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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Letícia lê - 2a. quinzena de agosto

Vou começar falando da importância do goodreads e desse blog na minha vida. Hoje de manhã vi uma notificação do goodreads que dizia que alguém comentou minha opinião sobre um livro qualquer sobre hábitos. Imediatamente eu pensei, Ué, mas eu não li esse livro, não só me desdizendo como confundindo o livro com um que virou piada aqui no escritório porque eu tenho dois (um físico e um no kindle) e no escritório tem mais dois, então eu disse que devia ser um sinal do universo que era pra eu ler, e bom, ainda não li.
Resumo da ópera: o que eu escrevi no goodreads eu de fato tinha lido. Me vi acenando com a cabeça como concordando com uma desconhecida, que nem uma louca, lendo minha própria opinião.
Enfim.

Comecei a segunda quinzena lendo os dois livros que a Silvia (oi, Silvia!) fofamente me emprestou. A gente tem gostos super diferentes, e eu tenho receio de dizer que nem sei o que a faz vir aqui me ler, embora seja grata por isso :)
O primeiro livro que ela me emprestou era O livro do apocalipse, ou Doomsday book, da Connie Willis. Embora seja o primeiro de uma série, dá pra ler sozinho. É um livro sobre viagem no tempo, e a personagem principal, Kivrin, sempre quis ir à Idade Média, embora seu (?) tutor? não sei como chamá-lo. Pelo que eu entendi, há diferentes especialistas em diferentes áreas que apoiam essas viagens no tempo de seus pupilos. Esse especialista tutor gostava muito de Kivrin e tentou convencê-la mil vezes a não ir (cólera, envenenamento, perseguição às bruxas, machismo, sem contar a peste bubônica, febre tifoide e etc). Bom, resumindo, obviamente ela foi. E, claro, algo dá errado, mas não dá pra saber o que, porque o técnico que a apoiou na viagem fica doente, e é 2050 ou algo assim, ninguém fica doente. Então acontece uma quarentena, e a Kivrin tá lá, perdida na Idade Média, supostamente perto de Bath.
Ou seja, começa fofo, com você pensando que acontecerá algo mas sem saber o que. Ingênuo.
A vida da Kivrin fica muito, muito difícil. Primeiro, porque o tal mecanismo de interpretação que a ajudaria a se comunicar em inglês antigo não funciona. Segundo, porque ela fica doente (pegou a doença que ninguém sabe o que é do técnico, lá em 2050). Terceiro, porque ela vai descobrir depois, mas não está exatamente onde achou que estivesse, e vai passar um bom tempo procurando o lugar e o tempo certos.
Estou lutando contra possíveis spoilers, mas a questão é que mesmo que Kivrin tivesse achado que estava pronta, ninguém em nenhuma idade estaria pronto pro que ela enfrentou. Mesmo que o fim tenha sido meio apressado e muito racional pra mim, claramente em negação às emoções, quero muito saber como foi tudo que aconteceu pra todo mundo, porque há coisas que te transformam muito completamente.
De qualquer modo, o que dá pra dizer é que mesmo com todo o desespero que muitas vezes você sente, é um livro que te prende quase do começo ao fim, por motivos diferentes, e mesmo que a mitologia criada pela autora pareça um pouco confusa e sem contexto, dá pra entendê-la e achá-la interessante.
Importante lembrar que o livro foi escrito em 90, publicado em 92 no auge dos filmes de ficção científica e quando celulares eram quase uma invenção.


A Bíblia envenenada - Barbara Kingsolver
Esse foi o segundo. A primeira coisa pra se dizer sobre esse livro é que é uma narrativa muito boa: você enxerga o barro vermelho, as chuvas torrenciais, o que eles comem ou não, as pessoas, o jardim, as irmãs.
A segunda coisa pra se dizer é que quando você começa, a história de uma família cujo pastor decidiu passar um tempo numa missão no Congo, você não tem a mais vaga ideia de como aquilo vai terminar. Quando os personagens vão tomando seus caminhos, um fica completamente desimportante, um morto, um apaixonado, um mudado, etc etc, nem se eu te disser o que acontece com cada um você vai corresponder o evento à pessoa do jeito certo. Ponto pra dona Kingsolver.
A terceira coisa pra dizer é que as pessoas leem de jeitos e com olhares muito distintos: pra mim, toda a política era só pano de fundo. Então, quando pareceu muito focado nela, eu dei uma desligada, ficou chato. Teve gente que achou isso o mais sensacional. Ou seja, parece que isso foi bem escrito.
A propósito: o título vem do fato de que, sem ninguém falar a língua, há diversas coisas que são ditas de modo a dar outro entendimento, uma delas sendo a bíblia (em vez de "sagrada", ela acaba sendo referida como "envenenada"numa tradução tosca, porque a inflexão muda o sentido das palavras). Isso já é um tremendo spoiler, na minha opinião, simplesmente porque fala muito do Pai Nosso (a maneira como as filhas se referem ao missionário pai que as levou e de santo tem bem pouco) e de quão disposto, aberto ou capaz de entender a cultura na qual estava ele era. Uma parte favorita do livro pra mim foi o encontro da família com o missionário anterior, o irmão Fowles.
Mas, me conta quando você o fizer.

Li também o livro sobre a Imperatriz de ferro: a Concubina que formou a China moderna,  e foi bem interessante. Ela parecia uma mulher muito peculiar, muito à frente do seu tempo, me lembrou muito uma mistura de Eva Perón com rainha Vitória. Claro, é difícil ler o tipo de coisa que acontecia em 1800 e tantos, mas se for pensar no cenário, ela te surpreende sempre. Foi um não ficção que li em seqüência numa semana.

Li também um livro que foi publicado nessas listas de "promissores", chamado Eileen. Achei a sinopse super legal, sobre uma moça que trabalhava numa prisão para jovens (tipo a antiga Febem), mas pensa numa narrativa lenta que acaba funcionando do jeito errado. Ou seja, era pra ajudar a autora a construir suspense, mas chega uma hora que ela fez isso direito, então 1, vc quer saber que diabos ela quer contar logo, e 2, quase tudo que ela for revelar a essas alturas vai ser anticlimático. Quem sabe fazer isso bem é a Liane Moriarty, essa moça não sabe. Foi um livro que eu não larguei na primeira metade, mas só li a segunda por desencargo (e porque a tal revelação só apareceu aos 80% do livro).




Agosto - andanças

Então, e aí que eu queria muito falar dessa exposição: www.theartofbrick.com, com o Nathan Sawaya. Esse cara se formou em Direito, atuou em Direito Corporativo, mas o que ele queria mesmo fazer era arte... e com Lego. A Lego não o patrocina, aliás. Embora ele tenha feito um dinossauro com 80 mil peças que faz parte da exposição. O sujeito é muito incrível, e vale muito a visita à exposição, que está na Oca, no Ibiraquera, custa 20 reais, e deve ser comprada online, porque tá esgotando (com razão) rapidinho.
Tem de tudo: obras de arte (a escultura de Lego imitando O beijo, de Klimt, é uma das minhas favoritas), pessoas, rostos (há um rosto que ele diz ser de uma amiga e que a parte mais difícil foi os cílios...), cenas... é realmente ótimo.
Ah, aviso aos incautos: há uma lojinha de Legos na saída. As crianças ficam, obviamente, querendo se agarrar nas caixas caras e não largar mais. E quem pode culpá-las?




Também fomos ver o Esquadrão suicida, filme do qual eu não sabia coisa nenhuma, e saí continuando sem saber, porque o enredo é xexelento. Mas gostei da tal Harley Quinn, a namorada do Coringa, que é insana mas divertida. 

sábado, 13 de agosto de 2016

A Letícia lê - quinzena de agosto

E aí que essa quinzena passou voando, principalmente porque estou trabalhando enlouquecidamente. Li uns livrinhos tontos, porque meu cérebro só dava conta disso, comecei muito timidamente Harry Potter, dividida entre querer reler todos eles e ler logo esse último antes de saber tudo pelos outros, e li Dostoievski, O idiota.
Esse idiota do título é o príncipe Mishkin (você vai achar uma grafia diferente a cada edição), e a origem desse nome vem desde Aristoteles ao fato de que ironicamente o idiota é o sujeito que não tem lugar na sociedade, basicamente porque ele foi escrito para ser uma mistura "de Cristo e Quixote". Isso quer dizer que ele é compassivo, ingênuo, honesto, com o coração sempre aberto e exposto, sabe? e, como nos idos de 1800, se apaixonou pelos olhos num retrato, veio de um sanatório onde estava por epilepsia, conta pra todo mundo como a beleza do mundo o fascina... ou seja, um indivíduo sem "capa"social, no sentido de vida em sociedade como a conhecemos na vida vazia.
Isso dito, há momentos nos quais você só acha que ele é... idiota. Desculpe, mas sim, há gente que não merece sua ingenuidade, sua compaixão, e isso não quer dizer que merece o oposto, e sim que não merece seu tempo, só que você siga adiante. E também há momentos demais nos quais os outros parecem ser retumbantes... idiotas. Literalmente batendo os pés e se batendo, como Gavrila e Rogojin. É algo que nos causa vergonha alheia, o fato de que o tempo todo há alguém "enrubescido", "querendo aniquilar o outro", "irado ao extremo", "incontroladamente enraivecido". Assim, estamos no jardim da infância?
Isso inclui todos os personagens principais, pra mim: do general ao príncipe, de Rogojin à Nastassja, de Gavrila à Totski, tenho um pouco de vontade de eu mesma dar um gritinho de "ah gente, vai lavar uma louça", mas aí me lembro da mãe do tuberculoso que teve seus móveis penhorados pelo general (esqueci o nome dela) e percebo que nem tendo louça pra lavar esse povo tomava jeito.
Claro, lá pelo meio com um romancezinho incipiente a narrativa ganha um fôlego porque o interesse humano é pelas emoções mundanas né. Mas vai e volta e vai e volta, e Jane Austen faz isso tão melhor. Desculpa, não deu. Mesmo com o final novelesco e mais agitado que metade do livro.
Não entendo se historicamente o comportamento do público era assim ou ele quis dar uma caricatura, (na verdade entendo sim, claro que era essa a intenção, assim como o título do livro, uma sutil ironia) mas era desconcertante, deprimente e, da perspectiva literária, desculpe, irritante, por conta da repetição das mesmas atitudes - a mensagem é clara e poderia ter sido passada em metade das páginas, porque claramente as pessoas permanecem... adivinha... idiotas. (e não aristotelicamente falando aqui).

Bom, é muito possível que a idiota seja eu e eu não tenha preparo espiritual para ler esse livro. Mas ao contrário de outros clássicos, que me dão camadas novas a cada vez que eu leio ou a cada capítulo, eu achei que esse me parecia uma repetição eterna do mesmo tema. Vou ter que reler Dom Casmurro, ou Crime e castigo, ou um desses que me foram queridos, para tirar esse ranço. Alguém que gostou do Idiota compartilha comigo o que eu perdi?

sábado, 6 de agosto de 2016

6on6 julho!

1. Já contei que eu não sabia nadar até adulta? Minha mãe tem medo de água, minha irmã também, e acontece que um dia eu me dei conta de que não sabia nadar nem andar de bicicleta e resolvi resolver uma das duas coisas. Nado descoordenadamente, mas adoro. Depois de uns meses fora (dedo torcido, férias, mudança de emprego), voltei pra academia. Três vezes por semana, 6:30 da manhã.

2. Essa foi a primeira vez em 10 anos que o  D. cozinhou pra mim. E olha que lindo! Meu omelete sai todo tortinho.

3. Minha coleção de lápis, ganhados e comprados, de diversos cantos do mundo. Adoro muito e lembro de todos eles. Se você for viajar, me traz um?

4. É pra amar esse meu trabalho ou não? Essa era a mesa da festa junina.

5. Adorei esses espelhos e pratos. Sao da Pizzaria Speranza, onde fomos jantar com uma amiga muito amada uma dessas sextas-feiras.

6. Essa estátua é muito fofinha, né? Está no Parque do Povo, onde passamos um domingo de manhã esse mês.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Leticia lê - julho terminando

E na segunda quinzena de julho:

eu li A elegância do ouriço, da Muriel Barbery - me recomendaram e emprestaram. Acho que eu jã tinha ouvido falar dele, mas não me lembrava. A narrativa me lembrou Marguerite Yourcenar, sabe, da História de Adriano? elegante e clássica. Basicamente, conta a história de uma concierge (vamos lá, é zeladora) que se finge de inculta quando na verdade ama coisas que os ocupantes do prédio considerariam muito sofisticadas para sua profissão (como Tolstoi e Brahms), e de uma das moradoras, uma adolescente suicida. A coisa vai crescendo de você gostar, e quando você vê, está envolvida com a vizinha simpática, os moradores do prédio, o possível romance - a única coisa que não me atraiu foi a adolescente chatinha e esnobe, tão inteligente que não consegue se achar no mundo. Ah vá. Mas, sem querer ser desagradável, eu não estava preparada para o desfecho.

O centauro no jardim, Moacyr Scliar - um autor por quem sempre tive curiosidade, e aí nas #andanças do mês, fomos ao Parque do Povo e lá peguei o livro. É realismo mágico, então não é pra todo mundo. Mas eu simpatizei com o centauro e estava super acreditando nele, porque a narrativa das emoções e do entorno são de fato boas. Acho (mas acho mesmo, certeza não tenho não) que é uma metáfora de, além de se sentir diferente, crescer numa comunidade rural e pequena numa família judia nas primeiras décadas do século, como imigrante. E, de novo, achei o final levemente anti climático.

El juego de Ripper, da Isabel Allende - adoro Allende, e esse livro, por ser físico e em espanhol, estava na fila há um tempão. É uma tentativa de mistério criminal dela - aparentemente ela começou escrevendo com o marido, e quase deu em divórcio, mas resolveu continuar sozinha. Gosto muito da Isabel Allende, porque ela tem essas narrativas que parecem alguém te contando uma história ótima enquanto vocês tomam café 'a tarde, sabe? uma voz boa. E esse livro, embora tenha elementos mais crus de assassinato, tem uma pegada meio YA (a filha da personagem principal é quem está tentando desvendar o mistério junto a seu avô). Eu gostei, Não amei, como Cuentos de Eva Luna, mas gostei bastante.

Truly madly guilty, da Liane Moriarty - acho bem injusto que esperei meses por esse livro e ele acabou tão rápido. E acho que essa é uma autora muito, muito consistente - há sempre um capítulo qualquer no qual eu penso "ah, acho que esse vai ser chato", e aí ela me desmente logo, e cria uma reviravolta que eu realmente não esperava, e eu tenho vontade de fazer isso aqui:


Incrível, dona Moriarty. Seu talento permanece. O livro conta a história de duas amigas desde o colégio, Erika e Clementine, embora essa amizade seja também questionada. Em um dado momento, me pareceu MUITO aquele filme que se originou de uma peça, O deus da carnificina. Adorei. Aliás, recomendo o filme também.

e pra agosto, gente? ganhei um certo pacotinho de livros emprestados e comprei o último Harry Potter (estou na verdade querendo reler todos os outros, só pra durar mais), então aparentemente estou na fase livros físicos. Tá interessante, tranquilo e favorável.