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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Clássico do momento - Timely classic - Jane Austen

Razão e sensibilidade foi o primeiro  livro publicado da Jane Austen, em 1811, com um pseudônimo genérico ("A lady"). Não houve uma razão especial para eu tê-lo escolhido como primeiro clássico relido, a não ser o fato de que eu tinha uma cópia em brochura fácil de carregar (a edição que eu selecionei no Goodreads).

Vamos começar com um grande resumo: (Aliás, achei esse site fofíssimo, em português, aqui)

 
 Aí começamos com um exemplo da personalidade da Elinor, cheia da razão explicitada no título, nesse diálogo no qual alguém diz que a irmã dela está comprometida com outra pessoa:

 "You were certain that she wore his picture round her neck. It turned out to be only the miniature of our great uncle."
"But indeed it is another thing. He has got a lock of her hair!"
"Take care, Margaret. It may be only the hair of some great uncle of his."

"Você tinha certeza que ela estava usando a foto dele num relicário no pescoço. No final era uma foto de nosso tio-avô."
"Mas de fato isso é outra coisa. Ele tem um cacho do cabelo dela!"
"Cuidado, Margaret. Pode ser somente o cabelo de algum tio-avô dele."

Marianne é, por outro lado, a emoção da dupla, sem dúvida. Assim como a mãe, ela acredita no mais radical de tudo, e diz coisas como: Quanto mais eu conheço do mundo mais convencida estou que jamais verei um homem que possa realmente amar. (afinal, do alto de seus 17 anos, com toda a experiência que andar pelos campos lhe traz, é uma reflexão realmente profunda).

 

Enquanto isso, a sociedade vive de buscar parcerias e casamentos, e a narração da Jane Austen é um deleite:

"Conversation ... Middleton had taken the wise precaution of bringing with her their eldest child, a fine little boy of about six yo, by which means there was one subject always to be recurred to by the ladies in case of extremity, for they had to inquire his name and age, admire his beauty, and ask him questions which his mother answered for him while he hung about her and held down his head to the great surprise of his ladyship, who wondered at him being so shy before company as hecould make enough noise at home. On every formal visit a child ought to be of the party, by way of provision for discourse."

" Conversar... Lady Middleton tinha tomado a sábia precaução de trazer consigo seu filho mais velho, um simpático garoto de aproximadamente seis anos de idade, o que significava que sempre havia um assunto a recorrer em caso de necessidade, já que poderia se perguntar seu nome e idade, admirar sua beleza, e fazer-lhe perguntas que sua mãe respondia por ele enquanto ele permanecia a seu lado cabisbaixo para grande surpresa da mãe, que se surpreendia por sua timidez perante os outros já que ele era bastante barulhento em casa. Em todas as visitas formais uma criança deveria ser trazida, a fim de prover razão para conversar."

E essas visitas sociais, que acontecem o tempo todo todo o tempo (sério, ninguém nunca faz mais nada. É um tal de dinner party, dance party, refeições diversas na casa uns dos outros... as únicas pessoas que trabalham são os mensageiros, para levar os convites, porque nem as cozinheiras aparecem na narrativa...) - essas visitas tem o propósito de estabelecer relações que se tornem duradouras e virem enlaces matrimoniais - provavelmente para que no futuro aconteçam mais jantares, ... enfim. Então, eles trocam aneis com cachos do cabelo, e isso é megasério. Não, não tô brincando. Marianne inclusive alega que em sete dias a gente pode conhecer melhor as pessoas que em sete anos, quando se diz comprometida com Willoughby (embora esse enlace não esteja explícito para a família).

(Eu acabei de te conhecer e isso parece maluco, mas tempo não determina intimidade, então aqui está um cacho do meu cabelo).



Call Me Maybe meets Sense and Sensibility.
Aparentemente isso não era muito verdade, contudo: Willoughby um dia anuncia que está saindo da cidade sem previsão de voltar, e diz isso meio misteriosamente, partindo assim o coração da pobre Marianne, e algum tempo depois, quando ele reaparece e ela tenta contatá-lo, recebe uma carta fria tipo tapa na cara não sei quem é você negando tudo e ela fica sabendo que ele ia se casar com uma moça. Tadinha. (Tudo isso de forma bem mais rebuscada e bem contada, mas é pra você ler o livro, né não?)

Enquanto a Marianne está vivendo esse drama todo, (e a propósito, ignorando completamente outro personagem que já vou contar quem é e ela insinuou que devia estar de pantufas e casaco esperando a morte em casa e ela jamais se interessaria por ele) a Elinor vive uma paixão recolhida pelo Edward Ferrars. Ele é o fofo quieto. (num dos filmes, é o Hugh Grant). Numa relação repleta de subentendidos, como deve ser em 1811, suponho eu, ele é sutil, porém constante, e Elinor se dá sempre muito bem com ele. A gente, a essas alturas, já é...


 The reasonable "Team Edward" :) - Sense and Sensibility
 Qual não é nossa decepção, portanto, quando vem a notícia de que Edward está secretamente comprometido, há anos, com uma moça (a versão de piriguete mais apurada que eu já vi num clássico, eita mocinha desagradável, grudentinha e fingida) chamada Lucy Steele, e só não tornou isso público porque caso o faça, a mãe o deserdará e ele não tem onde cair morto. No final, a piriguete acaba ganhando, porque alguém traz isso a baila, a mãe o deserda, ele mantém o compromisso assumido, afinal é um homem honrado, Colonel Brandon (já chego lá) oferece um lugar pra ele ficar... afe...

Seguem vários capítulos infelizes. Elinor tenta viver bem escondendo um pouco sua infelicidade, cultivando a amizade com o Colonel Brandon, (ah, chegamos nele: digno, íntegro, sofre em silêncio, o herói perfeito que isso aqui tava faltando, e rico, claro, ele tem uma paixão recolhida pela Marianne, que reprime porque ela tem a obsessão declarada pelo Willoughby e ninguém sabe se passou.) Marianne sai andando pelos campos (ela faz isso bastante, pra falar a verdade), mas dessa vez na chuva, e como é 1811, ela fica muito doente e à beira da morte. Isso faz com que Willoughby saia do buraco onde havia se enfiado. Veja só que homens casados podem ser fdp em qualquer época ou contexto; ele vai até a casa das irmãs, todo desesperado, e confessa para a Elinor que amava Marianne e foi egoísta em nome do dinheiro que herdaria ao ficar com a pessoa com quem se casou.

 "You are very wrong, Mr Willoughby, very blameable. You ought not to speak in this way either of Mrs Willoughby or my sister. You have made your own choice. It was not forced on you. Your wife has a claim to your politeness, to your respect, at least. She must be attached to you or she would not have married you. To treat her with unkindness, to speak of her slightingly is no atonement to Marianne,  ... it a relief to your own conscience."
mais ou  menos:
"Você está muito enganado, Sr. Willoughby. Você não deve falar assim da Sra. Willoughby ou de minha irmã. Você fez sua própria escolha. Ela não foi feita por outros. Sua esposa tem direito sobre sua polidez, seu respeito, no mínimo. Ela deve se sentir ligada ao senhor, ou não teria se casado. Tratá-la sem bondade, falar dela dessa maneira não é de modo nenhum reparador à Marianne, ... é um alívio à sua própria consciência."


Não é ótimo? Assisti essa semana uma aula, em ambiente corporativo, sobre protagonismo (1/3 é do meio, 1/3 é do outro, e sua obrigação é garantir que o seu 1/3 esteja sendo cumprido de verdade). Aparentemente Protagonismo foi primeiro cunhado pela Jane Austen, né :P Ele não tem mais nada o que fazer a não ser voltar pra caverna de onde saiu, e viver o que pode.

Marianne começa a se interessar pelo Colonel Brandon depois de saber de tudo isso, já que finalmente ficou com o coração livre, e do alto dos seus 19 anos agora, aceitará que o amor vem de várias formas. Elinor, por outro lado, antes de ser feliz vai passar um perrengue (leia com a linguagem do século retrasado). Um mensageiro diz que encontrou Lucy (a piriguete) na cidade, e ELA SE CASOU, mandou lembranças, etc. Ou seja, Edward está perdido para Elinor. Marianne até desmaia. (Sim, desmaia.)
No dia seguinte, elas recebem uma visita. Ninguém mais, ninguém menos que... Edward. Elinor respira fundo:

I will be calm! I will be mistress of myself! (Eu vou ficar calma! Eu serei dona de mim!)

Vão todos para a sala fazer social com o moço. Maior suspense, e Jane Austen usa a frase:

When Elinor had ceased to rejoice in the dryness of the season, a very awful pause took place.  
Quando Elinor tinha parado de falar com muita alegria sobre a seca da estação, uma pausa desagradável se seguiu.

Não é hilário? Tem de amar essa mulher.

Aí alguém toma coragem (acho que foi a mãe da Elinor) e pergunta sobre Mrs. Ferrars. Edward diz que vai bem. blah blah blah, ele revela que a piriguete se casou COM O IRMÃO DELE!!!


(Edward está solteiro e eu não posso ficar calma)

Aí tudo é festa, né? finalmente. Existe um pouco de obstáculo com a mãe do Edward:

Her family had of late been exceedingly fluctuating.For many years she had had two sons;but the crime of Edward a few weeks ago had robbed her of one; the similar anhiliation of Robert had left her for a fortnight without any;and now,by the ressuscitation of Edward, she had one again.

Sua família havia ultimamente estado excessivamente inconstante. Por muitos anos ela tinha tido dois filhos; mas o crime de Edward algumas semanas atrás a tinha roubado de um; a aniquilação de Robert a havia deixado por uma quinzena sem nenhum; e agora, com a ressuscitação de Edward, ela tinha um de volta.

Mas depois de todos os desenganos, tava na hora da coisa desencantar, e as duas irmãs finalmente viverão perto, com seus respectivos amados que as mereceram.

Meu resumo??? Peraí:


2 comentários:

  1. Jane Austen é bom demais, essa mulher era um gênio. Vou tentar ler alguma coisa dela em minhas férias. E gostei da sua frase sobre a piriguete em um clássico, afinal, homem pode ser sem vergonha em qualquer época e piriguetes devem existir desde que existe o ser humano.

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    1. ahhh, se eu me lembro bem das aulas de catecismo, existem piriguetes bem piriguetes bem descritas na Bíblia hahaha.... me diverti mesmo relendo esse livro, devo dizer que me lembrava de muito pouco da sutileza e da ironia que encontrei.

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