Books read

Leticia's books

To Kill a Mockingbird
The Catcher in the Rye
The Great Gatsby
Of Mice and Men
Animal Farm
One Hundred Years of Solitude
Lord of the Flies
Romeo and Juliet
Little Women
A Tale of Two Cities
Frankenstein
The Count of Monte Cristo
The Secret Life of Bees
The Memory Keeper's Daughter
The Joy Luck Club
The Da Vinci Code
The Kite Runner
The Shining
The Silence of the Lambs
The Bourne Identity


Leticia's favorite books »
Mostrando postagens com marcador aleticiale. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aleticiale. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

2a. quinzena de janeiro - aleticiale2017

Cordilheira - Daniel Galera
Esse é um livro que foi escrito com uma premissa deliciosa: aparentemente deram uma grana para uns autores para escrever in loco em alguns lugares, e disseram pra esse sujeito ir escrever em Buenos Aires. Então a ambientação é ótima, e pra quem já foi, super se sente em casa. Mas detestei a história, coisa chata! uma mistura de complexo de Electra com metanarrativa que não tem fim. Tinham me falado super bem do cara, e foi meio decepcionante. Talvez não seja meu tipo de livro.

A dor - Marguerite Duras
Árido e difícil como todo livro escrito sobre essa época, narra algumas histórias, e com o holofote em uma, sobre uma pessoa que aguarda a volta do amante de um campo de concentração nazista, e é membro do partido de resistência, e tem detalhes autobiográficos, e é mascarado como "diários perdidos", e tem exatamente esse tom de dor tão em "stacatto" que você só sente o latejar. Quando você achar que está tendo um dia ruim...

Rita Lee, uma autobiografia
Dá pra resumir bem com o que ela diz que gostaria que fosse o epitáfio dela, algo como "Não era um bom exemplo a ser seguido, mas era gente boa".

Senilidade, Italo Svevo
Gosto da narrativa dele, mas achei esse livro em particular meio repleto de clichês, o sujeito mais velho apaixonado pela jovem muito trambiqueira e que tem a irmã virgem e feia como contraponto vivendo com ele. Existem equilíbrios, como a vizinha ou o amigo, mas acho que o autor tinha mais talento que isso. Claro, é necessário lembrar que foi escrito no começo do século (1920 e pouco) e só foi bem sucedido porque era amigo de alguém (Camus, talvez?)

Uma coisa de nada, Mark Haddon
Esse é o cara que ficou famoso pelo outro livro, e eu esbarrei nesse título no sebo. E aí fui lendo, e achando aflitivo o senhor que estava claramente à beira de um colapso, pai da moça que estava claramente necessitando terapia, marido da senhora que estava urgentemente precisando de um grupo de apoio... ele segue uma certa linha, né rs... enfim, fora o fim que foi muito hollywoodiano pra mim, achei bom e envolvente.

Wild, Pacific Crest Trail, Cheryl Strayed
It took me a while to get to this book simply because I had assumed it would be boring and I wouldn't be able to relate at all to the story, being the last person on Earth who would go on such an adventure. But soon I figured out that the author was not so different from me, and the book focused on being human much more than on being an athlete. And then I really enjoyed it.

Os viúvos, Mario Prata
Bom e velho policial, leve, interessante, divertido. Vou procurar mais coisas dele.

Conte sua história de São Paulo, Milton Jung
achei que fosse gostar tão mais do que gostei! São 110 histórias de ouvintes sobre a cidade, e houve uma tentativa de separá-las em blocos temáticos, mas pra mim ficaram sem pé nem cabeça. Muitas são só pedaços de nada, outras vão indo e vindo e não sei pra onde...

Terra descansada, Jhumpa Lahiri
Li O xará dela anos atrás, e me apaixonei loucamente. Esse livro teve críticas no goodreads sobre "mais do mesmo",com  o que eu discordo muito, simplesmente porque entendo que ela é muito boa sim em escrever sobre os aspectos culturais, mas além disso, ela é muito boa em escrever sobre gente. Sobre aquelas pequenas coisas que nos fazem mesquinhos e difíceis e sofridos e tornam as relações tão complexas e cheias de nós. Claro, o Terra descansada tem contos (acho que oito) e todos trazem famílias de origem indiana. Mas acho que é porque ela sabe disso, né. Tanto faz. Enfim. Me lembrei como gosto dela.

Doei uma pilha de livros pra Biblioteca (Viriato Correa, na Vila Mariana), e li quase que exclusivamente livros físicos esse mês. Estou curtindo "eliminar" livros da estante, seja por doar, emprestar, trocar no sebo, redescobrir... não curto o fato de que "compartilhar" trechos no Kindle, que é algo com o que eu tinha me acostumado e gosto muito (tenho cadernos de citações desde adolescente), dá muito mais trabalho. Mas acho que vou  manter isso por mais algum tempo, e continuar a "faxina" na estante. Estou vendo progresso!! Foram 26 livros esse mês, só literatura brasileira e internacional de fato.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

primeira quinzena de janeiro - aleticiale2017

The perfect girl, Gilly Macmillan, estreou meu ano. Parece não ter ainda tradução em português, e foi ótimo.
It was gripping from beginning to end; even when you want to slap Zoe silly (or, actually, slap her mom, or her uncle, or punch Chris, or ... there's some bottled up anger sipping from the characters' passiveness, attitude or lack thereof.), you want to know what happens a bit more, so you go on. The ending might be a bit predictable, everything considered (I'm really bad at predicting the butler's crime and I had guessed it a whole chapter in advance), but as usual, I think the journey is what truly matters.

A resistência, Julian Fuks - O livro, em tom autobiográfico, é narrado pelo irmão mais novo Sebastián, e começa falando que quer falar sobre seu irmão adotado. Filho de psicanalistas argentinos que buscaram exílio na década de 70 no Brasil, logo ele está falando dos vazios e dos ecos que isso quer dizer, num vai e vem constante. É um livro que não sei se gostei, pra ser bem honesta. Ás vezes sim - me lembrava minha amiga argentina falando, o tom é bem genuíno, me pareceu que até os tempos verbais o eram - e às vezes eu só me cansava.

As fêmeas, Marcelo Rubens Paiva - É uma coleção das crônicas que ele escreveu para o jornal, que eu não leio. Em sua maioria, não gostei. Achei escatológico, ou cru, ou agressivo, e nao estou dizendo que não devia ser - simplesmente não é meu estilo ou não era minha expectativa ao ler.

Olhai os lírios do campo, Erico Veríssimo - Havia lido esse livro quando adolescente, e chorado por Olivia, e odiado Eunice. É interessante reler agora. Novelesco, claro, moralista, sem dúvida, mas tem um toque romântico e sociopolítico (mesmo que isso não seja a ênfase total) que é cativante. Me lembrou muito A cidadela, do Cronin. A questão do médico que se tornou médico para ser respeitado e valorizado pela sociedade, enriquecer, ignorando o proposito da profissão e as pessoas que amava no caminho... enfim.

Senhora, José Olímpio - Falando em novela... Várias reviradas de olhos ao ler a descrição da Aurelia, que basicamente era "espertinha, considerando que era uma moça". É preciso lembrar que foi escrito em 18... , e na verdade era até inovador, já que ela se recusava a depender do tutor e foi, até o fim, senhora de seu próprio destino.

O livro das perguntas, Pablo Neruda - Um livrinho leve de poesia que você quase quer ler para crianças, perguntando por que o sol é amarelo e por que o outono gasta tantas folhas em suas dívidas.

Travesuras de la niña mala, Travessuras de uma menina má, Mario Vargas Llosa - Sensacional. Sabe aquela frase que acho que é do Italo Calvino, de "um clássico é o livro que nunca termina o que tem para dizer"? foi isso que pensei, porque adorei a narrativa, e dias depois de terminar ainda coisas ecoavam em mim. Sensação deliciosa! Pensa que o mote da história é entre o Ricardo e a "menina má"; ela sequer tem um nome próprio real no decorrer todo do livro... e isso não importa, é parte da mitologia. Muito incrível.

Selma e Sinatra, Martha Medeiros - a fase de Martha Medeiros continua forte. Esse é um dos dois romances que ela escreveu, e eu achava que ia ser pior que as crônicas, mas gostei muito. É basicamente a entrevista de uma cantora aos 70 e poucos anos, cuja vida perfeita intriga e incomoda a entrevistadora. O drama de ser gente vem à tona várias vezes, e é gostoso de ler.

O túnel, Ernesto Sabato - um argentino que é muito bom contador de histórias, com um romance que começa falando que ele matou uma pessoa. Bom de ler, né? mesmo o personagem sendo ligeiramente maluco, passional e ciumento (bom, faz sentido). Um daqueles romances nos quais a narrativa se sobrepuja em muito ao cerne da história.

Contos fantásticos no labirinto de Borges, organizado por Braulio Tavares - são contos escolhidos pensando-se no argentino Jorge Luis Borges, e há alguns que ficam em pé realmente sozinhos - adorei A livraria, do Nelson Bond, e tive pesadelos com A terceira expedição, do Ray Bradbury.

A dama das camélias, Alexandre Dumas filho - a história de uma meretriz, Marguerite Gautier,  que se apaixona e é correspondida por Armand Duval. Serei honesta: eu esperava mais. Queria saber da história da mme. Gautier, queria entender a razão das camélias, e embora entenda a delicadeza com que a história foi tratada - a cortesã do século XIX renunciando a seu amor em nome da dignidade do amado (pedido do pai de Duval), o arrependimento de Duval por tê-la tratado vingativa e cruelmente como resposta, a doença que a consome, a falta de perspectiva, enfim - não me convenceu como uma das personagens mais conhecidas da literatura. Também li em algum lugar que a história era verdadeira, mas não encontrei fatos que comprovassem essa hipótese.

O sol se põe em São Paulo, Bernardo Carvalho - livro emprestado, de um autor sobre quem eu não conhecia nada e nem sabia que existia. Veio bem recomendado, e aí as primeiras vinte páginas foram de doer. Difíceis pra mim, lentas, aquele tipo de narrativa do senhor dos anéis, de descrever cada coisa e não ir pra lugar algum... quando eu estava quase desistindo, a coisa engrenou e aí se tornou bem fácil. É uma metahistória da metahistória, vários personagens dentro deles mesmos, reviravoltas e surpresas sobre o que de fato aconteceu com os envolvidos - e onde, e quando. Tive de ler o fim duas vezes e meia, porque houve algumas revelações de coisas que eu não tinha prestado muita atenção, mas valeu assim mesmo.

Como falar com um viúvo, Jonathan Tropper - achei esse livro no sebo perto de casa, tinha uma cara simpática e me lembrou outro Jonathan, o Coe, que eu adoro. A sinopse é como o título, mórbida - o sujeito de 29 anos que perdeu a mulher de 40 num acidente de avião e está deprimido e sem saber como lidar com o enteado adolescente e com a vida de modo geral. Ele nem é interessante, se você pensar muito bem. Mas ele começa a escrever uma coluna com o nome do livro, faz um sucesso danado, ele luta contra a depressão - na verdade, mentira, luta bem pouco; ele passa por aquele período que só quem perdeu alguém sabe, que é não querer lutar contra a depressão porque ela significa superar a pessoa perdida - e a história surpreendentemente fica em pé, tem insights até divertidos. Zero expectativa virou vai pra estante.

Grande irmão, Lionel Shrivner - quem já esteve por aqui sabe que eu amo essa mulher. Li duas coisas sensacionais dela, Precisamos falar sobre Kevin e So much for that, e ignoro um pouco as críticas negativas sobre o fato de que ela é ligeiramente pedante em seu uso de polissílabos para descrever qualquer coisa. Mas esse livro não foi um ganhador. Começou bem: Pandora é casada com Fletcher, e eles tem aquela pequena mesquinhez que você identifica nos outros e te faz sentir humano, é dona de um negócio bem sucedido mas não se conecta de verdade com nada, aparentemente. Aí surge o irmão, o único membro da família que ela gosta de fato, e ela quer hospedá-lo. Ao encontrá-lo no aeroporto, descobre que ele está pesando 175 kg, e todo o drama se segue daí. Ignorar o fato? Ajudá-lo? Entender o preconceito que está à volta dos obesos? Lidar com a fome que não é fome? Com a própria autoimagem? Com as questões de saúde que ele enfrenta? Com a mobília que ele quebra? Com o fato de ser a irmã caçula exercendo o papel de irmã mais velha? ou...
é como assistir um reality show, quase, só que muito melhor escrito, e você segue os capítulos. Me incomodei com a decisão tomada quando ele tinha de ir embora, e achei o fim muito clichê para o que eu conheço e admiro da Lionel Shrivner. Sei lá. Ainda é um livro ruim muito melhor que outros livros médios.


 

sábado, 7 de janeiro de 2017

aleticiale2017 - metas do ano

Pois é...


  • o blog tem um instagram pra registrar em tempo real quando termino os livros: se chama aspequenasegrandesalegrias . Tem pouca coisa além dos livros, frases, minhas gatas e comida, porque bem, é exatamente essa a intenção :P
  • para 2017, em vez dos 250 e 260 livros de meta de goodreads de 2015 e 2016, estabeleci 150. No instagram, eles terão a hashtag #aleticiale2017 e em alguns casos, as indicações do que são (clássicos, contemporâneos, poesia, etc)
  • decidi tentar ler menos livros em inglês/espanhol, e quando o fizer, fazer os comentários também na mesma língua. Uma amiga que mora nos EUA falou sobre isso e como queria compartilhar às vezes as dicas de leitura e achei que fazia sentido. A verdade é que o Kindle tem muitas promoções de livros gratuitos em inglês, e muitas vezes eles saem mais barato e mais rápido, por isso acabo usando esse atalho.
  • quero ler mais poesia, mais literatura brasileira, mais clássicos, mais coisas que estão na minha estante esperando... E variar mais. Aceito sugestões!

                                         

sábado, 31 de dezembro de 2016

A Letícia lê - como terminou 2016!

E aí que terminei a meta tão esperada de 2016 até com antecedência. Decidi que pra não enlouquecer esse ano (e ler menos porcaria), vou diminuí-la bastante, mas isso é assunto pra outro post.
Esses são os últimos livros que li em 2016:

Luckiest girl alive, Jessica Knoll - comecei a ler esse livro, que foi publicado aqui como Uma garota de muita sorte, - e adaptado ao cinema pela Reese Whiterspoon como a Ani FaNelli, a personagem principal - por acaso, tendo me chamado a atenção numa pilha na Saraiva. Lá pelo meio, quando já estava viciante, fui colocar no goodreads e achei resenhas falando mal, dizendo que a comparação com A garota do trem e Garota exemplar era injusta porque era muito pior. Ignorei e continuei lendo, e continuei com a mesma conclusão: se vc amou Garota exemplar, talvez concorde. Eu não amei - gostei muito mais do filme do que do livro, e isso é raríssimo - e talvez por isso tenha achado que a garota de muita sorte foi bem construída, o suspense interessante, o fim ótimo. Veja bem, não mudou minha vida, mas é um três estrelas sólido e uma ótima leitura de voo/praia/férias.

Caviar é uma ova, Gregorio Duvivier - eu adoro todo mundo do Porta dos fundos, #prontofalei. Isso dito, essas são as crônicas publicadas por ele no jornal - mesmo que vc nao as tenha lido, talvez conheça a famigerada última, que fala do término do relacionamento com a Clarice Falcão e causou um rebuliço nas redes sociais - metade amando porque é lírica e fofa, outra metade acusando de ser marketing porque foi na época do lançamento do filme que os dois fizeram por último. Enfim, tanto faz: as outras crônicas são tão ou mais bem escritas quanto essa, do tipo que vc ri, sorri, concorda, reflete, ou seja, do jeito que crônicas, com seu toque de dia a dia, devem ser. Amei.

Love may fail, Matthew Quick - ele é o autor do livro que originou o filme O lado bom da vida, com a Jennifer Lawrence (de Jogos vorazes) e o loiro bonitão cujo nome me esqueço. Está sendo traduzido pro português ainda, e eu comprei basicamente porque achei que a sinopse tinha uma chance boa, porque detestei os dois últimos que li dele. E aí veja como é preciso ter esperança: gostei bem! tem drama, tem o "real", sabe, de vc entender que várias pessoas são imperfeitas, medíocres, só buscando a felicidade, como todo mundo que pega o metrô com vc e a pessoa que te olha no espelho diariamente? achei bem fofo terminar o ano com esse livro, enquanto olhava prum dos lagos do Ibirapuera, num dia lindo de férias. Olha só:


A mágica arte da arrumação, Marie Kondo - fiquei só aflita. Essa história de Isso me faz feliz? (pergunta que vc tem de fazer, seguida de algumas outras, com TUDO que você possui) é boa e interessante, mas a zona de guerra que vc tem que transformar sua casa para fazer isso acontecer me incomoda e não vi efeito.

e uma série de dezena de livros trashy pra terminar.

Foi isso meu fim de 2016. ebaaaa!!! 261 livros lidos, envolvendo clássicos, literatura de vários países, muuuuuito Harlequin e Avon, não ficção, literatura contemporânea... li pouca poesia e li muito em inglês, e vou tentar mudar esses dois ângulos pra 2017. Espero que o fim de ano de todo mundo tenha sido incrível e que estejamos juntos por bastante tempo!!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Letícia lê - reta final de 2016!

Faltam só 26 livros, e tenho lido muuuuita tralha pra dar aquele empurrãozinho... o que eu li de não tralha:

mais Martha Medeiros: A Graça da coisa e Paixão crônica (esse último tinha várias crônicas que eu tinha lido nos outros, mas é um ótimo começo pra quem não a leu)

The Singles game, da Lauren Weisberger (a mesma autora do Diabo veste Prada). Romance (no sentido de novela mesmo) interessante, bem escrito, envolvente. Gostei bem.

Do Veríssimo, Banquete com os Deuses, Os espiões e Pai não entende nada. Amei esse último, porque para mim é mais próximo ao Veríssimo que eu amo, o das crônicas.

O bebê de Bridget Jones: os diários. A Silvia (oi, Silvia) me perguntou como eu explicava o fim do último para esse. Honestamente, nem me lembro do último. Achei esse diferente do que esperava (esperava a descrição toda da gravidez, os primeiros passos do bebê, enfim. O que encontrei foi a descrição do velho e bom Daniel Cleaver e Mark Darcy e da maluca da Bridget, todos velhos conhecidos), de um jeito bom.

É isso por enquanto. Ainda tenho dez dias. Aguardem!


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A Letícia lê - primeira quinzena de dezembro

Oi!
vamos lá...
nunca tinha lido Martha Medeiros, e várias pessoas já me recomendaram, especialmente depois que eu disse que sou apaixonada pela Ruth Manus. Aí minha amiga foi à feira da USP e encontrou diversos títulos com 50% de desconto e eu joguei pela janela as decisões de não comprar mais livros físicos...
já li Um lugar na janela, que comprei para minha irmã, porque ela queria um livro leve e gostoso para a viagem de fim de ano e ele tem crônicas sobre lugares que a autora visitou. Aí li Doidas e santas, e gostei muito mais do que achava que gostaria. São crônicas que ela publicou entre 2006 e 2008, sobre diversos temas do cotidiano. Uma delas eu de fato quis enviar a uma amiga, e várias tiveram essa ressonância de realidade, mesmo sendo de uma década atrás.
Li três livros supostamente autobiográficos, mais ou menos na mesma linha: A garota com tribal nas costas, da Amy Schumer, uma comediante, (foi eleito no goodreads como melhor de sua categoria), Yes please, da Amy Poehler, que conta muita história do Saturday night live, e I'm not that kind of girl, da Lena Dunham, que escreveu Girls, o seriado. Não gostei de nenhum.
Li outro vencedor do goodreads (acho que de autor novo) chamado Behind closed doors, e achei razoável: é uma história sobre um desses maridos do Dormindo com o inimigo, lembra desse filme? e achei o fim bom, mas meio mal escrito. Não achei o trailer dublado, mas acho que várias pessoas devem se lembrar, tá aqui:

Li A livraria dos finais felizes, de uma autora sueca, e comprei outro para dar a uma amiga querida, porque é encantador e amo livros que falam de livrarias...
Li The curious charms of Arthur Pepper, sobre um velhinho que vai atrás dos badulaques de pulseira da mulher que morreu, e é muito gracioso, embora tenha me lembrado outro livro que li e amei sobre um velhinho. Claro que não me lembro o nome nesse momento, volto aqui se lembrar.
Li Listas extraordinárias, primo do Cartas extraordinárias que a Tati me deu e eu amei. Que livro fofo! Tem 125 listas, de todo tipo: de promessas de ano novo da Marilyn Monroe a coisas que o Einstein pediu à mulher antes de se separarem. Adorei.
Como sempre, li vários romancezinhos e um chick lit (Love on a plate), mas nenhum muito digno de menção honrosa.

E estou em busca da meta, gente! Faltam 49 livros, tenho 22 dias. Putz, colocando assim parece meio difícil... mas sou brasileira, né? Vambora!

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A Letícia lê - 1a. quinzena de novembro

Tenho corrido um pouquinho pra alcançar o número prometido de livros lidos esse ano, então continuo lendo vários livros gratuitos e de fórmula pronta - os romancezinhos estilo Avon/Harlequin, cuja estrutura é previsível mas confortável e tem ritmo de leitura fácil.
Além desses, li alguns não ficção que podem ser úteis:

Qual é a tua obra? - é na verdade uma coletânea das palestras do Mario Sergio Cortella. O que tem de não legal: algumas coisas já são antigas - se fala de dvds como novidade, da ovelha clonada - e incomodam um pouco a leitura. O que tem de legal: algumas das inquietações e sacadas são incríveis e ressonantes com qualquer um que esteja no mercado de trabalho ou tenha sido líder em algum momento. Também é curtinho e gostoso de ler.

A arte da imperfeição - Brene Brown - ela é bem famosa nos EUA, por sua pesquisa sobre a vulnerabilidade e a vergonha. Eu comecei pensando em um livro de autoajuda e estava um pouco incomodada, porque não gosto desse gênero. Mas em torno do capítulo 3 já tinha decidido que vou dar uma cópia desse livro a uma amiga e que aquilo fazia todo sentido. Acho bem válido.

O código da liderança - Dave Ulrich - o autor fez algumas pesquisas com CEOs de grandes empresas sobre as características que determinavam liderança eficaz, e construiu um modelo que é baseado em cinco dimensões. Fez bastante sentido para mim.

Faça acontecer, da Sheryl Sandberg - uma amiga do escritório me emprestou, porque acabou de fazer uma oficina sobre empoderamento feminino numa cliente. Li em duas sentadas. A executiva do Facebook começa a contar histórias dela, sobre como foi percebendo sua própria atitude em relação à seus pares, como essa questão da mulher na liderança foi surgindo, e as estatísticas são tão aterradoras... quando fui postar a review no goodreads, me deparei com um comentário falando de que os exemplos que ela dava era surreais porque ela tinha babá e o marido havia mudado a empresa para ficar com ela e as crianças. Honestamente, tanto faz. Ontem almocei com uma amiga e a questão só mudava de perspectiva, porque não é sobre dinheiro, embora obviamente ele ajude - é sobre o fato de que a gente acha que é um favor e uma fofura o cara mudar de emprego pelas crianças, e uma obrigação se a mãe o faz. Esse é um livro que até merecia uma resenha própria, mas acho que tem de ser relido, digerido, e a gente primeiro tem de engolir as desculpas que vem imediatamente à boca antes de discuti-lo. Então, recomendo primeiro, para homens e mulheres, e não porque é uma bíblia da verdade feminista, mas só porque traz muitos números e histórias que podem causar reflexão. E depois, se quiserem, a gente fala dele, porque essa é uma conversa bem rica.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Letícia lê - 2a. quinzena de outubro

Eu sei, é vergonhoso. Mas tem sido um período tenso, de muitas horas de trabalho, e chegou um momento no qual ou eu lia ou eu escrevia sobre o que estava lendo :P
Ah, e teve a maratona Gilmore girls, que roubou todas as noites durante umas três semanas. Que saudades eu tinha da Rory e da Lorelai e de todo o drama e das 60 palavras por minuto.
Enfim, agora chega aquele período no qual eu me desespero porque minha meta de 260 livros do ano está muito atrasada (faltam 93 e só temos 53 dias para acabar o ano!). D. disse "mas a meta é sua, deixa ela pra lá"e eu tive um ataque de riso. Parece que não me conhece :P A la Scarlet O'Hara, dramaticamente, cumprirei a meta ou morrerei tentando.

De qualquer jeito, no último mês e meio, eu li 45 romancezinhos Harlequin, que são os aceleradores de meta, rã rã. Rápidos, com fórmula quase, uns dois ou três MUITO mal escritos dos que fazem a gente fazer caretas ao ler, outra meia dúzia muito fofinha e romântica, a maioria gratuitos porque depois que eu descobri o Ebook lovers hesito muito em pagar por esse tipo de livro - só aqueles cujos autores eu já conheço e gosto. Nalini Singhi, Lexi Ryan, Kersley Cole, essas de quem eu já li vários, por exemplo. Se esses livros te interessam, espia meu goodreads. Pule tudo que tem duas estrelas. Nem tudo que é gratuito vale a pena.

Além deles, li meia dúzia de chick lit que já estava na minha casa (Ralph's party, da Lisa Jewell, foi o único que ainda se manteve interessante, com as três estrelas do meu 'corte'. Os outros perderam o encantamento em algum momento dos últimos dez anos. Li pela primeira vez um da Jenny Colgan, The bookshop on the corner, bem fofo.

Reli alguns outros títulos: em particular, um chamado A madrasta, da Nancy Thayer, que foi comprado pelo meu irmão no Círculo do livro em 1900 e bolinha e eu li muitas vezes quando adolescente. Achava a narrativa muito vívida, conseguia ver muito bem a madrasta e as enteadas e a lista de demandas da ex esposa. É muito interessante reler livros que você leu quando era praticamente outra pessoa. Reli também um Veríssimo, Histórias brasileiras de verão. Não é o mais engraçado, mas há algumas das histórias que te fazem rir horas depois de ler.

Li um distópico bem bom, Anthem, Ayn Rand. E mais dois YA, The magicians, Lev Grossman, que eu tinha esperado muito e fiquei um pouco desapontada, e Despertar, da Meg Cabot, sempre uma alegriazinha. ah, e um chamado Lionheart, uma revisita de Bela e a Fera, sempre uma fofura.

Li um mistério chamado The Little Stranger, da Sarah Waters, que me prendeu muito quando o sobrenatural começou de fato a aparecer, e me frustrou um pouco quando não foi de fato "resolvido". Foi bem Poe pra mim. Gostei. (obrigada, Silvia!) Li também um livro chamado I know this much, do Wally Lamb, cujo gênero eu não sei classificar. Gostei muito de algumas partes, me arrastei por outras. Gostei do final, mesmo mais hollywoodiano.

Li Ruth Manus, Pega lá uma chave de fenda e outras divagações sobre o amor, e eu já sabia que ia gostar porque adoro muito o que ela escreve. Comprei dois, já pensando numa amiga que sei que também gosta, e na verdade já saí da livraria pensando que devia ter comprado quatro, porque é um livro doce e fofo. Ela me faz sorrir, chorar ou querer compartilhar - sabe aquele pensamento de "Sim, eu também!"? sempre tenho quando leio sua coluna no Estadão. O livro é mais genérico, mas mesmo assim muito fofo.

E li Antonio Prata, Trinta e poucos, e estou salvando o melhor para o final porque AMEI MUITO. MUITO. MUITO. Compre pra todo mundo que você conhece, porque é uma delícia de leitura. Leve, engraçado, triste, interessante, termina rápido demais.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Letícia lê - 2a. quinzena de agosto

Vou começar falando da importância do goodreads e desse blog na minha vida. Hoje de manhã vi uma notificação do goodreads que dizia que alguém comentou minha opinião sobre um livro qualquer sobre hábitos. Imediatamente eu pensei, Ué, mas eu não li esse livro, não só me desdizendo como confundindo o livro com um que virou piada aqui no escritório porque eu tenho dois (um físico e um no kindle) e no escritório tem mais dois, então eu disse que devia ser um sinal do universo que era pra eu ler, e bom, ainda não li.
Resumo da ópera: o que eu escrevi no goodreads eu de fato tinha lido. Me vi acenando com a cabeça como concordando com uma desconhecida, que nem uma louca, lendo minha própria opinião.
Enfim.

Comecei a segunda quinzena lendo os dois livros que a Silvia (oi, Silvia!) fofamente me emprestou. A gente tem gostos super diferentes, e eu tenho receio de dizer que nem sei o que a faz vir aqui me ler, embora seja grata por isso :)
O primeiro livro que ela me emprestou era O livro do apocalipse, ou Doomsday book, da Connie Willis. Embora seja o primeiro de uma série, dá pra ler sozinho. É um livro sobre viagem no tempo, e a personagem principal, Kivrin, sempre quis ir à Idade Média, embora seu (?) tutor? não sei como chamá-lo. Pelo que eu entendi, há diferentes especialistas em diferentes áreas que apoiam essas viagens no tempo de seus pupilos. Esse especialista tutor gostava muito de Kivrin e tentou convencê-la mil vezes a não ir (cólera, envenenamento, perseguição às bruxas, machismo, sem contar a peste bubônica, febre tifoide e etc). Bom, resumindo, obviamente ela foi. E, claro, algo dá errado, mas não dá pra saber o que, porque o técnico que a apoiou na viagem fica doente, e é 2050 ou algo assim, ninguém fica doente. Então acontece uma quarentena, e a Kivrin tá lá, perdida na Idade Média, supostamente perto de Bath.
Ou seja, começa fofo, com você pensando que acontecerá algo mas sem saber o que. Ingênuo.
A vida da Kivrin fica muito, muito difícil. Primeiro, porque o tal mecanismo de interpretação que a ajudaria a se comunicar em inglês antigo não funciona. Segundo, porque ela fica doente (pegou a doença que ninguém sabe o que é do técnico, lá em 2050). Terceiro, porque ela vai descobrir depois, mas não está exatamente onde achou que estivesse, e vai passar um bom tempo procurando o lugar e o tempo certos.
Estou lutando contra possíveis spoilers, mas a questão é que mesmo que Kivrin tivesse achado que estava pronta, ninguém em nenhuma idade estaria pronto pro que ela enfrentou. Mesmo que o fim tenha sido meio apressado e muito racional pra mim, claramente em negação às emoções, quero muito saber como foi tudo que aconteceu pra todo mundo, porque há coisas que te transformam muito completamente.
De qualquer modo, o que dá pra dizer é que mesmo com todo o desespero que muitas vezes você sente, é um livro que te prende quase do começo ao fim, por motivos diferentes, e mesmo que a mitologia criada pela autora pareça um pouco confusa e sem contexto, dá pra entendê-la e achá-la interessante.
Importante lembrar que o livro foi escrito em 90, publicado em 92 no auge dos filmes de ficção científica e quando celulares eram quase uma invenção.


A Bíblia envenenada - Barbara Kingsolver
Esse foi o segundo. A primeira coisa pra se dizer sobre esse livro é que é uma narrativa muito boa: você enxerga o barro vermelho, as chuvas torrenciais, o que eles comem ou não, as pessoas, o jardim, as irmãs.
A segunda coisa pra se dizer é que quando você começa, a história de uma família cujo pastor decidiu passar um tempo numa missão no Congo, você não tem a mais vaga ideia de como aquilo vai terminar. Quando os personagens vão tomando seus caminhos, um fica completamente desimportante, um morto, um apaixonado, um mudado, etc etc, nem se eu te disser o que acontece com cada um você vai corresponder o evento à pessoa do jeito certo. Ponto pra dona Kingsolver.
A terceira coisa pra dizer é que as pessoas leem de jeitos e com olhares muito distintos: pra mim, toda a política era só pano de fundo. Então, quando pareceu muito focado nela, eu dei uma desligada, ficou chato. Teve gente que achou isso o mais sensacional. Ou seja, parece que isso foi bem escrito.
A propósito: o título vem do fato de que, sem ninguém falar a língua, há diversas coisas que são ditas de modo a dar outro entendimento, uma delas sendo a bíblia (em vez de "sagrada", ela acaba sendo referida como "envenenada"numa tradução tosca, porque a inflexão muda o sentido das palavras). Isso já é um tremendo spoiler, na minha opinião, simplesmente porque fala muito do Pai Nosso (a maneira como as filhas se referem ao missionário pai que as levou e de santo tem bem pouco) e de quão disposto, aberto ou capaz de entender a cultura na qual estava ele era. Uma parte favorita do livro pra mim foi o encontro da família com o missionário anterior, o irmão Fowles.
Mas, me conta quando você o fizer.

Li também o livro sobre a Imperatriz de ferro: a Concubina que formou a China moderna,  e foi bem interessante. Ela parecia uma mulher muito peculiar, muito à frente do seu tempo, me lembrou muito uma mistura de Eva Perón com rainha Vitória. Claro, é difícil ler o tipo de coisa que acontecia em 1800 e tantos, mas se for pensar no cenário, ela te surpreende sempre. Foi um não ficção que li em seqüência numa semana.

Li também um livro que foi publicado nessas listas de "promissores", chamado Eileen. Achei a sinopse super legal, sobre uma moça que trabalhava numa prisão para jovens (tipo a antiga Febem), mas pensa numa narrativa lenta que acaba funcionando do jeito errado. Ou seja, era pra ajudar a autora a construir suspense, mas chega uma hora que ela fez isso direito, então 1, vc quer saber que diabos ela quer contar logo, e 2, quase tudo que ela for revelar a essas alturas vai ser anticlimático. Quem sabe fazer isso bem é a Liane Moriarty, essa moça não sabe. Foi um livro que eu não larguei na primeira metade, mas só li a segunda por desencargo (e porque a tal revelação só apareceu aos 80% do livro).




sábado, 13 de agosto de 2016

A Letícia lê - quinzena de agosto

E aí que essa quinzena passou voando, principalmente porque estou trabalhando enlouquecidamente. Li uns livrinhos tontos, porque meu cérebro só dava conta disso, comecei muito timidamente Harry Potter, dividida entre querer reler todos eles e ler logo esse último antes de saber tudo pelos outros, e li Dostoievski, O idiota.
Esse idiota do título é o príncipe Mishkin (você vai achar uma grafia diferente a cada edição), e a origem desse nome vem desde Aristoteles ao fato de que ironicamente o idiota é o sujeito que não tem lugar na sociedade, basicamente porque ele foi escrito para ser uma mistura "de Cristo e Quixote". Isso quer dizer que ele é compassivo, ingênuo, honesto, com o coração sempre aberto e exposto, sabe? e, como nos idos de 1800, se apaixonou pelos olhos num retrato, veio de um sanatório onde estava por epilepsia, conta pra todo mundo como a beleza do mundo o fascina... ou seja, um indivíduo sem "capa"social, no sentido de vida em sociedade como a conhecemos na vida vazia.
Isso dito, há momentos nos quais você só acha que ele é... idiota. Desculpe, mas sim, há gente que não merece sua ingenuidade, sua compaixão, e isso não quer dizer que merece o oposto, e sim que não merece seu tempo, só que você siga adiante. E também há momentos demais nos quais os outros parecem ser retumbantes... idiotas. Literalmente batendo os pés e se batendo, como Gavrila e Rogojin. É algo que nos causa vergonha alheia, o fato de que o tempo todo há alguém "enrubescido", "querendo aniquilar o outro", "irado ao extremo", "incontroladamente enraivecido". Assim, estamos no jardim da infância?
Isso inclui todos os personagens principais, pra mim: do general ao príncipe, de Rogojin à Nastassja, de Gavrila à Totski, tenho um pouco de vontade de eu mesma dar um gritinho de "ah gente, vai lavar uma louça", mas aí me lembro da mãe do tuberculoso que teve seus móveis penhorados pelo general (esqueci o nome dela) e percebo que nem tendo louça pra lavar esse povo tomava jeito.
Claro, lá pelo meio com um romancezinho incipiente a narrativa ganha um fôlego porque o interesse humano é pelas emoções mundanas né. Mas vai e volta e vai e volta, e Jane Austen faz isso tão melhor. Desculpa, não deu. Mesmo com o final novelesco e mais agitado que metade do livro.
Não entendo se historicamente o comportamento do público era assim ou ele quis dar uma caricatura, (na verdade entendo sim, claro que era essa a intenção, assim como o título do livro, uma sutil ironia) mas era desconcertante, deprimente e, da perspectiva literária, desculpe, irritante, por conta da repetição das mesmas atitudes - a mensagem é clara e poderia ter sido passada em metade das páginas, porque claramente as pessoas permanecem... adivinha... idiotas. (e não aristotelicamente falando aqui).

Bom, é muito possível que a idiota seja eu e eu não tenha preparo espiritual para ler esse livro. Mas ao contrário de outros clássicos, que me dão camadas novas a cada vez que eu leio ou a cada capítulo, eu achei que esse me parecia uma repetição eterna do mesmo tema. Vou ter que reler Dom Casmurro, ou Crime e castigo, ou um desses que me foram queridos, para tirar esse ranço. Alguém que gostou do Idiota compartilha comigo o que eu perdi?

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Leticia lê - julho terminando

E na segunda quinzena de julho:

eu li A elegância do ouriço, da Muriel Barbery - me recomendaram e emprestaram. Acho que eu jã tinha ouvido falar dele, mas não me lembrava. A narrativa me lembrou Marguerite Yourcenar, sabe, da História de Adriano? elegante e clássica. Basicamente, conta a história de uma concierge (vamos lá, é zeladora) que se finge de inculta quando na verdade ama coisas que os ocupantes do prédio considerariam muito sofisticadas para sua profissão (como Tolstoi e Brahms), e de uma das moradoras, uma adolescente suicida. A coisa vai crescendo de você gostar, e quando você vê, está envolvida com a vizinha simpática, os moradores do prédio, o possível romance - a única coisa que não me atraiu foi a adolescente chatinha e esnobe, tão inteligente que não consegue se achar no mundo. Ah vá. Mas, sem querer ser desagradável, eu não estava preparada para o desfecho.

O centauro no jardim, Moacyr Scliar - um autor por quem sempre tive curiosidade, e aí nas #andanças do mês, fomos ao Parque do Povo e lá peguei o livro. É realismo mágico, então não é pra todo mundo. Mas eu simpatizei com o centauro e estava super acreditando nele, porque a narrativa das emoções e do entorno são de fato boas. Acho (mas acho mesmo, certeza não tenho não) que é uma metáfora de, além de se sentir diferente, crescer numa comunidade rural e pequena numa família judia nas primeiras décadas do século, como imigrante. E, de novo, achei o final levemente anti climático.

El juego de Ripper, da Isabel Allende - adoro Allende, e esse livro, por ser físico e em espanhol, estava na fila há um tempão. É uma tentativa de mistério criminal dela - aparentemente ela começou escrevendo com o marido, e quase deu em divórcio, mas resolveu continuar sozinha. Gosto muito da Isabel Allende, porque ela tem essas narrativas que parecem alguém te contando uma história ótima enquanto vocês tomam café 'a tarde, sabe? uma voz boa. E esse livro, embora tenha elementos mais crus de assassinato, tem uma pegada meio YA (a filha da personagem principal é quem está tentando desvendar o mistério junto a seu avô). Eu gostei, Não amei, como Cuentos de Eva Luna, mas gostei bastante.

Truly madly guilty, da Liane Moriarty - acho bem injusto que esperei meses por esse livro e ele acabou tão rápido. E acho que essa é uma autora muito, muito consistente - há sempre um capítulo qualquer no qual eu penso "ah, acho que esse vai ser chato", e aí ela me desmente logo, e cria uma reviravolta que eu realmente não esperava, e eu tenho vontade de fazer isso aqui:


Incrível, dona Moriarty. Seu talento permanece. O livro conta a história de duas amigas desde o colégio, Erika e Clementine, embora essa amizade seja também questionada. Em um dado momento, me pareceu MUITO aquele filme que se originou de uma peça, O deus da carnificina. Adorei. Aliás, recomendo o filme também.

e pra agosto, gente? ganhei um certo pacotinho de livros emprestados e comprei o último Harry Potter (estou na verdade querendo reler todos os outros, só pra durar mais), então aparentemente estou na fase livros físicos. Tá interessante, tranquilo e favorável.

sábado, 16 de julho de 2016

A Letícia lê

O que li nessa última quinzena:

Três romancezinhos, dois dos quais bem fofos (Broken heart syndrome, com uma pegada Grey's Anatomy e This is love); e um desses College romances, como diria meu pai "ni que si ni que no". Ou seja, médio.

The wife's tale, da Lori Lansens: eu AMEI a primeira parte. Sabe aqueles livros que te agarram e não te soltam? Sempre me fascina o fato de que não importa a sinopse (mulher obesa mórbida abandonada pelo marido na véspera do aniversário de 25 anos), a contaçao de histórias é que faz toda a diferença. Contudo, achei que lá pelo meio deu uma arrefecida, e não fui louca pelo final. Não odiei, mas acho que alguém que escreveu aquele começo podia ter feito melhor. Vale a dica, contudo: vou ler mais coisas dela.

O que é que ele tem, da Olivia Byington. Eu tinha visto esse livro em alguma rede social, quando a autora (que aliás é mãe do Gregorio Duvivier, do Porta dos Fundos, e ex mulher do Edgar Duvivier, escultor da estátua da Clarice Lispector no Rio) fez uma noite de autógrafos com o João, o filho do título. E aí fui 'a Livraria Cultura antes de ir ao cinema ver Almodovar, e embora houvesse prometido não levar nada, achei a história tão peculiar... o João, primeiro filho da Olivia, tem uma síndrome quase desconhecida, e ela conta um pouco da experiência que foi criá-lo. Não só por ser alguém com necessidades especiais, mas eu não consegui evitar de ficar surpresa com a "sorte" que temos hoje em dia, rodeados por informações,em contraste com a década de 80.


E é isso. Ando bem lenta, porque tenho trabalhado MUITO, e chego bem cansada. Mas tudo muda esse mês: voltei pra natação, o que traz nova energia, né? e estou lendo um livro que parece muito legal, chamado A elegância do ouriço. Alguém já leu?

domingo, 26 de junho de 2016

Sim, a Letícia (ainda) lê!

Eu sei que ando sumida. E esse não será um desses blogs que ficam abandonados. É só que mudei de computador, e não sou tão habilidosa com ele como achava que seria; mudei de emprego, e minha curva de aprendizagem tá puxada, com muitas coisas novas que ocupam toda minha mente; e bom, Game of thrones acaba hoje né gente hahaha...

Mas, só pra contar, também não tenho lido nada tão sensacional que valesse a pena parar tudo e vir aqui compartilhar; aguardando ansiosamente o novo da Lianne Moriarty (Silvia, tá por aí?), e lendo só antes de dormir... essa tem sido a lista:

de maio e junho
O novo da Marian Keyes, que eu amo sempre. É de fato um livro de 'memórias', com crônicas dela escritas para jornais e revistas ou inéditos mas escritos há algum tempo. Gosto desses livros que parece que tem a autora fazendo um skype com a gente, e gosto muito dela.
The bat (o morcego), do Jo Nesbo. Foi com ele que comecei leitura de crimes nórdicos, com o inspetor Harry Hole, e agora foi mais interessante porque de fato sei onde estão as cidades rs... mas o final acabou comigo.
16 livros da Cynthia Sax, o que parece muito, mas 12 eram 'novellas', mais curtos, e 3 parte de uma trilogia igualmente assim. Eu reclamaria que é um absurdo dividi-los assim, pq é obviamente para cobrar mais dinheiro dos tontos que nem eu que embora saibam do final, querem lê-lo, mas de fato gosto dela. É meio um tipo 'erotica with love', pornô romântico rs.
meia dúzia de romances Mills and Boon, ou Avon, ou Harlequin, nem sei. Uns melhor escritos que outros, uns com uma história tão absurda que teria vergonha de contar, que dirá oferecer a uma editora, uns fofinhos. Seguem um certo padrão, né: histórias de amor bem óbvias com fim sempre feliz :P
a continuação de um YA que tinham me dito que era incrível, The Rose and the Dagger (The Wrath and the Dawn, #2); achei médio, gostei mais do primeiro, embora a história (que começou baseada na Sheherazade) seja interessante.
Desonra, do JM Coetzee, que embora muito bem construído (e talvez por isso mesmo), me deixou com uma sensação ruim de aridez e solidão.
The xenophobe's guide to the English, e Mother tongue, do Bill Gryson, dois livros sobre a cultura britânica, sobre o idioma e suas idiossincrasias (adoro, tenho pelo menos uma dezena de livros desse gênero).

The Sin Eater's Daughter (The Sin Eater’s Daughter #1), outro YA que quase gostei mais do que o The rose and the dagger.


Acho que foi isso. Estou muito atrasada na minha meta de leitura desse ano (livro 86), mas ainda não desisti! E vocês, o que tem lido de bom?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Letícia lê - já sabe. Robinson Crusoe, o Sono de 28 anos

Gente, peloamor. Assim, é verdade que foi um mês atribulado. Houve diversas mudanças no trabalho, o que finalmente culminou na minha saída; aí teve a semana-de-se-preparar-para-o-evento-do-adeus, a semana-do-adeus, a semana-pós-adeus. Sim, sou pisciana, essas coisas existem. Enfim - parênteses: foi uma jornada sensacional, só levo coisas boas comigo, estou bem, começo em outro cenário em breve, não há traumas. - Mas, voltando ao Robinson Crusoé: no começo achei que era por conta de tudo isso que estava difícil de ler.
Daniel Defoe tinha mais de 50 anos quando escreveu esse livro. Foi publicado em 1719, como folhetim, e tem o mérito de ter lançado o romance narrativo, porque era centrado em uma autobiografia fictícia contada em tom de história. Aparentemente, não foi sua primeira obra, mas foi graças a ela que ficou famoso. Um outro título dele é Moll Flanders. De qualquer jeito, não houve qualidade que o redimisse sob meus olhos, assim que o jovem alemão (sim, originalmente o nome era Robinson Kreutz whatever, mas como moravam no Reino Unido, não conseguiam falar o nome dele e virou algo como  Crusoé) se mostrou o adolescente mimado que havia enfiado na cabeça que queria ser marinheiro porque sim, e mais tarde viu tudo que lhe aconteceu como prova de que tinha errado ao desafiar as entidades divinas e estava sendo punido. #oi? Ele passa 24 anos na ilha tentando fazer coisas com as próprias mãos, creditando às entidades divinas quando (depois de uns 12) dá certo de plantar coisas e culpando a si mesmo quando todos os barcos nos quais entra afundam, encontra uns canibais, mantém umas trinta casas na ilha (chamadas de 'meu castelo', 'meu esconderijo', 'minha caverna', cada lugar tinha um apelido, era de morrer de rir), a pólvora jamais termina, o rum também não, por sorte dele...
acordado ainda? sorte sua. Eu lutei bastante.
enfim, depois desses cento e dez anos (isso porque ele tinha pouca tinta e  'só escreveu coisas relevantes'), o grupo de canibais que ele sabia que às vezes visitava a ilha traz mais prisioneiros, mas dessa vez ele resolve salvar um pra se tornar escravo dele, porque ele vinha pensando nisso. Sim, é isso aí. Isso, minha gente, é 70% do kindle. Você está morrendo de sede na frente do mar. Chega então o selvagem chamado de Sexta-feira. Sujeito boa gente. Robinson o ensina a não comer os amiguinhos, a louvar Deus como a Bíblia ensina, a plantar e a usar a arma.
E aí subitamente a ilha deve ter entrado no google maps, no waze, os marcianos ouviram os tiros... porque a partir daí é um entra e sai de personagem que você, acostumada a ler só a voz do Robinson Soninho, fica bem confusa. Até porque há várias lutas de espada e mosquete e espingarda e sei lá mais o que, então não se sabe que mocinho ficará até a próxima página.
Então, resumindo: moço mimado, monólogo das suas tentativas de sobrevivência por 24 anos e 70% do livro, aparece personagem secundário, seguido pela porta dos fundos de mais meia dúzia deles nos próximos três anos, que acontecem em tipo três páginas.
Robinson então resolve voltar pra terra dele e ver em que pé está sua vida pregressa.E veja só, parece que sua má sorte só acontece nos barcos, porque fora deles, seus amigos, embora ele tenha sumido por 28 anos, não só guardaram seu dinheiro, como investiram, estão dispostos a reconhece-lo e devolver seu investimento e não lhe dão problema algum. Sua família morreu em sua maioria, e também não o roubou, não discute a herança, nadinha. Ou seja, ele é rico na terra dele.
E o sujeito fica lá? nãaaao! Ele se casa (juro por deus que isso aconteceu em um parágrafo. Não tenho ideia de onde veio a mulher, nem o que ela viu nele, porque eu correria na direção oposta até ele virar um ponto) e quer ficar indo visitar a ilha que ele 'populou'. Megalomania? Falta do que fazer? Insanidade? Todas as anteriores?
Vou dizer o que eu disse no goodreads: Só sei que, se eu fosse pruma ilha deserta, esse seria o último livro que eu levaria.


domingo, 10 de abril de 2016

A Letícia lê

Ao contrário do que a Silvia e a Maria dizem, estou de fato lendo devagar: 20% da minha meta só foi alcançada, com 50 livros lidos - e já estamos em abril. Ando enjoadíssima, burlando minhas próprias regras - como tenho dificuldades imensas de largar o livro começado, dou permissão a mim mesma de fazê-lo só até os primeiros 10% dele, e larguei vários assim. Só que aí, né Brasil, nada vai pra frente. Essa semana diz a lenda que ganho tempo livre (conto depois), quem sabe aí deslancha.

As cerejas, Lygia Fagundes Telles - na verdade, o primeiro conto dela e os três próximos com releituras. Gostei de um deles, do Duílio Leite, mas não gostei dos outros. Claro, é bem árduo competir com um conto da Lygia, mas bem, era a proposta e foi aceita, nénão? #fiquecomaLygia.

Heart Collector, Jacques Vandroux - sobre um serial killer que, adivinha, rouba corações e os come, tentando afastar o espírito da mulher que matou há anos. Essa, por sua vez, 'avisa' um moço aleatório - que acaba não sendo tão aleatório assim - sobre os crimes, de forma paranormal, e ele tenta ajudar a encontrar o assassino. A ideia não era horrível, mas houve uns momentos MUITO forçados. E aliás, se você é um espírito, e consegue me contar seu nome e sua relação comigo, por favor, dê um passo a mais e me conte o endereço de onde está o assassino.

Hannah e suas filhas, Marianne Frederiksson - gosto de histórias familiares, mas a cronologia disso aqui me incomodou. Havia Anna, Hanna, Johanna. Mas claro, na história de uma, outra aparecia. Havia dois Rickard. Havia dois John. Tava faltando nome no dominó dos personagens, minha gente???

O demônio do meio dia, Andrew Solomon - um não ficção sobre depressão. Infelizmente, muita gente que eu conheço sofre, sofreu, tem sofrido de doenças mentais de algum tipo, e esse título sempre cruzava meu caminho. Gostei muito de algumas colocações do autor - meu goodreads tá lotado de citações e trechos do livro - mas outras partes me entediaram, por serem muito particulares, muito específicas ou muito locais: história de alguém, falar sobre os hospitais psiquiátricos da região na qual ele entrevistou pessoas, etc. Ainda assim, por ser um retrato semijornalístico e autobiográfico, vale a leitura.

Tá rolando é nada nem de rain, nem de tea. Só desejando por aqui.


sábado, 26 de março de 2016

A Letícia lê

The word Exchange -


Comecei a ler esse livro por conta de alguma lista de distópicos recomendados. (pareceu remédio agora, né?). Mas gostei muito de quase tudo, e achei a premissa brilhante. Basicamente, a protagonista, Anana, também chamada de Alice, pelo pai, um lexicógrafo que está editando um dos últimos dicionários da língua inglesa a serem publicados, conta de sua relação (torta) com o ex namorado Max, (Hermes King) ligeiramente canalha, o amigo Bart(leby), que na verdade se chama Horace (enfim, não se apegue aos nomes nesse livro), e um vírus, chamado de 'gripe verbal', que causa afasia e outros sintomas e aparentemente começou a ser transmitido pelos 'Memes' - que são uma versão muito melhorada do nosso smartphone - mas não tão longe da realidade, o que é ligeiramente assustador.
Tá confuso porque eu provavelmente não consigo selecionar os fatos importantes dos que achei só muito interessantes, tá? prometo que é muito legal. O que acontece é que as pessoas em um dado momento começaram a mandar textos com muita frequência e ler muito pouco, muito menos em papel, o que basicamente faz com que elas não 'reconheçam' mais palavras um pouco mais complexas. Começou com palavras de fato pouco usuais, mas hoje em dia as pessoas checam até palavras como 'apodrecido', porque estão semi analfabetas. (qualquer semelhança não é mera coincidência...) e o 'Meme' dá o significado. Mas aí... o pai lexicógrafo desaparece, e ela precisa tomar a frente da história, busca-lo, descobrir as dicas que ele deixou e lidar com tudo que está acontecendo.
então, milhões de coisas se sucedem, mas acho que seria contar spoiler se eu dissesse quais são, e lembra, ao contrário de 99% dos seres humanos, eu não ligo pra eles, então pra mim eles são quase naturais :P
o que eu NÃO gostei do livro:
de fato em um certo momento eu tive dificuldade de 'ler pelo contexto'.
as notas de rodapé realmente não funcionam no kindle. Bem irritante.
Anana é bem banana, pun intended. E ligeiramente lerda, pra quem tem 27 anos.

Mas achei a ideia brilhante e essencialmente bem executada. E quando meu celular quebrou essa semana, fiz questão absoluta de deixa-lo no conserto o dia todo pra provar pra mim mesma quem manda nessa relação...

domingo, 20 de março de 2016

A Letícia lê - ainda beeem devagar

Eu só li dois livros inteiros nessa semana. Em minha defesa, é porque finalmente começamos a planejar as férias.
Bom, na verdade as férias acontecerão em dois meses e meio, mas quem me conhece sabe que na minha cabeça elas só tomam forma quando tá tudo num calendário, com pastinha, guias numa pilha e só a diversão de pensar em como será que fala por favor na língua x. Então, essa é a parte doce e amarga. Contarei quando estiver pronta, falta um pedaço de hospedagem que está me tirando do sério.

Enfim, voltando aos livros: li Observatório de sinais, do Dario Caldas. Ele é da consultoria homônima, e do curso idem (eles realmente gostam desse nome), e parecia tudo muito legal. Aí fui ler o livro, e pra falar a verdade gostei muito pouco. Achei meio escrito com cara de tese de mestrado no primeiro rascunho, com frases meio durinhas, sabe? (quem sou eu, que fugi do mestrado sem olhar pra trás. Mas me senti assim, me processe). E achei que se falaria de tendências de tudo, e me via toda hora lendo sobre moda. E não a parte legal de moda, de menininha, ou do Diabo veste Prada :P. Mas a histórica e chatinha. Notou que eu não amei? Foram só duas estrelinhas no goodreads, que foi pro instagram As pequenas e grandes alegrias :)





Aí fui ler A letra escarlate, do Nathaniel Hawthorne. Pensando, aí não tem erro, né? Um´clássico é um clássico. O Hawthorne achou que ia arrasar com esse aí, aliás. Gente, não deu. Achei todos os personagens caricatos, achei A Grande Revelação uma coisa de novela mexicana, óbvia e tonta, achei as coisas sem explicação, achei os sentimentos esquisitos, e se ele falasse mais uma vez que a menina fada tinha um sorriso quase demoníaco talvez eu atirasse o livro em algum lugar.

Aí voltei pro Airbnb.


terça-feira, 8 de março de 2016

A Letícia lê, preguiçosamente, e aparentemente, de mau humor.

Li quatro Harlequins essa semana e três YAs. Vou falar desses últimos:

Li Garota online, da Zoe Sugg. Ouvi falar várias vezes desse livro, e a protagonista é uma adolescente que fica com ataques de pânico após um acidente de carro e decide falar deles no seu blog. Fofo, né? Aí viaja com os pais pra Nova Iorque e conhece um sujeito muito simpático. Não posso falar mais do que isso porque vira spoiler, mas é uma mistura de diversos filmes de comédia romântica adolescente sessão da tarde que você já assistiu. Há momentos nos quais a narrativa é completamente 13 anos, mas acho que isso é um ponto para a autora, né? Não é fácil ter a voz de adolescente de verdade a não ser que você seja uma. Então, a conclusão é: se você quer ler uma mocinha simpática e ingênua (tipo, até demais) com final feliz, vai fundo: esse é o livro.

Garota Online - Livros na Amazon.com.br:



Li As confissões das irmãs Sullivan, Natalie Standiford. O centro da história é tão sem noção que já me deu um pouco de urticária - herdeiras atuais que precisam escrever 'uma carta confissão' para a avó, sob o risco de perder a herança da família, já que ela está muito desapontada com 'alguém'. O fim então, você fica até roxa de embaraço com o que foi feito dessa desculpa. Mas a primeira carta, que devia ser de fato o livro, é simpática, e se você esquecer o começo e o fim do livro e se concentrar nela, bom, aí ele pode valer a pena.

Li A espada de vidro, da Victoria Aveyard, a sequência de A rainha vermelha. Então, lembra que expectativas são uma droga? pois é. O livro tem uma prerrogativa interessante, com uma história sobre poderes, e sangue vermelho e prateado, e o fato de que a protagonista, Mareena Barrow, supostamente não deveria ter poderes com o sangue que tem. O primeiro livro terminou de modo peculiar, mas com uma virada curiosamente boa. Mas esse segundo volume cansou a beleza que eu não tenho, de verdade. Muita luta, muita gente perseguindo todo mundo. Dona Victoria, vou te contar que eu tava mesmo era querendo saber da Mare/Cal/Maven. Acho que o equilíbrio ficou um pouquinho pro lado de lá. Ou seja, a parte de ação, e o fato da Mare se tornar quase um soldado (há um momento no qual o próprio Cal menciona que ela está se tornando fria e implacável) tem toda uma explicação, mas de verdade, não deixa de ser algo que talvez precisasse ter sido suavizado, melhor desenvolvido ou simplesmente, bem, balanceado.
Leitura em Contexto: Divulgada capa A Espada de Vidro, continuação de A Rainha Vermelha- Victoria Aveyard:

Ou seja, não houve nenhum que eu tenha de fato AMADO. É engraçado que percebo como eu tenho ficado cada vez mais crítica chata  a respeito do que leio. Vejo, especialmente no instagram (sabe que agora temos um? chama As pequenas e grandes alegrias), as pessoas falando maravilhas de todos esses livros, com muitos pontos de exclamação, sabe? tipo, geeeente!!! ameeeei esse livrooo <3
e fico pensando que pode ser, claro, algo isolado, mas de modo geral, independente do gosto de cada um, há sinopses que são enganosas, personagens mal desenvolvidos, histórias que desandam... e é um desserviço pra quem faz tudo isso bem gostar 'de tudo'. prontofalei.

No goodreads, estou aqui.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

A Letícia lê - em ritmo de aniversário

Pois aí eu li um livro que não sabia que existia... desculpe minha ignorância, mas eu realmente esbarrei nele quase sem querer. Baixei gratuitamente no kindle, descobri que foi escrito em 1794, uma década e meia antes de Razão e sensibilidade, e não sei a razão de ele ser tão distinto em termos da heroína, mas foi muito curioso lê-lo: se chama Lady Susan, e é de ninguém menos que Miss Austen.
A questão é que a protagonista, Lady Susan, que dá nome ao livro, é uma heroína muito da sem vergonha; uma viúva que é alguém surpreendente de se ter saído da 'pena' da jovem Jane Austen. Só quer se casar com quem lhe der mais vantagem, busca pretendentes ricos, mesmo que mais jovens, praticamente tranca a filha adolescente no sótão para que isso aconteça, tem um romance com um homem casado, é tipo vilã de novela. O romance todo, curtinho, é narrado através de cartas, ora das mulheres no entorno (a filha dela, a cunhada, uma amiga) ora dela. Foi superinteressante ler isso. Não é romântico, mas não deixou nem um pouco de ser interessante.

A outra coisa que eu li nessa última semana foi Curvas perigosas, o segundo volume de quadrinhos da Maitena, que eu adoro. Ganhei de aniversário, e é uma dessas coisas que recomendo que você leia, compre, dê de presente: diversão garantida para mulheres adultas a partir dos 20 anos de idade. a gente se identifica de cara. Delicioso.

E agora, estou escolhendo dentre opções diversas quem será meu novo horizonte literário da semana. Foi um mês difícil, mas acho que é preciso olhar pra frente e desejar, né?


domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Letícia lê (só não digita)

Oiii!
Gente, agradeçam ao seus polegares opostos todos os dias: são realmente um sinal evolutivo, e fazem diferença na sua vida... foi bem difícil estar sem o uso do meu (direito) no último mês. Tentem abrir shampoo, cortar carne, dirigir, se vestir... e o mundo realmente não está muito pronto pra quem está sem acessibilidade. Contatei até uma ong que acolhe quem perdeu os movimentos na idade adulta, pra saber como ajudar. Quando responderem, divido aqui. Afinal, nada é por acaso, né?
Então, agora, com o poder da escrita restaurado...

(imagem da Stokpic)

Cá estou. Não li muito, por conta do mau humor, em sua maioria, rs. Mas do que eu li:

O príncipe, Nicolau Maquiavel - eu já tinha lido em inglês há muito tempo, mas reli a edição da Companhia das letras recentemente, para uma tarefa do trabalho. É ligeiramente assustador como faz sentido. Maquiavel é um fiorentino de 1469 que chegou a ser muito relevante na sua época, chanceler, acompanhou a vida política de perto, fez parte de movimentos grandes; e aí, quando os Médici subiram ao poder, perdeu tudo, foi torturado e preso, e passou uma década escrevendo e mais ou menos buscando redenção. Esse livro foi dedicado ao neto de Lourenço de Medici e tem a intenção de ser um tratado completamente analítico e realista (ele menciona em algum momento que quer ser útil, e portanto, dirá a verdade efetiva) e destrincha as ações de diversos líderes da época e o que fizeram certo e errado, a fim de orientar futuros soberanos. Claro, há momentos cínicos - 'os homens são ingratos e volúveis' - mas há basicamente muita, muita verdade. Foi uma leitura interessante.
Li alguns Harlequins, três em inglês e um em espanhol (confesso que é ligeiramente curioso, parece-me novela mexicana, por falta do hábito), que foram razoáveis, e li o último da J Ward, que foi uma grande decepção. (a da Irmandade Negra).
Li um livro que parecia super fofo,chamado Out of sorts, de uma francesa: a história de um velho que começa em busca de sua cadela, a única criatura que ama, se relaciona com os vizinhos mal, é cativado por uma menina... enfim, tinha uma sinopse meiga, mas a execução foi sofrível, na minha opinião, e ele acabou raso, sem se conectar com o leitor, não crível. Uma pena.
Li a autobiografia Dado: memórias de um legionário, e de novo me arrependi de fazer isso com gente que eu gosto. Costumo ler biografias de pessoas que não conheço ou conheço pouco, portanto tudo será interessante, novo e imparcial. Mas Legião era algo que eu amava muito, e não pude deixar de me sentir vagamente ofendida pela narrativa que me pareceu cheia de uma superioridade sem motivo (o Bonfá é citado duas vezes; o Negrete, um irresponsável, lá no final vira um 'não, claro que ele fez diferença; só era meio drogado, né gente, não era culpa dele'; o Renato, uma prima dona insuportável). A impressão era que o Dado basicamente era o superego da banda, que não iria pra frente sem ele, e que ele não tinha conexão emocional com eles - o que me doi como fã. Pode perfeitamente ser tudo verdade - a gente sabe bem que o próprio Renato, como quase todos os letristas meio geniais, era realmente meio maluco - mas achei escrito com muita defesa e pouco sentimento.
Li A menina da neve, que aparentemente está fazendo sucesso agora. É baseado num conto antigo, e é bem interessante. Não mudou minha vida, veja bem. Mas a história do casal de meia idade que não pode ter filhos e vive meio isolado e um dia recebe uma menininha de gelo é cativante. Do meio pro fim, me irritou um pouco, contudo. Não sei se era a história ou eu.
Li Os últimos preparativos, da Maggie Shipstead, e embora a sinopse em si seja meio tola (um casal que casa a filha mais velha e grávida, os desejos dos pais), a narrativa é ótima, densa, me soou muito como Lionel Shriver, que eu amo.
Li Os impostores, da Chris Pavone, que não fica devendo nada pros Identidade Bourne da vida. Gostei bastante.