. Sentiu-se feliz ao ouvir sua voz, muito embora ela estivesse atrás de buzinas e música, e contou as horas novamente: faltavam três. Bem, sete, se se considerasse o recado ao pé da letra, mas é claro que depois do sonho que havia tido, não conseguiria espera-lo em casa. Fizera alguns telefonemas e checara o horário do vôo umas trinta vezes, tomando a decisão de ir busca-lo e oferecer-lhe o que quisesse, me leva que eu sou sua. Tomada pela própria animação, sorriu para si mesma. Depois do banho, vestiu-se com a rapidez com que conseguiu. Considerando-se o número de cabides no armário e sua própria indecisão, até que uma hora não é tanto, pensou, contendo o impulso de voltar uma vez mais para ter certeza de que a saia tinha perfeita combinação com o seu próprio tom de pele, com a blusa, com o batom e com seu estado de espírito, tudo perfeito no dia do sonho perfeito. Comprou o jornal enquanto esperava; já o havia vindo buscar outras vezes, o portão era o mesmo, sabia até adivinhar com que terno ele estaria, o terno do Último Dia de Negociações. Ensaiou o próprio discurso, que acreditava ser mais velho que a vida: começaria dando-lhe a folhinha do bloco e explicando a origem da história, e então lhe diria que a perdoasse por haver tardado tanto em se entregar, como qualquer mortal já tinha visto sofrimento e só agora, só agora se supunha repleta o suficiente para poder se dar novamente. Após estar satisfeita com o próprio ensaio, concentrou-se no jornal, pesquisando atividades que pudessem fazer juntos, celebrar como um casal. Ele a viu primeiro. Entusiasmada, ela não notou que talvez o olhar, justo o olhar!, não estivesse tão completo como ela gostaria. Foi até ele e o abraçou, desculpando-se por estar molhada, “Finalmente choveu, você viu?, eu achei que o tempo ia ficar cinza mas choveu, que bom... e lá, deu tudo certo? Tenho uma coisa para te dar...” “Espera”. A palavra foi enfática e soou dura em seus ouvidos, como se fosse um estampido no meio da noite, assustador e caótico. Arregalou os olhos e esboçou uma reação, mesmo sem saber qual seria, mas ele não lhe deu tempo, segurando-a pelo braço e sentando-se na cadeira do café que encontrou. “Por que você está aqui agora?” “Porque... porque eu descobri que o sonho, porque eu sonhei com você, não, não com você, foi muito melhor, quer dizer, não que fosse pior com você, mas...” “Por que você está aqui agora?”, e ela finalmente entendeu a ênfase, o agora. Palavra engraçada, agora, pensou. “Porque eu queria te ver antes de noite,” “Não, agora”. Mirou-o como se o estivesse vendo pela primeira vez. Esse tom, essa angústia, a familiaridade com que seus ouvidos identificavam o recuo quase físico do seu tom de voz. “Como assim?” “Eu te pedi por isso por mais de seis meses, dia e noite, querendo isso. Por que agora? Por que quando... quando eu desisti de querer?” – a pergunta foi quase um sussurro, os olhos dele, parecendo injetados de cansaço e de algo parecido com dor. “Você perguntou como foi. Foi bem. Eles me querem lá, dirigindo o escritório central. A proposta anterior era para cá, mas você não queria estar comigo, então peguei a vaga do executivo que deveria ser solteiro, sem laços como você gostaria que eu fosse”. Ele despejou de uma só vez, embora ela estivesse ouvindo como se cada palavra tivesse um eco longo e agudo. “Mas eu e você...” “Não existe mais eu e você, Clara. Você não quis, e agora eu não quero. Talvez nunca tenha existido eu e você, porque eu e você estávamos rodeando em volta de você, e agora eu quero ser sozinho, quero existir por mim mesmo. Acabou”. Olhou o papel e a frase primeira, original de toda sua criação de amor. “Como se, por ser tão crédula, o mal não pudesse me atingir”. E enquanto o olhava, sem ver talvez, pensava na própria imagem, cheia de pena de si mesma, o incômodo da chuva tomada começando a tomar forma, as lágrimas querendo escorrer, a dor espalhada no rosto. Faltava sair correndo. Ironicamente, a certeza de que ele não a chamaria uma segunda vez a impulsionou o suficiente para dar um longo passo para trás. Bastante cinematográfico, conseguiu pensar, e então entendeu porque era essa a imagem transmitida pelo cinema: a grande agulha atravessava sua cabeça, seu tronco, e a fazia ter vontade de correr. Não ia ser engolida pelo clichê, contudo. Saiu andando tão lenta e altivamente que mereceu as maldições lançadas pelos outros passantes, chegando e indo. Enquanto andava, a bola de papel foi amassada e levada lentamente pela água da chuva, até ser engolida por um bueiro, com sua carta de amor inacabada, tão perto de ter sido declamada, seu dia perfeito e a tinta fosforescente. Horas depois, quando finalmente foi dormir, sonhou com a cor dos seus próprios olhos. E no sonho, sentia-se sozinha, como nunca havia percebido que poderia se sentir.


Letícia Casavella
A fotografia

Olhou em volta, o espaço pequeno e apinhado de coisas: imagens de santos, roupas espalhadas pelas paredes, figuras de revista, quase coisas típicas de pessoas que precisavam de dados de irrealidade em um ambiente tão cheio de aridez e concreto. Sentou-se ao lado da mais velha, que lhe parecia tão só, e iniciou a conversa pela foto que ela segurava tão pensativamente e que mostrava um grupo de sete pessoas reunidas em torno de uma mesa, brindando. A velhinha não se mexeu, e a cama rangeu quando Cris tentou se acomodar e puxar assunto – isso não deveria ser tão difícil para alguém que estudava a arte das palavras, pensou. O professor, porém, já a conhecia: havia escolhido ficar como seu monitor, enquanto os outros estudantes entrevistavam detentas diferentes. A idéia era explorar as conseqüências da prisão no comportamento delinqüente após uma pena superior a 10 anos. “Sua família?” “Olha, essa aqui é a Maria Amália. Tinha uns 20 e poucos anos quando essa foto foi tirada, viu como tem carinha de inexperiente? Esse vestido fui eu quem dei, uns dias antes, mas ela cismou que tinha que diminuir a barra para que ficasse de moda, viu como a barra está toda torta, só alinhavada... ela estava feliz, porque o rapaz por quem estava interessada tinha ligado no dia anterior e dito que antes do Ano Novo ela ia ter uma surpresa. Olha só os olhos dela, brilhantes... e escondendo o sapato que foi a avó que deu e como ela riu, dizia, que sapato mais antigo... o irmãozinho dela é esse aqui, o Carlos Eduardo. Tinha acabado de passar no vestibular, a família inteira orgulhosa, vê que ele está segurando a chave do carro? Seu Luís Alberto tinha prometido um conversível se ele conseguisse, e ele estudou tanto... entrou em três faculdades diferentes, foi uma comemoração só... Menino esperto, dedicado mas sem esquecer das pessoas, me tratava tão bem, era sempre dona Alzira a senhora está bem?, quer ajuda?, um menino de coração de ouro, ia dar um médico e tanto... aqui está Seu Luís e a Dona Beth, um daqueles casais que você não tem idéia de por que diabos estão juntos. Ele todo alegre, todo cheio de amigos, vivia trazendo um bando pra jantar sem avisar, dizia que se tinha ficado rico tão de repente era porque tinha que dividir sua riqueza com os outros antes que ela fosse embora de repente também. Um bigodão lustroso, viu?, que ele tomava mais conta do que dos filhos, comprava aqueles potes de coisas especiais pra passar nele, ficava cutucando quando queria fazer pose de sério. Homenzarrão, tinha uma voz engraçada, não combinava com o seu tamanho. A dona Beth não, era tudo o contrário: a voz que parecia temporal chegando sem avisar, um trovoeiro... e o temperamento cheio de nove horas, não podia ver ninguém com sapato em casa que fazia um escândalo, falava dos bichos e da sujeira da rua e de tudo de ruim que podia acontecer se as crianças deixassem cair uma migalhinha de pão que fosse no tapete da sala... a manhã toda gastava planejando umas comidas malucas pra servir pra amigas grã-finas, e à tarde ficava trancada no sótão pintando uns quadrinhos com corzinha de bebê e suspirando. Depois que teve o Carlinhos Eduardo prometeu que nunca mais ia passar pelas dores do parto, e quem disse, quando o Carlinhos já tinha pra mais de dez anos descobriu que estava prenha de novo. A gravidez mais cheia de frescuras que eu já vi, tinha que ficar deitada o dia todo, ela mesma brigava com o médico quando ele ia até lá dizer que ela estava bem, tinha que caminhar, se distrair, ficava doida... aí veio a Alicinha, olha que menina mais bonitinha... arteira, mas um docinho de criança, e esperta... antes de você ir com o fubá ela voltava com o bolo, posso te dizer... aqui ela já estava me vendo entrar, eu entrei pela porta dos fundos e só ela me ouviu...”, apontou para a menina no canto da foto. Devia ter uns sete ou oito anos, os cabelos chanel pareciam recém-cortados e o vestido, incômodo. Havia algo mais, entretanto: a garota parecia assustada, o olhar fixo, os movimentos paralisados. Antes que pudesse interroga-la, contudo, o professor a chamou e ela pediu desculpas, levantando-se. “Tenho que ir, mas obrigada pela atenção”, disse, educadamente. Pela primeira vez a velha levantou o olhar verde e penetrante: “Venha de novo, posso tirar uma foto sua...” “Acho que não posso, agora vamos visitar um outro grupo, sabe? É um trabalho de reportagem investigativa, estamos conversando com alguns detentos e então faremos uma matéria em grupo com as conclusões. Mas obrigada assim mesmo”, explicou, comovida com o que pareceu um apelo vindo da solidão. Afastou-se, acenando, e seu professor a interpelou, enquanto os guardas abriam e fechavam grades e outros estudantes formavam grupos nos corredores, prontos para sair do prédio. “Esperta você, não? Justo essa... aposto que disse que era inocente, como os outros... Como foi? Que impressões teve?” Cris pensou na própria resposta antes de coloca-la em palavras. Impressões eram tão... o oposto do seu verbo usual, imprimir, colocar no papel, dando vida à fios de imaginação... antes que o fizesse o professor continuou, segurando-a pelo braço para dar-lhe passagem pela última porta, onde havia o grande hall com uma mesa no centro, paredes esburacadas e janelas que davam para pátios internos. Resolveu ganhar tempo: “Qual era o delito?” O homem a olhou com o que parecia horror: “Você não a reconheceu? Meu Deus, que espécie de estudante de Jornalismo você é senão reconhece alguém que apareceu nas manchetes por meses, anos até? Houve até um documentário há pouco tempo... não acredito que você não se lembre, que perda de tempo! É a Velha da Máquina!!!” “A velha da máquina?”, repetiu, o peso das palavras parecendo insuportável. “É, a empregada de família que entrou em surto quando foi dispensada depois de anos e invadiu três casas da mesma vizinhança no Natal, com uma metralhadora que, dizem, comprou na favela, explicou o professor, gesticulando e parecendo se divertir com a história. Matou mais de trinta pessoas até ser mobilizada por um dos vizinhos que era bombeiro e havia ouvido os tiros, e assim mesmo tentou recarregar a arma. Tinha munição para toda a cidade... Eu ainda não consigo acreditar que você ficou falando com ela por uma hora inteira e sequer sabia quem era.” “Não, eu não sabia”, balbuciou, e olhou para o prédio da penitenciária. Pareceu-lhe ver um flash de uma janela.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

6on6 junho!


Barca dos corações partidos, anota aí: essa companhia é muito incrível! Assisti ao Auto da barca do sol, baseado em Suassuna, ano passado, no SESC. Quando vi que eles estavam voltando com outro espetáculo, Auê, não tive dúvidas e comprei ingressos. Aí no dia eles contaram que quem tinha canhoto de um ingresso ganhava 50% no outro, e mesmo ainda assim sendo caro (Teatro Frei Caneca...), não conseguimos resistir e assistimos ao Auto novamente!!! Que coisa maravilhosa. Tem tanto talento aqui, que é difícil explicar. A lista das músicas está no Spotify, eles tem página no insta e facebook e eu recomendo fortemente que tudo seja stalkeado!

Sábado de inverno, a gente resolveu dar um pulinho em Santos pra almoçar. Estava um dia tão maravilhoso (um solzinho bem tímido, ótimo pra passar o dia na praia sem ficar incomodado com o ardido, a água quase fria, a praia super tranquila) que quero voltar logo. Adoro farofa bate e volta rs.

Minha amiga (opa, escritora publicada: Barbara Teles, Sem medo sem rumo, Editora Kazuá, e ELA VAI ESTAR NA FLIP!) vai pra BH e fala, quer alguma coisa do Mercadão (Municipal)? Eu digo, ah, talvez doce de leite, ou goiabada. Ela vem com 2 quilos de comida (o doce tem 650g!). É muito amor e gordice!

Falando em amor e gordice: sigo o instagram @coisasdemoema e já adotei pra vida duas dicas que ela deu (uma é a Flores de Marte, já já falo de novo); a outra foi esse lugar delicioso, a Chocolatria, no Campo Belo. Só vá.

Adoro turistar em SP, e há uns fins de semana fomos ao Mube (Museu brasileiro de escultura e ecologia). É ao lado do MIS, entrada gratuita, tem esculturas incríveis e está com uma exposição sobre a Amazônia com coisas de Maria Martins, Cildo Meireles, Claudia Andujar, um deleite pra alma experimentar coisas novas. E na frente tinha essa casinha com essa frase... 


Um dos vasos da Flores de Marte (tem instagram), com COUVE ORNAMENTAL! Não é muito amor?? Nunca mais deixei de ter flores frescas em casa, e é sempre um presente.

domingo, 1 de julho de 2018

A Letícia lê - 2a. quinzena de junho

As mais belas histórias da antiguidade clássica, Gustave Schwab
Ganhei essa coleção, de três livros (esse é o primeiro) há uns vinte anos. Nunca tinha lido de cabo a rabo. Conta todos os mitos gregos e romanos, e claro que é muito interessante; mas achei muito confuso e senti falta de detalhes e reflexão entre eles, da exploração da simbologia, sabe?


Laço duplo, Chris Bohjalian
Surpreendente, podia facilmente ser um filme. Começa com uma tentativa de estupro e vai para a protagonista como voluntária num abrigo para sem teto que tinha como um dos moradores um fotógrafo supostamente filho de Daisy e Tom Buchanan (sim, de Great Gatsby).


Francisca, Machado de Assis
Machado sendo Machado. Francisca casa com um amigo de alguém que tinha se apaixonado por ela e vai ficar rico para oferecer-lhe casamento.


Trusting soul, Brian Andreas
The guy from story people is so sweet <3

Nuvens brancas de pássaros, Yasunari Kawabata
Um livro de um autor japonês que ganhou o Nobel tinha mais pra encantar do que o fez, eu achei.

Pequenos incêndios em toda parte, Celeste Ng
Que deliciosa surpresa foi esse livro. Centrado em duas famílias, e muitas vezes focando nos adolescentes ou na mãe, poderia ter sido juvenil e sem graça, mas sempre foi uma camada a mais... teve personagens que pareceram reais, teve emoções, teve suspense, teve um clima Liane Moriarty que fazia tempo eu não lia. Adorei.


Canção de ninar, Leila Smani
Depois da primeira página, não é como se você não tivesse sido avisado de que o horror está lá, presente e atrás da porta. Assim mesmo, você lê tentando entender como aquilo aconteceu, e é terrível.


O atlas gastronômico, uma viagem pela cozinha de 39 países, Mina HOlland
Ganhei esse livro e achei a narrativa deliciosa e o ponto de vista interessante. Mas é frustrante porque há muitos ingredientes que não tenho ideia nem de onde achar, e fico querendo fazer tudo, né.

Olhos d'água, Conceição Evaristo
Uma amiga me disse pra ler classificando como "arrebatador". Obediente, comecei, e acrescentaria "de partir o coração".

Contos fluminenses, Machado de Assis
Meia dúzia de contos tão gostosos de ler! o primeiro se chama Miss Dollar, e começa com Machado sendo engraçadinho para que adivinhemos a razão do nome. Aí tem o sem vergonha do Luis Soares, a vaidosa da dona Augusta... as pelejas e fraquezas humanas estão todas aí, escancaradas. Gosto muito de Machado.

Uma ponte para Terebin, Leticia Wierchowsky
A autora foi pesquisar a vida do avô polonês que veio para o Brasil e decidiu voltar na época da guerra para apoiar seu país. Curiosamente, as partes da guerra que eram "imaginadas" eu achei menos interessantes - meu cérebro entende que é ficção ou não...  mas gosto muito do estilo de livro baseado na vida das pessoas, especialmente imigrantes, sendo filha de um casal deles. A adaptação, a comida, a linguagem,  a busca pela comunidade e senso de pertencimento. Acho fascinante.

To be or not to be, Machado de Assis
Um conto daqueles que coloca o ser humano na lama dele, rs... Machado começa com um possível suicida (por conta de dinheiro) que muda de ideia ao conhecer uma viúva. Depois é história...


Em tempo: meu kindle morreu. Aparentemente, numa queda do balcão, a tela quebrou de forma definitiva e metade dela mostra uma coisa enquanto a outra, nem aí, mostra outra. O touch screen também não funciona mais. Eu fiquei ligeiramente em pânico e já quis comprar outro, mas aí resolvi respirar e passar uns meses lendo mais físicos da estante e online no iPad (que é horrível pra ler antes de dormir, mas não vai me matar, né). Enquanto o iPad também não dá seu último suspiro, pq ele trava bastante e já tem uns cinco anos, rs. Vamos ver.

sábado, 23 de junho de 2018

A Letícia lê - 1a. quinzena de junho

Life before man, Margaret Atwood
This is supposedly based on a love triangle - or square - of the most bizarre, starting with the woman's lover's suicide and the reactions - ripple effect really - it causes on the husband and on his own affairs, with the daughters as a backdrop. It bothers, and still fascinates, like an insect.

O livro dos abraços, Eduardo Galeano - Galeano tem momentos tão brilhantes, aqueles que te apertam o coração, como Mia Couto, ou Saramago. Nem tudo é incrível ou te toca, mas seria estranho se assim fosse.

Jakob, o mentiroso, Jurek Becker - É uma história aparentemente verídica sobre um membro do gueto que finge que tem um rádio para acalmar o coração dos companheiros, e é claro que essa mentira acaba fazendo sua vida mais difícil no decorrer dos próximos meses. Como todos os livros retratando o holocausto, é absolutamente devastador.

Upstairs at the White House: my life with the First Ladies, JB West - don't even know how I came across this book, to be honest. It was interesting; told as a memoir by an usher from the WH, who respectfully but supposedly truthfully tells tales about all kinds of first families, it enlightens you about some myths (like the whispering voice of Jackie Kennedy or the real illness of Franklin Roosevelt), even if it doesn't shed bright lights on anything major.

Wilderness tips, Margaret Atwood
This is a short story book; some of the stories are touching, and deep, and so interesting. Others left me cold and skipping pages. I've felt like this before with Margaret Atwood: with The handmaid's tale, one of the most brilliant books ever, and other titles that I read just because were hers and well, weren't memorable. still worth trying, though, because even then, she is a talented writer, honest and well versed.

sábado, 9 de junho de 2018

6on6 ligeiramente atrasado!

Vou começar com o segundo post que a musa curtiu hahah! Rita Lobo que mudou toda minha cozinha curtindo meu post é muito amor.



Comecei a fazer acupuntura. Basicamente porque sempre tive dor de cabeça, mas nos últimos seis meses, mesmo tomando remédio para controlá-la diariamente ela estava se esgueirando de volta. Em cinco sessões, já vi resultado e fiquei maravilhada. Também fico maravilhada com os lugares pra onde essas agulhas vão rs!



Como não pode faltar, foto da dupla imbatível, Prue e Panzerotti, que mostra que esse safado é sedutor: ela não curte a Zara até hoje, embora conviva com ela há sete anos; ele chegou há um ano e meio e é esse chamego aí.



Eu adoro esses serviços de start ups que são criativas, de pequenos e lindos. Flores de Marte é um deles. É uma assinatura de flores lindas, baratas, fácil. E olha essa couve ornamental!!! Ela está no instagram, espia lá.




Ganhar presentes é divertido demais, né! Ainda mais quando são fofos assim <3 Esses vieram lá da terra do Trump (bate na madeira) pra alegrar minha vida.




Brownie é uma coisa difícil, acho. Sempre acho meio duro e estranho Aí achei essa receita que é de brownie cremoso (Rita Lobo, claro), e ficou lindo, é fácil e tá tão maravilhoso! Recomendo fortemente.





sexta-feira, 1 de junho de 2018

A Letícia lê - 2a. quinzena de maio

I've read/He leído/Eu li...

A pequena pianista, Jane Hawking
Ganhei esse livro de presente, é da mesma autora do A teoria de tudo; é a história centrada em Ruth, uma menina nascida numa família tortinha, com a mãe apresentando vários problemas que depois você descobre que são mentais e o pai tentando fazer o melhor que pode, mas quase sempre despachando a menina para os avós com a recomendação de falar o mínimo possível e não causar incômodo para a mãe... a sorte é que ela ama os avós, que embora tenham sua própria tristeza de ter perdido uma filha pianista, a amam de volta e lhe dão todo o amor e espaço. A narrativa familiar é envolvente, mas o fim é super detestável, termina meio do nada.


Jane Eyre, Charlotte Brontë
I've re read it because I have this beautiful edition with all of the Brontë's sisters' work, and I loved it even more than the other times. I just like Jane, her ability to see things with such no nonsense and be ironic and forward and still keep a bit of the romance going on. Also, it rivals Jane Austen in the feminist front: go independent women!


Wuthering heights, Emily Brontë
This one, on the other hand, I've read about three times and honestly, I can't seem to really enjoy. I get it, it's a circle of life and nothing you can help, the whole inflicting pain on people because you were hurt before. But the characters are all so detestable, and I can't think of one that I don't think is annoying as hell - from the sometimes narrator Nelly the freaking gossip to all the Lintons, all the Earnshaws, all the village. Also, I think the three last pages when there's a shadow of a happy ending were most likely an influence of Charlotte, because they almost seem out of place in such a horrid spiral of pain and unhappiness. Sorry. Maybe someday I'll be more enlightened and finally enjoy it, but it wasn't (again) this time.


Shirley, Charlotte Brontë
And here I got to the conclusion that maybe it's a matter of sisters. Whereas Emily was annoying from page one, Charlotte hooked me from the same page. Seriously, the beginning of this book is one of the best things ever. I loved it. And even though Shirley only showed up halfway through the book, she was such a strong character I forgave everything. It reminded me of Eufrasia Leite, the main character by Ana Machado who was based on a real person and who was also a heiress who didn't want people meddling with her life. Thinking of the fact Charlotte was in such a horrible moment in life (the book was written amongst all the family deaths, from the brother to the two sisters), you can think that she really made a lemonade out of everything. Great book, forward thinking, beautifully written.


Daytripper, Fabio Moon e Gabriel BA
Que HQ incrível! Forte, delicada, sensível. Passa pela morte de Brás em diversos cenários, você sorri, chora, reflete, e termina querendo comprar o volume pra todo mundo que você conhece. Sensacional.





terça-feira, 15 de maio de 2018

A Letícia lê - 1a. quinzena de maio

I've read/eu li/He leído...

Durante aquele estranho chá, Lygia Fagundes Telles
Crônicas da dama da literatura, contando casualmente seus encontros com Clarice, com Mario de Andrade, com todo tipo de gente fantástica - incluindo Simone de Beauvoir EM PARIS. Fica difícil...

Jack & Alice, Jane Austen
Que coisa interessante! É um livro fininho, que aparentemente foi escrito quando Miss Austen tinha 12 anos, e conta a história de um egocêntrico e suas fãs. Repleto da mais fina ironia.

A jangada de pedra, José Saramago
Já falei como sou apaixonada por ele? Um dia, pessoas em torno da Espanha e Portugal descobrem que seus atos mais cotidianos parecem ter causado mini cataclismas, e a terra está se movendo, separando os territórios. Começa a acontecer um êxodo das pessoas que viviam mais perto do mar, que está perto da fissura, as pessoas mencionadas se encontram... que coisa poética e bonita é ter o dom da imaginação e o coração de Saramago.

As mentiras que os homens contam, Veríssimo
Outro dos meus ícones, este livro tem algumas das melhores crônicas, cheinhas de um humor que só podia ser dele. De rolar de rir. Eu cito Veríssimo como cito Friends, e sinto pena de quem não entende as referências.

Pomba enamorada e outros contos, Lygia Fagundes Telles
Que seleção maravilhosa, a começar pelo conto do título, pouco conhecido e tão lindo!!!

Quincas Borba, Machado de Assis
Machado é alguém que merece todo o estudo que lhe é devotado. Esse livro é maravilhoso. Rubião, herdeiro de Quincas Borba (e do cão Quincas Borba, "que viverá depois de mim"), rodeado da hipocrisia da sociedade carioca e da sua própria idiossincrasia, é um personagem ótimo.

Quem diria que viver ia dar nisso, Martha Medeiros
Diversas crônicas ótimas, cobrindo em torno de três anos.

Até que fui produtiva, né? tive uns dois fins de semana bem literários :P




sábado, 5 de maio de 2018

6on6 - abril




A Prue jogando videogame é fofa demais, né não???

Eu tinha feito essa foto toda bloguerinha achando que ia ter até um antes e depois com a receita e tals, agora que tenho facas de chef e tudo o mais. Spoiler: acabei com o dedão todo cortado e sangue pra todo lado na primeira lavada de uma delas, porque estava desacostumada a ter facas afiadas... 


Ter amigos é incrível, ganhar presentes idem, mas esse monte de mini fofuras em forma de bilhetes em cada um faz toda a experiência ficar ainda melhor né? coisa mais linda!

Adoro o Pan bocejando. Parece sempre um escandaloso!



Mês passado falei do Chianti chocommelier. Pois ali ao lado tem a melhor hamburgueria da cidade, o Meat Chopper. Sou maluca por todos os hamburgeres desses lugar.

E depois do sucesso de "meudeusdocéuritamanuscurtiuecomentoumeupost", apresentamos "meudeusdocéuritalobocurtiumeupost". #morri.



segunda-feira, 30 de abril de 2018

A Letícia lê - 2a. quinzena de abril

Eu li/I've read/He leído...

Tia Suzana, meu amor, Antonio Alçada Baptista
Sabe aqueles autores cujas frases você acha na internet e parecem incríveis? Esse português é um. Eu cheguei a buscá-lo em Portugal, mas não encontrei nada dele, e aí achei dois livros no sebo perto de casa. Mas acho que não me encantei. Essa história me lembrou muito, por motivos meio óbvios, o Tia Júlia e o escrevinhador, a coisa da fascinação pela tia experiente, mesmo que nesse caso não sexual. Tia Suzana é alguém interessante e madura, que na época desafiou conceitos e foi vanguardista, mas é só.

Contos russos, organizado por Rubem Braga
A primeira coisa que vou dizer não tem a ver com os contos: é com sua tradução, feita por pessoas incríveis, tipo Lins do Rego - autores brasileiros que aparentemente sabiam russo o suficiente para TRADUZI-LO. Babei. Enfim. Não amei tudo, claro, mas algumas coisas foram incríveis: um conto do Gogol chamado O capote, sobre um funcionário público que faz do centro da sua vida comprar um novo casaco, meu deus que horror e que gelo e que fisicamente difícil ler aquilo. Um conto do Tolstoi que é pura magia, chamado Os três staretzi, que confronta religiões e crenças e é sensacional. Um outro chamado Um tolo, de alguém com nome Leskov, que é o retrato da bondade. Um conto do Tcheckov que faz seu coração doer loucamente chamado O inimigo. Um que me lembrou Machado e aquele conto da cigana, de um autor chamado Tikkonov, chamado O califa. Entre outros. Livro que vale a pena.

A doçura do mundo, Thrity Umrigar
Esse livro já cruzou meu caminho várias vezes, e gosto muito dessas leituras sobre imigrantes - a protagonista é uma senhora que está nos EUA vivendo com o filho e a nora e o neto após a morte súbita do marido, e o choque cultural indiano versus americano, da família da nora versus a dela, da nova solidão versus sua personalidade, é interessante e pungente. É um livro realmente doce.

Incidente em Antares, Érico Veríssimo
A história principal do livro é incrível - há uma greve na cidade e sete defuntos fazem um levante para serem devidamente enterrados. Soa Garcia Marquez e achei bem incrível. Mas para chegar nisso, que de fato achei a parte mais interessante do livro, a gente passa por 250 páginas de contar coisas das brigas dos caras da cidade que não achei tão relevantes.

Para que no me olvides, Marcela Serrano
Me gustó menos que esperava.

Primer amor, Espido Freire
Otro libro del cual tenía buenas memorias que no vinieron al leerlo de nuevo. Ahora la creí un poco insoportable, en la verdad.

As pequenas memórias, José Saramago
É uma semi autobiografia da infância do Saramago. Não tem muita ordem ou lógica, ele só vai contando as coisas que lembra e como foi resgatá-las, inclusive a morte do irmão Francisco, os registros formais, os avós um pouco duros, os colegas de escola. Tem aqueles momentos tão absolutamente deliciosos, que retratam a pessoa dele, e outros que são só conversa de sofá, mas que refletem o objetivo do livro.

domingo, 15 de abril de 2018

1a. quinzena de abril - A Letícia lê


Eu li/I´ve read/He leído...

La función Delta, Rosa Montero - conocí a Rosa Montero en un viaje a Barcelona, por unos carteles en el metro, y después leí a La loca de la casa, que me encantó. La veí en FLIP 2006 y fué hermoso. Pero este libro... es la historia de Lucía, en su juventud y vejez, alternadamente, sus amores y memorias, y creo que el problema es que me aburrió terriblemente. Cuando la protagonista no te gusta, es muy difícil acompañar a las alegrias y tristezas que comparte.

Felicidade clandestina, Clarice Lispector - o conto do título é sensacional, mas não é o único que faz jus ao livro. O da Mocinha, a velhinha que não tem donos nem parentes, é tão pungente  e sensível que quase dói fisicamente, e alguns outros são tão puro talento que chegam a ser aulas de literatura.

Antologia poética, Mario Benedetti - el uruguayo más simpático del mundo <3



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sexta-feira, 6 de abril de 2018

6on6 março



Amo tanto chuva! ficar olhando cair, ouvir chuva, tomar banho de chuva. Sei que ela pode ser problemática pra quem mora na rua, e por conta dos mal educados que entopem os bueiros com sujeira, há alagamentos, mas só vejo alegria em tardes assim. Tento tomar chuva quando posso (ou seja, quando estou voltando pra casa).

Meu gato endemoniado curtiu o carrinho do Miguel! Vai entender... 

Também por conta do Panzerotti, também conhecido como o gato endemoniado acima, eu pedi à Lara, do cac.tu atelie - tem instagram), minha musa dos terrários, que me desse uma luz: ela foi além e me deu três! eses terrários pendentes ficaram lindos e além de ficarem na frente da janela e a dois metros do chão, longe do gato, tem pedras lindas e cheias de significado. Muito amor!

Lá longe está o Eddie Vedder e o Glen Hansard. Quarta vez que vou vê-lo, como Pearl Jam ou como Eddie, e sempre acho tão sensacional que me arrependo de não ter comprado ingresso pra todas as apresentações (aí me lembro que mesmo a um quilômetro de distância foi bem caro, claro). Dessa vez ele tentou fazer algo "intimista", e nas 2h20 de show pediu inclusive que não usassem celular (essa foi a despedida e aí ele deixou!). Duas coisas: uma, aí é que dava pra ver como as pessoas se desacostumaram de não ver o palco através de suas próprias filmagens; tinha um monte de gente filmando meio escondido as músicas, e eu pensava, Gente, ele tá logo ali, olha pra ele! não pra sua telinha. E duas, a gente está muito desacostumado também com esse tom: nesse dia, as pessoas enlouqueceram, gritando desde Vai Corinthians a Toca Raul toda vez que ele ficava dez segundos quieto. Fiquei com vergonha.
esse lugar é incrível e eu fiquei surpresa com quanta gente não o conhece. Se chama Chianti Chocommelier, é na Mourato Coelho, tem site e instagram, e harmoniza chocolate com um monte de coisas. (azeite, vinhos, uísque, café, etc). Esse aí é o "menu degustação", que combina o espresso com três bombons, e eu peço sempre os mesmos: caramelo com flor de sal, grana padano e gengibre. Inacreditável de bom. Fica a dica pra me dar presentes de Páscoa, Natal, aniversário, dia do índio, dia da árvore... aceito em qualquer ocasião.

Esse post no meu instagram FOI CURTIDO PELA RUTH MANUS. Quase desmaiei. Eu sou muito fã dela, que é essas cronistas que você lê e parece que está falando com você na fila do banco. Sensacional.


Siga o instagram do blog (aspequenasegrandesalegrias) pra acompanhar tudo isso em tempo real :P
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sábado, 31 de março de 2018

2a. quinzena de março - A Leticia lê

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Eu li/I've read/He leido...

(apesar do tempo que parece andar cada vez mais acelerado, mas nem sempre: corre em alguns dias e esfrega sua indolência na sua cara em outros)

Um dia ainda vamos rir de tudo isso, Ruth Manus - No meu instagram, coloquei a foto do livro e citei a @ruthmanus, dizendo que ela era minha amiga invisível e nem sabia. Adoro o jeito dela escrever - sem soar arrogante, parece algo que eu mesma escreveria, só porque é meu tipo de humor, provavelmente - e amei muito esse livro. Ela respondeu na conta e eu quase tive um momento fã enlouquecida. Muito amor.

Feliz outono pra todo mundo, com essa folhinha lá do Rio Grande do Sul anunciando essa beleza chegando.


Surprise me, Sophie Kinsella - I think its the first very-grown-up-protagonist I've read from her books. The first chapter is about the couple going to the doctor and hearing from him that they probably have over 60 years together ahead, which freaks them out. Then at some point they decide to surprise each other regularly to spice things up and make time go faster. I've laughed out loud many times.

The break, Maryan Keyes - It's 567 pages or so. As the title implies, it's about a marriage that, after 10+ years, goes into a halt and the husband, a lovely man up to that moment, asks for a break after facing some personal dramas. He says he'll be away for 6 months, but he'll definitely be back. The wife, Amy, goes through all the stages of bargaining, acceptance, anger, etc etc, in a loop, following his decision and his departure. Then at some point she starts living her own life, out of rage or whatever. And that's all I can say without spoilers, but despite the very well written narrative and interesting characters, I thought there were more than a couple cliches ruining it.

As cerejas, Lygia Fagundes Telles - Há o conto original, da Lygia, e uma releitura de quatro autores sobre ele. Devo ter comprado por engano, porque como fazer uma releitura de Lygia??? Ainda assim, sem julgar, há alguns contos mais interessantes do que outros.

Charlie and the glass elevator, Roald Dahl - supposedly a sequel to the Chocolate factory, in this adventure eight people - the whole of Charlie Buckett's family plus Mr Wonka get on the glass elevator to take them to the factory and then it goes on orbit... the tirades are priceless.

Restore me, Tahereh Mafi - I've wanted to read about Juliette and Warner for so long! Followed the author's instagram, had the book on pre order... and then had this bittersweet taste in my mouth after finishing, because just like the whole of Juliette's life, IT'S NOT FAIR. I don't mean it's a spoiler or anything, it's just, so much sadness!

A volta do parafuso, Henry James - história de terror que foi filmada ad infinitum, acho: a preceptora de uma casa na Inglaterra, cuidando de duas crianças sobre as quais o tio em Londres não quer ser incomodado, começa a ver fantasmas. Logo descobre que elas também o veem. E aí a pequena Flora e o adorável Miles podem ou não ser tão pequenos e adoráveis como pareciam, assim como suas atitudes vão mudando. A narrativa é feita por alguém que transcreve a carta que essa governanta deixou para trás.

segunda-feira, 19 de março de 2018

1a. quinzena de março - A Letícia lê

Eu li/I've read

Mania de explicação, Adriana Falcão - um livro "infantil"com uma personagem que explica ilusão, saudade e várias coisas que a gente gosta de achar que são adultas. Muita fofura :)

Awakened, Brenda Davies - I've read worse, but I've read much better too: it's a College vampire romance, if there's such a genre, and at some point it becomes a mix of familiar scenes - floating beings, spiteful "original", "new" vampire... argh.

Um mapa todo seu, Ana Maria Machado - Nesse livro ela romantizou a história de Joaquim Nabuco, conhecido como patrono da abolição, e sua noiva, Eufrásia Leite, tão injustamente pouco conhecida na história. Eufrásia foi muito al[em de seu tempo, uma Jane Austen brasileira - não se casou, foi mulher de negócios astuta e do bem toda sua vida, e não permaneceu com Nabuco aparentemente em muito por um senso de feminismo e propriedade que nem tinha nome na época - não sei sequer se tem hoje. Livro gostoso de ler e que desperta curiosidade. Presente da Maria, que já é um presente :)

Manual da paixão solitária, Moacir Sciliar - Conheço quase nada desse sulista, e esse livro traz uma interpretação bíblica de uma história dentro de outra história, a la Paul Auster. Tem um desfecho interessante e uma narrativa boa. Não mudou minha vida, mas se eu tropeçar em outro livro dele, provavelmente eu o leia.

Objecto quase, José Saramago - Que delícia ainda ter livros dele que eu não li... esse tem seis histórias. Saramago quase sempre parte  de "E se essa coisa absurda aqui realmente acontecesse?", e vai levando a gente como aquele mito, por um fio de ouro, pelo labirinto. É incrível. Na verdade esse livro valeria uma pesquisa só sobre ele, porque agora que vi Portugal, tive a impressão de que há umas insinuações políticas (sobre aquele ditador, o Salazar, por exemplo) nos textos. Mas enfim. Há seis histórias, e eu achei três maravilhosas, gostei menos de outras três. Uma delas revolve sobre um carro que adquire uma vontade própria de "beber" gasolina e vira dono de seu motorista, algo entre Stephen King e uma analogia moderna que eu quase não compreendo mas sinto com as pontas dos dedos. Enfim, vale a leitura e eu ainda acho que esse sujeito é uma das pessoas mais geniais que já pisou nesse planeta.

Trocando olhares, Florbela Espanca - Sempre achei que ela era espanhola, acho que porque o nome soa espanhol. MAs Florbela era portuguesa, teve três maridos, aparentemente se suicidou, e escrevia versos docinhos, meio como os de "namorados", aqueles bordados portugueses.

Felicidade ou morte, Clóvis de Barros e Leandro Karnal - é uma transcrição de um debate entre os dois, e quase dá para "ouvi-los" se você já os ouviu na tv ou rádio ou pessoalmente. Alguns trechos são realmente incríveis, registrei no instagram do blog (aspequenasgrandesalegrias) algumas páginas que achei particularmente "ecoando" na vida.

Filosofia para corajosos, Luis Pondé - emprestado do mesmo amigo, esse eu gostei muito menos. Acho que porque o tom dele me irritou, me soava o tempo todo como aquelas pessoas que esbravejam achando que estão certas e você é um imbecil ignorante se não vê as coisas do jeito delas - post de facebook, sabe? estou aqui falando sozinho e fim. Então em algum momento eu já não prestava mais atenção no conteúdo e sim na forma, e aí já era...

Café é para os fortes, Anderson Couto - sobre café! uma fofura que ganhei de presente e tem curiosidades sobre a bebida, o jeito de tomar, seus benefícios...

terça-feira, 6 de março de 2018

6on6 - fevereiro


O primeiro cliente que eu visitei no retorno às férias estava num escritório com essa vista. Aí fica mais fácil, né não? O Rio é lindo demais.

Enlouqueci um fim de semana desses e, já que dentro de casa tenho limitações de plantas porque tenho um gato que é o demônio da Tasmânia, coloquei no hall tudo que deu, rs... 

Minha última semana de férias foi mais luxuosa que a Europa: passar a manhã no Ibirapuera, vazio, lendo, é sensacional.

Miguel lendo o livro que eu dei. Tá bom, talvez tentando comê-lo. Mas é um começo. Meu sobrinho é tão fofo <3

Cada um desses veio de um lugar no qual já colocamos nossos pezinhos, andamos que nem condenados, arrastamos malas e sonhamos. Viajar é viver...


Pra não perder o costume: Panzerotti disfarçado de Zara! 




sexta-feira, 2 de março de 2018

A Letícia lê - 2a. quinzena de fevereiro - aleticiale2018

Eu li/He leído...

Más allá del invierno, Isabel Allende
Allende es conocida por empezar sus libros siempre el 8 de enero, y dijo que durante las fiestas de navidades hablando con la familia le preguntaron si tenia ideas y todavía no las tenía, hicieron un "brainstorm"y terminó por ser la história de tres destinos que se cruzaron en Boston, con inmigrantes, hijos de inmigrantes, lenguas distintas y sorprendentes desfechos. La narrativa es siempre muy especial, llena de un talento que para mí es muy difícil de describir: la buena contación de estorias.

Noites brancas, Dostoievsky
A fofíssima da Maria me enviou esse livro, do qual eu só conhecia a questão do protagonista viver num mundo de sonhos quase inacreditável em sua descrição. Mas de algum momento do livro pra frente, isso dá uma guinada interessante, complementando esse mundo com outra visão interessante.

E foi isso, né... voltei à vida real, com despertador, trânsito, agenda pra ligação de cliente e bem menos tempo pra ler :P

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Letícia lê - 1a. quinzena de fevereiro - aleticiale2018

Estive meio de férias nessa quinzena, então o post chega atrasado, mas aqui estamos!

Em fevereiro, li...

Os poemas possíveis, do Saramago.
Difícil falar desse livro imparcialmente. Acho que há coisas não incríveis, mas gosto TANTO dele, e em alguns poemas vocë quase "ouve a voz", sabe? E eles acabam te acompanhando pelos outros. Foi o primeiro livro que ele escreveu.

Os amores dificeis, Italo Calvino.
É um livro de contos: há alguns, como o amor do míope, que são brilhantes. O do leitor, com um cara que fica dividido entre dormir com alguém que conheceu na praia e terminar seu livro, é ótimo. O das formigas argentinas me deixou impressionada dias, sem nem saber muito o porquê. Ele foi o cara que diz que um livro clássico é o que nunca termina o que tinha pra dizer, que fica com vc, e bom, foi bastante assim.

No avião, peguei dois livros "chick lit":
Quem vai dormir com quem? é da Madeleine Wickham, outro nome pra minha amada Sophie Kinsella. O livro é fácil de ler, mas a história é bem marromenos (dois casais que são hospedados na mesma casa de verão por um amigo que quer ver o circo pegar fogo, porque sabe que eles vão ter conflitos) e fiquei aflita com algumas partes.

Bons na cama, Jennifer Weiner
Esse foi uma surpresa: adorei a protagonista, achei a história muito bem construída, "warts and all". Gostei menos no final, achei a passagem com o ex fracassando meio hollywoodiana, mas assim mesmo não diminuiu o brilho. Contudo... me contaram que a sequência é horrível e destroi tudo isso, o que é uma pena pq eu super leria.

Stoner, John Williams.
O que dizer? Que livro repleto de sensibilidade, de tristeza, de emoções implícitas e elaboradas. O sujeito que escreveu o posfácio disse que é curioso como um livro que começa com um capítulo falando "William Stoner morreu asism e assado, viveu assim e assado, tinha trabalhado a vida toda em x, deixa y e z", ou seja, conta "tudo"  sobre a vida do protagonista, ainda assim pode ser tão sensacional. E é a mais pura verdade. O que reforça minha teoria de que livros e filmes não são "sobre a história". São sobre como essa história, qualquer que seja, é contada. Absurdo de bom. Recomendo muito.

Tirza, Arnon Grunberg
Esse autor holandês me tirou do prumo. Da mesma coleção do Stoner, esse livro me foi emprestado com altas recomendações, e começa com aquela sensação que só escritores bons conseguem te dar, de uma esquisitice quase física, um incômodo com a relação do protagonista com a vida, a família, a filha, tudo que não é dito, enfim. E aí, coloquei uma review com spoilers no goodreads, ent"ao vou deixá-los fora daqui, mas gente, cada coisa que acontece deixa vc naquele estado de falar em voz alta sabe?, como se estivesse só, mesmo que não esteja. Me vi dizendo "como assim?", "não é possível", "oi???" como se achasse que estava conversando com o autor. Um livro incrível, embora longe de confortável ou feliz.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

6on6


Esse post é muito difícil de escrever sempre: imagine quando estamos de férias fisicamente num lugar lindo e mentalmente com olhar fresquinho. Então começo com Camilla Watson, uma britânica que adotou Lisboa como sua cidade e retratou os moradores de Alfama nas paredes do bairro. Pura poesia.

Um pavão no Castelo São Jorge, só porque sim.

As gaivotas são fofas e fotogênicas; e aqui, famintas 💜

O Oceanário de Lisboa nos deixou ver um tubarão assim pertinho! 😱

Preciso dizer algo? Palácio da Pena em Sintra.

No Instagram do blog eu já me derreti com a Fundação José Saramago. Chorei lá dentro porque existe gente que nem ele no mundo e ainda nem o sabem - ele começou acescrever tao tarde... 

No Instagram do blog tb falei da casa do Fernando Pessoa. Mas essa é a vitrine ao lado da Livraria Lello, no Porto (tb retratada lá).

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Letícia lê - janeiro 2018 parte 2! aleticiale2018

Memorial de Maria Moura, Rachel de Queiroz
Eu amei o primeiro livro que li dela, um de contos e crônicas, e aí achei o segundo, As três Marias, marromenos. Mas esse... Maria Moura somos todas nós! que mulher incrível, forte, à frente de seu tempo, intensa... não deve nada à personagens do Jorge Amado, por exemplo. Mega recomendado.

Na minha pele, Lázaro Ramos
Gosto dele, e achei a ideia principal do livro muito bonita, assim como as reflexões que ele traz são relevantes pra sociedade e pra vida. Mas no final fiquei pensando em que isso mudou minha trajetória como leitora: ou seja, a simpatia que eu tinha com ele e com o tema do preconceito já existia, e não vi muito além disso. Acredito que eu esperava uma construção de novos patamares para mudar essa jornada, sabe?

O mesmo mar, Amós Oz
Esse escritor israelense fez sucesso com outro livro há muito tempo. Esse livro é escrito de forma quase poética, meio metrada, e sob os diferentes pontos de vista: a mãe, o pai, o filho, a amiga/quase namorada do pai, a amiga/quase namorada do filho, e um onisciente Narrador que se coloca de vez em quando na voz. Achei o formato mais interessante que a história.
Gosto bastante de ler autores de lugares distintos, esse ano vou fazer o registro disso (#jornadapelomundoliterário no instagram do blog).

O primo Basílio, Eça de Queiroz
Além de ser a origem daquela narrativa fofa do Amor I love you da Marisa Monte "Tinha suspirado. Tinha beijado o papel devotamente. Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso...", pela voz da Luísa, a protagonista, é um livro gostoso de ler. Tem um ar meio Madame Bovary, afinal é uma história de traição e intriga na sociedade lisboeta do fim do século. Mas é envolvente, há cenas quase de ação nas quais a gente está de respiração presa: e faz refletir sobre a veracidade dos sentimentos, o que se faz por vocação e o que se faz sendo levado. Li em algum lugar que o autor quis realmente fazer essa crítica à burguesia, pelos personagens Jorge e Luísa, o casal morno, pelo primo Basílio, janota sem caráter, pela roda de amizades (d. Felicidade versus Leopoldina simbolizando pontas diferentes), pelas poucas pessoas que tentam fazer o bem (Sebastião, Joana) e pelo mal encarnado na inveja e histeria (Juliana).

A casa dos Budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro
Ouço falar desse livro há anos, e aí achei dando sopa no sebo. Descobri, como sempre, que não sabia nada sobre ele. Foi escrito com a intenção de honrar o pecado da Luxúria, numa coleção sobre os sete pecados capitais, e tem uma premissa de "recebi esse original de uma senhora devassa que queria suas memórias publicadas", desenvolvida com, claro, muito sexo e muitas opiniões desbocadas perante a sociedade conservadora que a gente ainda vive. Achei válido, mas ligeiramente cansativo, porque a partir de um certo momento, a concentração é realmente sobre a paixão da protagonista sobre o corpo e seu uso, e eu, possivelmente uma reprimida, fico querendo saber mais sobre as histórias das pessoas fora do corpo, se é que isso faz sentido. Enfim.

Stoner, William
Tinha vontade de ler esse livro há tanto tempo! Aí aproveitei a Black Friday e comprei por metade do preço (por ser capa dura, era bem salgado). A leitura é fluida e o personagem, tristemente cativante.

Altar ego, Kathy Lette
Fiquei com vontade de ler algum chick lit e esse tinha todas as características chave: capa levemente colorida, título engraçadinho, sinopse sobre noiva que desiste do casamento e volta a querer o ex... mas quase joguei o livro pela janela. A personagem principal era detestável e um desserviço para todas as outras mulheres adultas que de fato acham interessante saber o que se quer; suas amigas, adágio praquilo de "quem precisa de inimigas?"; o noivo, criatura patética e sem espinha dorsal; e eu poderia continuar aqui, mas quero me lembrar do próximo em vez desse volume que gastou três horas da minha vida. Afe.

Crônicas da vida pública, Luis Fernando Veríssimo
O goodreads me disse que Veríssimo é um dos autores que eu mais li, e assim mesmo fiquei pensando que havia títulos que não tinha lido - há muita coisa dele repaginada, as mesmas crônicas com outras capas e em outra ordem, então tenho sempre cuidado ao comprar coisas dele. Mas aí achei esse livro no sebo, e esse cara é tão incrível... mesmo sendo crônicas datadas, falando da candidatura do Obama ou de alguma descoberta científica de dez anos atrás, elas não perdem a graça nem a importância. Veríssimo é muito, muito especial.

As cobras, Luis Fernando Veríssimo
esse é um compilado de charges que eram publicadas em algum jornal. Embora com alguma repetição, ainda é engraçado e irônico na medida.

Nada para vestir, Arlindo Grund
Outra aquisição do sebo de um livro que já peguei nas mãos algumas vezes (gosto muito dos volumes das meninas originais do Esquadrão da moda, Trinny e Susannah) com curiosidade. Mas achei feio (tudo preto e branco), clichê (a famosa lista do "tenha uma camisa branca"), inútil (várias histórias sobre a origem das peças que devem ser super interessantes para outros leitores, talvez) e sem foco (a questão do tipo corporal, que na minha humilde opinião define muito do que se veste, estava timidamente no fim, depois de todas as listas e descrições chatinhas). Ou seja, não.



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Incursões na literatura

De vez em quando eu tenho vontade de voltar a ser a pessoa que "escrevia". Nunca fui disciplinada a esse respeito, mas como boa introvertida, os pensamentos engarrafados às vezes iam pra caderninhos diversos e, quase acidentalmente, para outros canais.
Aí uma amiga muito querida está publicando um livro nos próximos meses, e voltei a pensar nisso. Fiquei curiosa e descobri que ainda existo no mundo online, (olha o perigo!), que jamais esquece.

Aqui tem um conto, aqui tem outro. Esse site era um jeito de divulgar o que quer que você intencionasse, creio eu. Os dois foram publicados em 2003.
Me conta depois o que você achou.





http://www.blocosonline.com.br/versaoanterior2/literatura/prosa/ct03/ctp030401.htm

http://www.blocosonline.com.br/versaoanterior2/cine/cinelitpro05.htm