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segunda-feira, 3 de março de 2014

suspiros

E aí que depois de tentar ir à Meat choppers e bater com a cara na porta, sendo segunda-feira de Carnaval, e ir até o Mestiço e ser muito bem atendidos e comer o prato por quem eu venderia a família, (no caso de você querer comprar a minha, é o Krathong thong seguido de Asia) fomos até a Livraria Cultura, originalmente tentar achar a 1a. temporada de House of Cards, já que eu sou a única mortal que não tem netflix.
(E a única que consegue escrever um parágrafo de setenta mil palavras também, claramente).
aimeudeus. Começa que eu realmente não tenho espaço na estante. A estante de parede a parede que acabou de ser instalada. Então eu entro na livraria me sentindo uma heroína (música do Carruagens de fogo, por favor), olhando com condescendência pras almas que estão saindo com pilhas de títulos.
Corta pra próxima cena, eu soluçando abraçada a oito livros, mais três revistas, duas coletâneas e um dvd. Como, como lidar???

Livros que eu agarrei e estão impregnados com lágrimas, suor e saliva:
- uma edição linda, linda, capa dura, páginas douradas, do Conde de Montecristo, do Alexandre Dumas. A mais difícil de deixar pra trás, porque custava só 79 dinheiros e vamos combinar, eu vou TER de voltar e pegar. Amo esse livro, é um clássico, e minha edição é velha e feia. Olha que coisa mais linda!!!
- uma coleção com todos os livros da Jane Austen, ilustrada, capa dura, all the works. 150 dinheiros. linda. Valia ter uma casa só dela. Todo mundo tem de ter a coleção inteira, né? uma que nem essa aqui, linda?
- um livro chamado Procurando Mônica, de um senhor chamado José Trajano, que fará o lançamento dia 12/03 na livraria. Parecia tão bonitinho!
- os livros do V.S. Naipaul, o escritor de Trinidad com pais indianos e que é um dos maiores britânicos hoje em dia. Peguei uns três na mão, aí pensei em começar pelo primeiro, aí desisti.
- o Corações sujos, do Fernando Morais, porque o meu sumiu, emprestado pra alguém.
- o Cuckoo's calling, que a JK Rowling escreveu sob pseudônimo. Só tinha capa dura, portanto mais caro que eu queria pagar, mas a tentação...
- os da Tahereh Mafi, que eu só tenho no kindle e vou precisar ter em papel, desculpe.

Bom, se alguém de bom coração quiser me dar algum desses, estou bem disposta a aceitar sem perguntas. Eu saí da livraria sem nenhum livrinho, nenhuma sacolinha, e de olhos secos.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Desafio dos livros - dia 5 - um livro não ficção que você realmente gostou

Day 05- A Non-fiction book that you actually enjoyed

Corações sujos, sem dúvida. (resenha abaixo, desse site, da Companhia das Letras)
A Shindo Renmei, ou "Liga do Caminho dos Súditos", nasceu em São Paulo após o fim da Segunda Guerra, em 1945. Para seus seguidores, a notícia da rendição japonesa não passava de uma fraude aliada. Como aceitar a derrota, se em 2600 anos o invencível Japão jamais perdera uma guerra? Em poucos meses a colônia nipônica, composta de mais de 200 mil imigrantes, estava irremediavelmente dividida: de um lado ficavam os kachigumi, os "vitoristas" da Shindo Renmei, apoiados por 80% da comunidade japonesa no Brasil. Do outro, os makegumi, ou "derrotistas", apelidados de "corações sujos" pelos militantes da seita.
Militarista e seguidora cega das tradições de seu país, a Shindo Renmei declara guerra aos "corações sujos", acusados de traição à pátria pelo crime de acreditar na verdade. De janeiro de 1946 a fevereiro de 1947, os matadores da Shindo Renmei percorrem o Estado de São Paulo realizando atentados que levam à morte 23 imigrantes e deixam cerca de 150 feridos. Em um ano, mais de 30 mil suspeitos dos crimes são presos pelo DOPS, 381 são condenados e 80 são deportados para o Japão. Nesta sua volta à grande reportagem, Fernando Morais conta a história da seita nacionalista que aterrorizou a colônia japonesa no Brasil.

Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Reportagem




 O Fernando Morais já tinha escrito Olga, e eu chorei cântaros. (uma expressão tão velha quanto 'raining cats and dogs', que ninguém usa, e que quer dizer que realmente foi triste - o cântaros, não o raining cats and dogs, que na verdade quer dizer chover muito. Afe, pior a emenda que o soneto aqui né), mas Olga tem todo um apelo fácil de entender, do amor de mulher, do amor de mãe, da guerreira, do soldado; são arquétipos quase. E foram feitos filmes e novelas retratando a Olga Benário e o Luís Carlos Prestes. Então você podia achar que por isso o livro era bom.

Só que não. Ao ler sobre algo tão obscuro quando a Shindo Renmei, você nota que o Fernando Morais tem um talento que poucas pessoas tem; conseguir contar uma história na qual as pessoas saltam das páginas, e tudo tem igual peso, seja o cenário histórico, seja a descrição. O cara é f... ( e melhor articulado que eu, que só consegui esse adjetivo para alguém como ele).

Outros livros de não ficção que eu amei:
Cartas a Nelson Algren, da Simone de Beauvoir. Quem falou que ela só amou Sartre? Nem sempre existe só um tipo de amor (eu diria quase nunca).

José e Pilar, do Miguel Gonçalves Mendes, que também é documentário. Saramago e sua mulher galega, a jornalista Pilar del Río, falando de trabalho, rotina, como se conheceram, sua vida de escritores. Impossível não morrer de doçura.

Clarice, uma vida que se conta, Nadia Gotlib - antes da biografia que ficou famosa nos últimos anos, havia essa, a primeira que eu li e me deu um vislumbre de quem era essa ucraniana judaica nordestina nômade gênia que não cabia em si nem em ninguém.

Fotos das minhas edições queridas aí embaixo:


Teve também O andar do bêbado, do Leonard Mlodinow, sobre como o acaso determina nossas vidas, que eu já li mais de uma vez (acho que pra entender melhor inclusive porque sempre que quero falar desse livro pra alguém tenho de me esforçar pra soar coerente e científica em vez de balbuciar: É tão legaaaaal). Tem um trecho aqui, ó.

E não sei se conta, porque li na faculdade, mas me impressionou muito e recomendo pra todo mundo que tem um vago interesse em educação, medicina, crianças, psicanálise... Françoise Dolto, Os caminhos da educação. Ela é uma médica e psicanalista francesa, trabalhou com Lacan, abriu um consultório para acolher crianças pequenas e tem ideias sobre educação e infância muito além de seu tempo (morreu em 88, aos 80 anos, acho).

Trilha sonora do dia: Is this love?, do Bob Marley. Sim, às vezes eu volto pro passado, embora o Bob Marley me dê aflição com a história de terem achado x tipos de piolho nele.