Books read

Leticia's books

To Kill a Mockingbird
The Catcher in the Rye
The Great Gatsby
Of Mice and Men
Animal Farm
One Hundred Years of Solitude
Lord of the Flies
Romeo and Juliet
Little Women
A Tale of Two Cities
Frankenstein
The Count of Monte Cristo
The Secret Life of Bees
The Memory Keeper's Daughter
The Joy Luck Club
The Da Vinci Code
The Kite Runner
The Shining
The Silence of the Lambs
The Bourne Identity


Leticia's favorite books »

quarta-feira, 18 de março de 2015

A Letícia lê - semana 11 - Timely classic - Clássico do momento - Um certo capitão Rodrigo, Érico Veríssimo

letrasinversoreverso:    Escritores e gatos     No dia em que faz 35 anos da morte do escritor Erico Verissimo, um raro momento: o escritor trabalhando na confecção de “Incidente de Antares”, em 1970, diante de seu gato de estima Snoopy.

Se a gente começa com essa foto, do Érico Veríssimo escrevendo com seu gato supervisionando, percebe que vai gostar do resto :)

Se na sequência a gente lê a primeira frase desse livro, que faz parte de toda uma série (O tempo e o vento), vê que no final dela já está imaginando o sujeito:

Toda gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, vestia calças de riscado, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, a presilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas,batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
-Buenas e me espalho! nos pequenos dou de prancha, nos grandes dou de talho!

Eu nunca vi as séries de tv, e espero que você também não, porque assim consegue imaginar o seu próprio capitão Rodrigo e não os atores que a Globo escolheu para eles.

Não tenho meias medidas. Sou oito ou oitenta! - diz ele a Juvenal, na primeira conversa com um nativo de Santa Fé.
E em cinco minutos, já está o novo amigo seduzido: "Juvenal acendeu o cigarro, tirou duas tragadas e ficou a observar o forasteiro. Já começava a achar que ele tinha uma cara simpática. Só o jeito de olhar é que não era la muito agradável: havia naqueles olhos muito atrevimento, muita prosápia e assim um ar de superioridade." - "O diabo do homem tinha feitiço".Depois, vai seduzir o padre Lara, que será seu amigo até o fim também: "Padre, é melhor vosmecê ir logo dizendo o que quer. Isso de dar voltas é lá com o rio Ibicuí. Gosto de gente que vai direito ao assunto."

O livro também é engraçado: "Naquele momento seu desejo por Bibiana se confundia com uma sensação de fome e Rodrigo começou a pensar alternadamente na rapariga e num churrasco." E ele explicando o porquê não se rendeu à confissão para o padre quando estava à beira da morte é um deleite.

Não contente, é atual: "Governo é governo e sempre é divertido ser contra".

A paixão de Bibiana é um capítulo à parte, muito bem escrito: "Cuidar da casa, fazer comida para Rodrigo, ... tudo isso eram prazeres que ela gozava duma maneira miudinha, prolongada, bem como fazia no tempo de menina quando lhe davam um pedaço de rapadura e, evitando triturá-lo com os dentes, ela o deixava dissolver-se aos poucos na boca para que o doce durasse mais." - "O vício dela era Rodrigo". A descrição da volta de viagem dele seria quase um capítulo erotizado prum livro que foi escrito em 49 :) E Bibiana, sendo a antítese da mulher de hoje - aceitava as traições dele, esperava-o em casa, era cega de amor - ainda assim entendia Rodrigo "detestava que viessem falar dele com ar fúnebre". E tem orgulho do que viveu e como terminou, o que, dentro da história dela, é grande.

Ou seja, fiquei muito feliz de tê-lo escolhido e lido. Vou procurar alguns outros títulos de clássicos, e no meio deles espero ser digna de encontrar literatura brasileira que 'converse' comigo como o Erico Veríssimo é tão lindamente capaz de fazer com seus leitores.


4 comentários:

  1. Ah, que lindo. Eu tinha pensado O Tempo e o Vento, mas não lembrava de duas adaptações para a televisão... Eu li ele inteiro aos 14 anos, preciso reler para ver o que eu perdi com aquela idade...

    ResponderExcluir
  2. BOA TARDE QUERIDA (Os)
    JÁ ASSISTI A SERIE A PRIMEIRA.JÁ ASSISTI AO FILME OS DOIS ENREDOS E A NOVA SERIE QUE PASSOU HÁ ALGUNS ANOS..VALE A PENA? MUITOOOO.NÃO ME CANSARIA DE ASSISTIR..A PRIMEIRA VEZ FOI HÁ UNS 35 ANOS ERA UMA SERIE DA GLOBO.E RODRIGO ERA O TARCISIO MEIRA...INESQUECÍVEL.

    ResponderExcluir
  3. Um Certo Capitão Rodrigo é realmente bom, mas não é nada comparado a O tempo e o vento, livro de onde essa história foi extraída! Foi O livro da minha adolescência. Fora que historicamente, para quem se interessa pelo Brasil, seus estados e suas revoltas, é muito interessante.

    ResponderExcluir
  4. Nunca li o Tempo e o Vento nem Um certo capitão Rodrigo, também não vi as séries e fiquei animada quando a Tatiana Feltrin disse que vai fazer uma série com O tempo e o vento no canal, pretendo acompanhá-la na leitura.

    ResponderExcluir