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Leticia's books

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One Hundred Years of Solitude
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The Memory Keeper's Daughter
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The Silence of the Lambs
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Leticia's favorite books »

domingo, 20 de setembro de 2015

A Leticia lê - livros lidos nessa semana + timely classic - clássico do momento

Essa semana foi a do:

Queria mais é que chovesse - Pedro Mexia
crônicas sempre me atraem. Essa edição é linda, e me chamou com os olhos. Mas de verdade, foi um daqueles casos que o primeiro encontro seria o único. A conversa não se sustentou, sabe? chatice.

Brave new world - Aldous Huxley
Fiquei olhando pra estante e decidi reler livros que estavam lá e dos quais eu só lembrava vagamente; daí saíram várias escolhas dessa semana. Parabéns pra mim! Admirável mundo novo foi um deles. É um livro distópico da época na qual esse gênero era completamente desconhecido dos milhões de jovens que hoje leem Divergente, Jogos vorazes e afins. (dos jovens e de mim, no caso, que adoro, tá?)
O livro começa com a descrição de umas pessoas visitando um centro no qual um processo chamado Bokanovsky é explicado: um embrião é transformado em milhares, 'produzindo' seres humanos perfeitos de uma vez e sem a complicação de conceitos alienígenas como 'família', 'pais', 'sexo'. A ideia é que todos os seres produzidos sejam plenamente felizes, com as tarefas que recebem - afinal, as sociedades são sim divididas em castas, 'como tem de ser' - e desde cedo, frases como 'eu odiaria ser do grupo X', ou 'usar a cor Y' - que pertence ao outro grupo - são inculcadas na mente das pessoas. Sete mil repetições fazem uma verdade, algo assim. A ideia é que todo mundo viva uma vida de prazeres simples, controlados, e sejam felizes - na medida da felicidade do governo.
Existem, claro, alguns personagens que saem um pouco dessa padronização. Bem pouco. Bernard Marx é um deles. (uma ligeira sátira aqui com esse nome) Em algum momento, ele se envolve com uma outra moça, Lenina, mas rapidamente se desaponta porque ela na verdade gosta da droga (soma) que toma e que faz com que tudo fique bem e rapidamente tranquilo, e não quer sentir coisas intensamente como ele.
Eles pregam Comunidade, Identidade, Estabilidade. Logo um outro personagem, John Savage, é inserido no contexto; ele vivia numa 'reserva', quase como o que seriam nossos 'índios', e ao contrário dos outros, sofre quando perde a mãe, já conheceu dor, não entende esse universo. Ele lê Shakespeare (Marx também o havia feito, aparentemente é como as pessoas aprendem a sentir por ali...ah, literatura... ) e diz a frase mais citada do livro: But I don't want comfort. I want God. I want poetry, I want real danger, I want freedom, I want goodness. I want sin. I'm claiming the right to be unhappy. Not to mention the right to grow old and ugly and impotent; the right to have syphilis and cancer; the right to have too little to eat; the right to be lousy; the right to live in constant apprehension of what may happen tomorrow; the right to catch typhoid; the right to be tortured by unspeakable pains of every kind. I claim them all. 
Mais ou menos: Mas eu não quero conforto. Eu quero Deus. Eu quero poesia. Eu quero perigo real, quero liberdade, quero bondade. Quero pecado. Estou reinvindicando o direito de ser infeliz. Sem falar do direito de envelhecer e ficar feio e impotente; de ter sífilis e câncer; de ter pouco para ocmer; de ser incompetente; de viver em constante medo do que pode acontecer amanhã; de pegar febre tifóide; de ser torturado por dores de todos os tipos. Eu quero tudo isso.
Vou dizer duas coisas: a ideia é obviamente original (foi publicado em 1932) e assustadoramente conectada com tanta coisa que vivemos hoje. Nossa necessidade de prazeres imediatos, de drogas que nos deem alívio, de grupos que nos aceitem e façam tudo igual, usando 'as mesmas cores'. A gente acha que é menos tribal, mas não é. 
Mas acho que Mr Huxley não é o melhor contador de histórias do mundo. Sabe, houve diversos momentos nos quais eu não pude evitar pensar... tá, tá, e? - coisa que jamais acontece quando a narrativa é fluida como pode ser. Claro, isso é totalmente uma opinião individual. Mas, bom, sou eu que estou escrevendo, né? Me conta se pra vc foi diferente.
16 Witty Sherlock Comebacks to Knock Out Your Enemies:  

A cidadela - AJ Cronin 
Esse é um livro que eu li há vinte anos, e tem aquele sentimento de novela: não tem nenhuma cena politicamente incorreta - mesmo quando se descreve uma cirurgia, a linguagem é mansa, sutil, bem anos 70 - agora pensando bem, creio que isso também tem a ver com a tradução que eu tenho, que é dessa época. Mas o livro foi publicado em 1937, então de verdade, há uma certa política envolvida.
De qualquer modo, narra a vida do dr. Andrew Manson, desde o momento após sua graduação, a duras penas e só realizada com um empréstimo, seu início de carreira como médico assistente e completamente explorado e seu idealismo.
Existe um contexto histórico aí: não havia um único sistema de saúde em Wales, ou na Inglaterra (hoje existe algo chamado NHS, que mal ou bem, uniformiza os procedimentos). Dr. Manson começou trabalhando supostamente como assistente para o Dr. Page, embora esse estivesse inválido, e, talvez retratando alguma experiência do autor, que também era médico, se chocou com a prática do lucro dos profissionais, dos pacientes que só vinham atrás de atestados médicos ou de remédios, e - num diálogo que me pareceu absolutamente real - de médicos que não ouviam seus pacientes, simplesmente a primeira frase "ah, você tem fraqueza: é anemia, tome essa pílula" em vez de buscar o diagnóstico como um todo.
À medida que ele cresce profissionalmente, tem aí um lado meio Keanu Reeves naquele filme Advogado do diabo - lembra-se, o profissional idealista que é corrompido pela ambição e larga a mulher para ir atrás das luzes da cidade grande, que lhe parecem agora tão fantásticas? A relação do doutor Manson com a esposa, a Christine, que o apoiava de forma quase irritantemente incondicional, desde que ele fosse fiel a si mesmo, me lembrou muito essa.

Enfim, ele passa por várias cidades, vários momentos, relações diferentes com pacientes, com colegas de profissão e com essa esposa, que o 'truca' às vezes "esse não era aquele remédio que na verdade não faz nenhum tipo de efeito? por que você o está receitando?", irritando-o loucamente, porque,né, a verdade dói.
E aí, você quer saber se ele vira um ser humano horrível e mais um dos médicos do grupo medonho? em homenagem à Silvia, que tem ódio de spoilers, eu não vou contar. Você veja que pra mim, como sempre, tanto faz: acho que o que gosto da história é a história e a maneira como é contada.
PS: Eu li esse livro na sequência do Admirável mundo novo. Tão diferente! Li numa sentada, com deleite.
Minha edição:
A Cidadela


Jane Eyre, Charlotte Brontë: lendo. conto semana que vem.

3 comentários:

  1. Haha! Obrigada pela consideração! Mas eu já tentei ler A Cidadela, achei chato e li o resumo da wikipedia, rs... Minha mãe deve ter lido todos dele, mas quando ela tinha uns 15 anos... ela amava ele, mas me avisou: "deve ser beeem aguinha com açúcar, eu tinha 15 anos!" Não achei extamente água com açúcar, mas achei meio parado.

    Também li o Admirável Mundo Novo faz muuuito tempo, e não lembro de nada. Só lembro que eu não gostei. Aliás, se eu for reler tudo que eu não lembro, nunca mais vou precisar gastar um tostão com livros.

    Estou pra te escrever pra dizer que eu li o Remember Me? da Sophie Kinsella e adorei! Eu li o primeiro Shopaholic há milênios e odiei. Toda vez que eu via você falando bem dela aqui eu pensava "Ugh, sério?", mas aí achei esse livro na bisbilhoteca, em inglês. Aí, de graça, até ônibus errado, né? Confesso que eu esperava ler as primeiras 50 páginas e fazer um "ugh"mental de novo, mas adorei! Várias cenas engraçadas. Até baixei umas amostras de outros stand-alone dela. Acho que a Shopaholic não vai rolar, mas os outros... mas sabe que eu fiquei até pensando... será que eu não estava meio extra-grumpy quando eu li aquele primeiro? Sei lá... já faz uns dez anos. Aquela sua foto é na Bienal do Rio?

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    1. Oie! viu só, rs! então, sua mãe está 100% certa, rs! mas é fofo assim mesmo; e quanto a não lembrar de livros, veja bem, foi assim que eu comecei a. goodreads; b. esse blog. E assim mesmo, eu tenho de consultar ambos pra falar do que estou lendo, me vejo dizendo, então, estou lendo um livro, peraí que te falo o nome... aiai. Sophie Kinsella: AMO. Estava com muito medo desse último, Finding Audrey, porque é YA, um gênero novo pra ela, e mesmo assim, amei. muito. Li no kindle, comprei em inglês e aí comprei em português, rs. A foto é de uma noite de autógrafos da Editora Saraiva aqui de SP, mas eu cogitei ir pro RJ só por ela sim <3. E talvez vc não goste da Becky Bloom... triste, rs, mas compreensível. Ela é meio fútil e 'loud'. O Remember me? é muito fofo. Recomendo fortemente "I've got your number" e "Can you keep a secret?" na sequência. E, se vc não liga pra ordem, tente o terceiro Shopaholic, é de longe meu favorito. Rio alto até hoje, anywhere, lembrando dela com a mala de viagem...

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  2. Ah, sim, eu também tenho perfil no goodreads. E um caderninho com os livros lidos. Mas eu nunca anoto nada, só os títulos e os nomes dos autores. Eu tenho preguiça de escrever mais alguma coisa... Eu posso até não me lembrar de NADA do livro, mas sempre lembro se gostei ou não.

    Qual é o nome desse terceiro da Shopaholic? E esses dois outros foram justamente os que eu baixei :) Bom, as amostras, por enquanto.

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