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quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Letícia lê - semana temática - semana 20 - distopia

O CONTO DA AIA

E aí eu li O conto da serva/O conto da aia, de MargaretAtwood (The Handmaid’s tale). Por alguma razão, eu achava que ela era algo como a Alice Munro, de quem eu tenho certa birra, então ‘apagava’ da mente quando falavam dela. Mas esse livro foi ressurgindo nas conversas, e acredito em sincronicidade... finalmente, apareceu no Kindle unlimited, e me rendi.
Obrigada, universo. Foi escrito em 1985, e é assustador como é atual, e marcante. Li com abandono, sem saber nada sobre o livro de antemão, e acho que isso só me ajudou. Fui ficando mais e mais envolvida, mais e mais bem impressionada, e as (poucas) partes mais lentas ou chatas eram ignoradas em prol do que eu queria saber: o que aconteceria com Offred?
Vou resumir, embora seja pouco do meu feitio: a história é narrada por uma handmaid, ou serva, numa sociedade distópica e teocrática americana, que agora se chama Gilead, e na qual não existe muito do que hoje nós conhecemos: advogados, livros, perfumes, liberdade...

"Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o Exército declarou estado de emergência. Na época, atribuíram a culpa aos fanáticos islâmicos. Mantenham a calma, diziam na televisão. Tudo está sob controle. (...) Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer um tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia mais um inimigo que se pudesse identificar."

Você descobre que a Serva de 33 anos que narra a história é chamada de Offred (De Fred, o Comandante), e as Servas tem uma função: procriar com os Comandantes aos quais pertencem, supervisionadas por outras mulheres, numa cerimônia. Offred teve seu casamento anulado, pois era um segundo casamento, e segundo as novas leis, isso não é aceitável. Assim, ganhou a função de Aia, e pertenceu a dois comandantes; agora ela pertence a Fred.
Cada mulher tem uma função: existem as Handmaids, ou Servas, com a função de procriação, existem as Marthas, com funções domésticas e as Aunts, ou Tias, que treinam e monitoram as Servas, por exemplo. Essa divisão começou de um dia para o outro, após o golpe quando os controles bancários foram unificados e as mulheres ficaram sem acesso a eles; ou seja, Offred (está implícito que se chamava June) um dia saiu de casa, deixando a filha pequena na creche e despedindo-se do marido Luke e foi trabalhar como bibliotecária. No meio do dia, foi fazer uma compra e sua conta não tinha dinheiro algum. No fim do dia, ‘soldados’ acompanharam seu chefe na demissão de todas as mulheres do estabelecimento. Mais algum tempo, e ela tentou fugir com a família para o Canadá, mas foram pegos, separados e ela foi submetida à vida que tem agora. – Tudo isso você vai descobrindo no decorrer do livro, com os flashbacks da narradora, em pedacinhos.
Como sempre, eu detesto escrever sinopses: sinto que estou esquecendo uma série de detalhes, muitas vezes importantes, e não estou transmitindo o importante, porque esse é o talento da escritora: o sentimento. Você fica tensa com a subserviência das mulheres, que estão despidas de toda liberdade, seja de pensamento ou ação. Você fica angustiada com a perda de Offred, sem saber o que ocorreu com sua família. Você fica infeliz com as personagens que demonstram sua alienação e sua aceitação de todo esse processo. Você fica curiosa para saber o destino das outras Servas. Você fica em luto pelas Servas que tiveram destinos cruéis.  Você fica ansiosa para saber sobre as relações que estão se estabelecendo e quão reais elas são.
Se eu fosse capaz de escrever sobre isso, eu SERIA a Margaret Atwood, e não escreveria sobre ela :P Mas, sendo eu somente uma leitora, só posso dizer, acredite em mim. Vale pela originalidade – dentre os romances distópicos achei esse o mais fora da caixa. Aliás, a Margaret Atwood diz que ele é ficção especulativa, e não científica ou distópica. A personagem é bem escrita e bem desenvolvida, e embora os temas sejam muito sérios e tristes, não é escrito de modo dramático ou meloso.
Olha só: Meu nome não é Offred, eu tenho outro nome, que ninguém mais usa porque é proibido. Eu digo a mim mesma que não importa, que seu nome é como seu número de telefone – útil somente para os outros; mas o que eu digo a mim mesma é errado. Importa.
E isso aqui: "A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora."


Não é arrepiante?