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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A Letícia lê - primeira quinzena de dezembro

Oi!
vamos lá...
nunca tinha lido Martha Medeiros, e várias pessoas já me recomendaram, especialmente depois que eu disse que sou apaixonada pela Ruth Manus. Aí minha amiga foi à feira da USP e encontrou diversos títulos com 50% de desconto e eu joguei pela janela as decisões de não comprar mais livros físicos...
já li Um lugar na janela, que comprei para minha irmã, porque ela queria um livro leve e gostoso para a viagem de fim de ano e ele tem crônicas sobre lugares que a autora visitou. Aí li Doidas e santas, e gostei muito mais do que achava que gostaria. São crônicas que ela publicou entre 2006 e 2008, sobre diversos temas do cotidiano. Uma delas eu de fato quis enviar a uma amiga, e várias tiveram essa ressonância de realidade, mesmo sendo de uma década atrás.
Li três livros supostamente autobiográficos, mais ou menos na mesma linha: A garota com tribal nas costas, da Amy Schumer, uma comediante, (foi eleito no goodreads como melhor de sua categoria), Yes please, da Amy Poehler, que conta muita história do Saturday night live, e I'm not that kind of girl, da Lena Dunham, que escreveu Girls, o seriado. Não gostei de nenhum.
Li outro vencedor do goodreads (acho que de autor novo) chamado Behind closed doors, e achei razoável: é uma história sobre um desses maridos do Dormindo com o inimigo, lembra desse filme? e achei o fim bom, mas meio mal escrito. Não achei o trailer dublado, mas acho que várias pessoas devem se lembrar, tá aqui:

Li A livraria dos finais felizes, de uma autora sueca, e comprei outro para dar a uma amiga querida, porque é encantador e amo livros que falam de livrarias...
Li The curious charms of Arthur Pepper, sobre um velhinho que vai atrás dos badulaques de pulseira da mulher que morreu, e é muito gracioso, embora tenha me lembrado outro livro que li e amei sobre um velhinho. Claro que não me lembro o nome nesse momento, volto aqui se lembrar.
Li Listas extraordinárias, primo do Cartas extraordinárias que a Tati me deu e eu amei. Que livro fofo! Tem 125 listas, de todo tipo: de promessas de ano novo da Marilyn Monroe a coisas que o Einstein pediu à mulher antes de se separarem. Adorei.
Como sempre, li vários romancezinhos e um chick lit (Love on a plate), mas nenhum muito digno de menção honrosa.

E estou em busca da meta, gente! Faltam 49 livros, tenho 22 dias. Putz, colocando assim parece meio difícil... mas sou brasileira, né? Vambora!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Letícia lê (só não digita)

Oiii!
Gente, agradeçam ao seus polegares opostos todos os dias: são realmente um sinal evolutivo, e fazem diferença na sua vida... foi bem difícil estar sem o uso do meu (direito) no último mês. Tentem abrir shampoo, cortar carne, dirigir, se vestir... e o mundo realmente não está muito pronto pra quem está sem acessibilidade. Contatei até uma ong que acolhe quem perdeu os movimentos na idade adulta, pra saber como ajudar. Quando responderem, divido aqui. Afinal, nada é por acaso, né?
Então, agora, com o poder da escrita restaurado...

(imagem da Stokpic)

Cá estou. Não li muito, por conta do mau humor, em sua maioria, rs. Mas do que eu li:

O príncipe, Nicolau Maquiavel - eu já tinha lido em inglês há muito tempo, mas reli a edição da Companhia das letras recentemente, para uma tarefa do trabalho. É ligeiramente assustador como faz sentido. Maquiavel é um fiorentino de 1469 que chegou a ser muito relevante na sua época, chanceler, acompanhou a vida política de perto, fez parte de movimentos grandes; e aí, quando os Médici subiram ao poder, perdeu tudo, foi torturado e preso, e passou uma década escrevendo e mais ou menos buscando redenção. Esse livro foi dedicado ao neto de Lourenço de Medici e tem a intenção de ser um tratado completamente analítico e realista (ele menciona em algum momento que quer ser útil, e portanto, dirá a verdade efetiva) e destrincha as ações de diversos líderes da época e o que fizeram certo e errado, a fim de orientar futuros soberanos. Claro, há momentos cínicos - 'os homens são ingratos e volúveis' - mas há basicamente muita, muita verdade. Foi uma leitura interessante.
Li alguns Harlequins, três em inglês e um em espanhol (confesso que é ligeiramente curioso, parece-me novela mexicana, por falta do hábito), que foram razoáveis, e li o último da J Ward, que foi uma grande decepção. (a da Irmandade Negra).
Li um livro que parecia super fofo,chamado Out of sorts, de uma francesa: a história de um velho que começa em busca de sua cadela, a única criatura que ama, se relaciona com os vizinhos mal, é cativado por uma menina... enfim, tinha uma sinopse meiga, mas a execução foi sofrível, na minha opinião, e ele acabou raso, sem se conectar com o leitor, não crível. Uma pena.
Li a autobiografia Dado: memórias de um legionário, e de novo me arrependi de fazer isso com gente que eu gosto. Costumo ler biografias de pessoas que não conheço ou conheço pouco, portanto tudo será interessante, novo e imparcial. Mas Legião era algo que eu amava muito, e não pude deixar de me sentir vagamente ofendida pela narrativa que me pareceu cheia de uma superioridade sem motivo (o Bonfá é citado duas vezes; o Negrete, um irresponsável, lá no final vira um 'não, claro que ele fez diferença; só era meio drogado, né gente, não era culpa dele'; o Renato, uma prima dona insuportável). A impressão era que o Dado basicamente era o superego da banda, que não iria pra frente sem ele, e que ele não tinha conexão emocional com eles - o que me doi como fã. Pode perfeitamente ser tudo verdade - a gente sabe bem que o próprio Renato, como quase todos os letristas meio geniais, era realmente meio maluco - mas achei escrito com muita defesa e pouco sentimento.
Li A menina da neve, que aparentemente está fazendo sucesso agora. É baseado num conto antigo, e é bem interessante. Não mudou minha vida, veja bem. Mas a história do casal de meia idade que não pode ter filhos e vive meio isolado e um dia recebe uma menininha de gelo é cativante. Do meio pro fim, me irritou um pouco, contudo. Não sei se era a história ou eu.
Li Os últimos preparativos, da Maggie Shipstead, e embora a sinopse em si seja meio tola (um casal que casa a filha mais velha e grávida, os desejos dos pais), a narrativa é ótima, densa, me soou muito como Lionel Shriver, que eu amo.
Li Os impostores, da Chris Pavone, que não fica devendo nada pros Identidade Bourne da vida. Gostei bastante.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Letícia lê

Oie!

E aí na última quinzena (gosto dessa medida de tempo, que os ingleses usam com tanta naturalidade como fortnight...), eu li:

(lista do Goodreads aqui)

  • Reli o clássico Ratos e homens, do prolífico californiano John Steinbeck. Eu detesto descrição, e esse é um sujeito que faz isso muito bem. Você consegue 'ver' Lennie, e George, e Crooks, e Candy, e o cachorro, e o batom da mulher de Curley. Também não gosto dos regionalismos, mas eles fazem sentido na linguagem expressa por esses personagens. George e Lennie, que eu releio de cinco em cinco anos, sempre tem coisas pra me dizer. Nunca vou deixar de me sentir com o coração apertado pelos dois, e não só no fim, mas desde o começo. Acho esse livro realmente incrível.
dmbrdy
  • oito Harlequins que não valem muita menção;
  • Grey, da EL James, que foi uma grande decepção. Na verdade, não é que eu esperava grande coisa, mas adoro um heroi torturado, então pelo menos isso eu achava que seria uma novidade. Mas a quantidade de cenas repetitivas é ridícula, e o livro é completamente centrado no primeiro volume, o Cinquenta tons de cinza, nem entra nos outros. Ou seja, desperdício de tempo, que afinal é a única coisa importante da vida.
  • Dois chick lits bem fofinhos: Living dangerously, da Katie Fforde, e Millie's fling, da Jill Mansell. Não me lembro das traduções pro português, mas são autoras que valem pra quem busca esse gênero meio Bridget Jones, delicinha de ler com um vinho ao lado.
  • um contemporâneo chamado Difamação, da Renee Knight. Não sabia o que esperar desse livro, que é basicamente uma surpresa do começo ao fim. Dá a entender que a protagonista, Catherine, recebe um livro que conta sua própria história, que nao revelou a ninguém. Mas esse é só o começo... acho que vale a recomendação pra você descobrir por si só se vai curtir
  • Outro contemporâneo, embora de época (parece dicotômico, eu sei: mas é que foi escrito nessa década, contando sobre a guerra, e não gosto do nome romance de guerra): Uma praça em Antuérpia, de Luise Valente. Meu chefe me recomendou, e ele lê muito não ficção, então fiquei duplamente curiosa. Valeu cada minuto da história dessas gêmeas, numa trajetória linda, emocionante, cheia de reviravoltas.
  • Um YA, Para todos os garotos que já amei, da Jenny Han. Uma mistura de Dez coisas que eu odeio em você + Mulherzinhas versão oriental. Não tenho certeza de ter gostado, nem de não ter. Foi ok. 
  • A antologia de frases venenosas chamada Mau humor, do Ruy Castro. 


sábado, 2 de janeiro de 2016

A Letícia lê: na última/primeira semana do ano...

Eu li, aproveitando a folga das festas:

Cinco volumes da coleção Guardians, da Lola St Vil. Na verdade, me foi recomendado por algum site como algo YA interessante, e teve seus momentos. Mas começou a entrar em looping (heroína tonta brigando o tempo todo com herói anjo porque ele quer protege-la - embora ela não faça nada a respeito, tal como aprender alguma porcaria de técnica de autodefesa, hello!; ex namorada do herói aparentemente eterna sedutora - todo mundo que não se apaixonou pela heroína se apaixonou por ela; o herói mencionado anteriormente o tempo todo sendo 'o único que pode salvar o mundo, se matando/matando alguém importante/assassinando o melhor amigo/ e assim vai.), e eu finalmente desisti de completar a coleção. AFe.
Percatempos, do Duvivier - é mais um livrinho de ilustrações com piadinhas, e megafofo. Ri alto com algumas das coisas, como o mapa do Brasil dividido por como as pessoas falam certas coisas - mexerica ou nossa!, por exemplo.
Li três outros romances não muito dignos de nota, estão no meu goodreads.

Esse ano, já li:
Escuridão total sem estrelas, do Stephen King. Quatro histórias; a primeira, razoável. A segunda, muito boa. A terceira e a quarta, dignas dele no seu melhor.
Amor ao pé da letra, Melissa  Pimentel.  Superfofinho, me fez rir várias vezes, como um bom chick lit deve fazer.
Nora Webster, Colm Toibin. Aparentemente está fazendo sucesso, e nunca havia lido nada dele. Retrata a Irlanda de modo bem interessante, e essa viúva ainda mais: passei metade do livro tentando decifrá-la - é uma mera observadora, anestesiada pela dor da perda? é aproveitadora e manipuladora de quem está ao seu redor? é perigosa? não sei nem se é boa mãe até agora. Ou seja, a narrativa foi intensa e peculiar.

Estou no meio de Sagarana e Dupla falta, dois livros bem diferentes. Vamos ver o que eles me reservam.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A Letícia leu! os favoritos de 2015 :)

A contagem regressiva já começou: faltam alguns livros pro meu próprio desafio ser terminado; ano passado, tinha estabelecido 200, e li 228. Cheguei à conclusão de que se lesse uma quantidade regular de quick novels, esses romancinhos Harlequin ou YA, que são rápidos, eu conseguiria me superar: Aí fiquei folgada... meu objetivo de 2015 são 250, e estou apanhando. Um pouco porque decidi reler clássicos, cuja linguagem mais elaborada e rebuscada, especialmente quando em inglês, e alguns foram, me faz demorar mais. Um pouco porque a vida aconteceu (férias, trabalho, momentos nos quais li pouco).

Também notei que sou pão dura pra cinco estrelas: cinco estrelas são os 'livros da vida', e realmente nem todos entram aqui. Quatro são os que me deixaram terminar impressionada, mas tudo tem a ver com expectativa também, né?
A maioria dos livros que eu vou lendo ganham três estrelas, duas se foram ruins e uma se eu acho que não valem o papel no qual foram impressos.
Finalmente, vale dizer que eu coloquei a versão que eu li, portanto em alguns casos está em inglês. Mas a maioria dos títulos existe em português, é só ir buscar no mundo maravilhoso da internet o que 'conversar' com você :)

Enfim, sem mais delongas: até hoje, dez dias antes de terminar o ano (e 15 livros para entrar na lista), esses foram meus favoritos de 2015, os quatro e cinco estrelas:

Os relidos:

  1. Delicacy, do David Foenkinos. Continua acalentando meu coração de mil maneiras. E olha que a capa de filme não me ajuda a ser feliz (geralmente detesto).
  2. Comédias da vida privada, do Luís Fernando Veríssimo. Não importa o tempo que passe, aparentemente: eu continuo rindo alto dos personagens que a essas alturas são meus conhecidos. Amo esse livro.
  3. Ana e Pedro, Ronald Cleaver e Vivina de Assis Viana. Li com o maior medo, porque era realmente da minha adolescência. Sim, ainda amo.
  4. To kill a mockinbird, Harper Lee. O livro mais popular da minha lista, diz o Goodreads. Eu não sabia o que esperar, afinal fazia séculos que o havia lido pela última vez. Mas como disse o Ítalo Calvino, (acho), um clássico é aquele que nunca terminou o que tinha a dizer.
  5. Anexos, da Rainbow Rowell. Embora esse ano eu tenha lido o novo dela e não gostado, acho que os personagens de modo geral são muito queridos - e, claro, esse livro é em forma de e-mails, minha paixão particular.
  6. Um certo capitão Rodrigo, Érico Veríssimo. Eu quero ler a série toda, claro. Mas tinha um certo apego ao capitão Rodrigo, e queria ver se era justificado. Spoiler: era.
  7. Dom Casmurro, Machado de Assis. Um desses clássicos que você acha que sabe a história, como O velho e o mar. Aí você relê e tem muita pena de tantos autores no mundo, porque né, que triste não ter escrito esse livro. Que incrível camada de personagens, que leveza.
  8. The witches, Roald Dahl. Adoro esse escritor, mas há alguns livros dele que na verdade nunca me atraíram (como  A fantástica fábrica de chocolate, incrivelmente). Essas bruxas, contudo, me são muito reais.

Os quatro e cinco estrelas de 2015 lidos pela primeira vez:

  • A série Reboot, da Amy Tintera - acho que hoje em dia, com tanto YA/distopia, não é fácil alguém ser consistentemente interessante numa trilogia, e eu gostei muito dessa série.
  • Champion, Marie Lu. Falando em séries adolescentes que o mundo devia conhecer.
  • Por lugares incríveis Jennifer Niven. O livro mais triste do mundo, acho. Mas tão, tão doce, que você entende que a vida nem sempre é feliz, mas ainda vale a pena ser vivida.
  • Love like crazy, Megan Squires. Eppie é uma dessas adolescentes que você quer levar pra casa e abraçar, e Lincoln... meu coração achou Eleanor e Park de novo.
  • As pequenas grandes mentiras e O segredo do meu marido, Liane Moriarty. Essa australiana é realmente incrível. Li tudo dela, aos poucos, e de um livro pra outro você gosta mais ou menos, seja por causa do envolvimento com os personagens, seja porque está numa vibração diferente - mas não dá pra negar o talento de contadora de histórias dela, e isso é algo que eu sempre admiro imensamente. Esses foram meus favoritos desse ano.
  • Finding Audrey, Sophie Kinsella. Eu amo essa mulher. Mesmo. Não só porque rio alto com a personagem viva que ela criou pra mim há vinte anos, a Becky Bloom, mas porque depois disso, ela não deixa de me surpreender com sua voz e talento (e simpatia, como pude ver esse ano pegando seu autógrafo). Esse livro é um YA, tão fora da realidade dela! e ainda assim, perfeito.
  • Mar da tranquilidade, Katja Millay. A menina gótica e seus segredos? Ah, mas é tão mais do que isso, né? Como a vida. Como os bons escritores. Como aquelas fases que você acha que não vão passar nunca...
  • The handmaid, Margaret Atwood. Um livro curioso, que iniciou a distopia quando ela não era um gênero, dizem. A tradução horrorosa, algo com 'aia' no título, que você acha que foi um erro de impressão, pode te impedir de pegá-lo na mão, mas uma vez que ele vá pro seu colo, é assombro garantido. Delicioso de ler.
  • Diálogos impossíveis, Luis Fernando Veríssimo. Jà falei que esse sujeito sabe ser incrível?
  • De verdade, Sandro Marai. Ao contrário de vários livros, a sinopse é megacomplexa e te dá até uma preguiça. Outro engano delicioso: ele é absolutamente incrível e vale começar, porque você não vai querer parar.
  • The perfect comeback of Caroline Jacobs, Matthew Dicks. E se sua mãe tivesse um chilique na reunião de pais, e resolvesse ir tirar satisfação da amiga de adolescência a 300 km de distância na sequência? Seria um surto? Pois siga Caroline Jacobs :)
  • Fat chance, Nick Spalding. Comecei muito sem querer, acho que era um freebie. A história de um casal que se inscreve num reality show. Mas, como eu sempre digo, a sinopse sempre diz muito pouco sobre o que um escritor bom pode fazer com ela, né?
  • O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe. Vamos ser muito honestas aqui: Se você ler a história sobre o coração fora do corpo e não achar a coisa mais terna e pungente que leu em muito tempo, provavelmente não vai gostar do resto. Mas se isso acontecer, 'agarra nele', como diria minha amiga mineira.
  • Memoirs of an imaginary friend, Matthew Dicks.Como uma pessoa pode escrever um livro contado da perspectiva de um amigo imaginário, e não só não ser ridículo como de fato ser muito real e doce?
  • Put some farofa, Gregorio Duvivier. Uma grata surpresa, eu ri, concordei, quis encaminhar pra amigos... fazia tempo que não tinha reações interativas com esse tipo de livro :)
  • Extraordinario, RJ Palacio. Um desses livros que ficou me rodeando um tempão, e aí um dia me rendi. Auggie mora no meu coração.
  • Em defesa de Jacob, William Landy. Um adolescente acusado de assassinato. O pai é um advogado muito importante na cidade. Antigamente, isso seria Sidney Sheldon, né? mas pode acreditar, você fica passadinho. Bege, como diriam as amigas hoje.
  • The perfect son, Barbara Claypoole. Outra grata surpresa. Existe um casal com um filho de necessidades especiais, e como em muitas famílias, a mulher toma conta de tudo. Aí ela sofre um ataque cardíaco, e o marido tem de se adaptar ao que está acontecendo. Como diria Tolstoi, Todas as famílias felizes são parecidas, mas as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira, né?
  • Sugar, Deirdre Riordan Hall. Lembra daquele Precious, que ganhou o Oscar uns anos atrás? Sugar é uma adolescente maltratada, que sofre bullying, tem uma família horrorosa... mas ainda é um livro que te traz novas perspectivas e esperança, e o que mais você pode querer de um livro?
  • No mundo da Luna, Carina Rissi. Capa bregona, sinopse nada de mais... e não é que é bem adorável?
  • Grayson's Vow, Mia Sheridan, Estava doente de cama e queria um chick lit pra ler - gente, há anos não tenho a agradável surpresa sem surpresas de um bom chick lit. Aí uma amiga me disse que esse não era beeem chick lit, mas valia a leitura. Meio romance, meio erotica, meio humor - e a mistura fica muito boa.
  • Lords of the Underworld, Gena Showalter. Pra não dizer que eu não declarei em voz alta que leio esse tipo de trashy novel. E gosto. 
  • Aos meus amigos, Maria Adelaide Amaral. Eu não conheço outras obras dela, mas essa mistura de Invasões bárbaras (lembra desse filme?)  e realidade me encantou.
  • Sobre a escrita, Stephen King. Outro contador de histórias SENSACIONAL. Ele escreve sobre montes de coisas, do começo da sua vida escrevendo num porão ao atropelamento que sofreu em 99, e você bebe cada página. E ainda fica sabendo como surgiram histórias como Misery, uma das minhas favoritas.
  • Three daughters, Consuelo Saah Baher. História de gerações muito bem contada, a la Vargas Llosa.
  • The word child, Iris Murdoch. Uma das coisas que mais me faz chorar é pensar naquele filme que foi feito sobre o fim da vida da Iris Murdoch, uma escritora prolixa que passou trinta anos lidando com linguagem e um dia se viu perdida entre as palavras. Enfim, eu quase a evito, porque é muito triste... mas esse livro é bem incrível.
  • The translator, Nina Schuyler. Um livro sobre linguagem, de alguns modos. A protagonista é tradutora, sofre um problema de saúde... e tanta, tanta coisa dentro dela e fora muda.
  • Emmi e Leo, Daniel Glattauer. Alemães se escrevendo e-mails por acidente se envolvem à distância. quem disse que não há romance epistolar na Europa Ocidental?
  •  Cormoran Strike (Career of evil)Robert Galbraith, pseudônimo da JK Rowling, continua abalando Bangu. A série vale muito a pena.
Vamos celebrar o fato de que embora sejam menos de 20% de todos os livros lidos esse ano, há livros fantásticos o suficiente aqui pra reler mais de um por mês, e gente, isso é muito maravilhoso, né? 


Seinfeld celebrating gif

sábado, 28 de novembro de 2015

ainda estou aqui! A Leticia some, mas lê :)

gente, vergonha total desse sumiço! até a Maria reapareceu (senti sua falta!) e eu hibernando... I wish. Trabalhando muito, foquei em ler, e nao vim aqui contar o que.

Vambora entao: neste mês, eu li 32 livros. (até agora, porque estou no meio do Toda a luz que não podemos ver, do Doer.

Vários foram aqueles romances de sentar e ler em uma hora (16 deles), alguns foram não ficção (um sobre a sala de aula virtual e um chamado A arte de ler, uma elegia aos livros e como mudam nossa vida cheio de fofura. A need to kill, sobre um serial killer da década de 80), alguns de autores populares tipo J Ward e chick lit (Carina Rissi, que é bem simpática, Sarah Mlynowski, Gemma Townley, Katie Fforde), três YA (Fallen, da Lauren Olivier - ainda não sei se vou ler a série; não foi fascinante - A lista negra, da Jennifer Brown e o da Katja, aí embaixo),  um contemporâneo (Fama, do Daniel Kehlmann) e alguns que merecem contar pra vcs e são variados entre esses gêneros:


  • o mais recente do Robert Galbraith, que é na verdade a JK Rowling, chamado Career of evil, incrível como os anteriores, continua com o Cormoran Strike, o detetive com mais personalidade do mundo.
  • o mais recente da Sophie Kinsella, o oitavo Shopalolic, no qual ela vai "resgatar" o pai em Vegas - já falei que amo essa mulher?
  • O filho de mil homens, do Valter Hugo Mae, que eu não conhecia e cuja primeira historia é sensacional num nível Oscar e Nobel e outras premiações. Gostei tanto que parei de ler ali, deixei que a história fosse mais absorvida e só aí continuei.
  • um livro chamado Mar de tranquilidade, da Katja Millay, que entrou pra lista dos YA mais queridos. Lindo :)
  • o Put some farofa, do Duvivier, que me fez rir alto e acenar diversas vezes em concordância.


e vc, o que fez esse mês?


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Letícia lê - livros lidos nessa semana


Antes tarde do que sempre - Bernaldo Gontijo
Só Deus sabe o que esse livro estava fazendo no meu kindle. Não sei nada sobre ele ou sobre o autor, e pra não gastar meu tempo, resolvi não buscar. O livro soou por bastante tempo (as primeiras 100 páginas, acho) como literatura infantojuvenil (ruim), tanto que comecei a me lembrar desses títulos desse gênero dos quais eu gosto, para reler. Daí a parte 'adulta', de bebida, maconha e sexo começou a ficar mais e mais frequente, então deixou de fazer parte desse gênero. Mas a maturidade emocional do protagonista permaneceu nessa faixa etária, e não do jeito fofo e simpático. Tédio com um T bem grande pra vc.

Go set a watchman - Harper Lee
Puxa vida. Tanto a se dizer aqui. Eu fiquei superansiosa por esse livro, claro, porque gosto bastante do primeiro, e porque a voz da Scout era tão gostosa e agradável.
Então, por partes: as primeiras 150 paginas, mais ou menos, permanecem com reminiscências da Jean Louise, que agora vem visitar o pai, já um pouco velhinho e com artrite reumatóide, morando com a tia Alexandra. Ela tem sentimentos dicotômicos sobre Maycombe: metade de si acha que enquanto NY é livre e interessante, Maycombe é, de fato, o "mundo real". Outra metade acredita que jamais conseguiria viver ali.
Não posso falar muito sem dar spoilers sobre o que mudou na vida dela, então fico por aqui. Também nem acho que importa muito para o cerne da história.
Enfim, em algum momento, ela descobre que o pai está no Conselho da cidade, vai até lá, e ouve todo mundo falando sobre como os negros são seres inferiores; fica absolutamente enfurecida porque o pai está lá sem se revoltar, ou seja, ouvindo tudo aquilo e 'aquiescendo', e tem um ataque adolescente. Claro que a gente entende a dificuldade de ver os pais envelhecerem. Eu me identifiquei muito com essa frase: She always thought of him as hovering somewhere in his middle fifties - she could not remember him being any younger, and he seemed to grow no older. Mais ou menos: Ela sempre pensou nele como pairando em algum lugar dos cinquenta e poucos anos - ela não se lembrava dele ser mais jovem que isso, e ele não parecia envelhecer mais do que essa idade. É assim que eu penso no meu pai, e ele já tem 79. Mas eu procuro evitar fingir ter 12 anos. Tipo, sai pisando duro, faz a mala, xinga a tia. Se você não sabe que ela tem 26 anos, jura por Deus que ela tem 16. Electra, a equivalente ao complexo de Édipo, vive, né...
Não vou entrar no mérito do preconceito. É um tema sem dúvida muito complexo, e profundamente interessante, do ponto de vista histórico e humano. E, claro, tenho opiniões. Acima de tudo, tenho crenças e valores. E, como a Scout (e como Atticus), sou regida por eles.
Então, vou focar na minha opinião sobre O LIVRO: entendo perfeitamente o editor (muito esperto) que disse pra Ms. Lee tantos anos atrás: olha, legal e tal, mas acho que se você aumentar esse ângulo aqui e falar mais sobre a infância da Scout, isso aqui tem grandes chances. Esse volume, do jeito que está, tem partes legais, do tipo 'quero saber mais', e outras 'ah, eu fico desse lado'. Que tal? E entendo a Ms. Lee que foi esperta o suficiente para acatar o conselho e escrever um livro tão interessante como O sol é para todos, que afinal virou um ícone.
Porque, em termos de livro, esse é, perdoe meu francês, simplesmente mais chato que o outro. É tipo, substitua a parte nobre (igualdade e justiça sendo a razão do chilique) e o chilique da Scout é intragável. Ela, em muitos jeitos, é só bastante mimada, do jeito dela. E a gente gostava MUITO da Scout, né. Ela era a criança mais esperta, mais interessante, mais rica de emoções. Isso aqui fica decepcionante.
Você pode até dizer que afinal, essa parte nobre é o cerne da história, do livro, do sucesso. Mas aí, minha gente, se é... então foi mal trabalhado. Porque nem aparece por 150 páginas, aparece como razão do chilique, e some de novo, deixa eu contar. Sou mais fã do Uncle Jack, pra falar a verdade, mas não há um grand finale tão lindo como o episódio do livro anterior, então aí a gente fica com outro problema, né...
Enfim. No goodreads, isso aqui virou três estrelas. Duas delas foram ganhas na história da Scout achando que estava grávida aos 11 anos. Impagável. Vou dizer que valeria ler o livro só por isso. Me processe.

Atticus Finch. "You never really understand a person until you consider things from his point of view." To Kill a Mocking Bird. #MauraDawg
Você nunca entende realmente uma pessoa até que você considere as coisas sob o ponto de vista deles. (Atticus Finch, O sol é para todos)


The tennis party - Madeleine Wickham
Basicamente, o sujeito é um vendedor de investimentos, casado e com uma filha, de quem tem muito orgulho, e decide dar uma festa, em torno da quadra de tênis (festa de ricos, né, minha gente), com mais seis pessoas: um cliente viúvo e sua filha, um casal de amigos ricos para quem quer fazer uma venda e um casal de amigos pobres-acadêmicos.
A história é construída de um modo que, embora eu não saiba explicar a razão, soa como uma peça teatral. Quase consigo ver as entradas e saídas de cena. É densa, e forte, e profunda. E eu tenho de dizer que talvez, se a capa não houvesse sido feita em tons de azul e rosa bebê e com o nome da Madeleine (Sophie Kinsella), eu talvez houvesse gostado mais; expectativa é uma droga, né. Como, por causa desses fatos, eu esperava algo leve e fofinho, não gostei tanto. Como quando a gente vê a Jennifer Anniston, de Friends, fazendo um filme dramático, sabe? Até você se acostumar, perdeu metade da história.
Enfim, você, que já sabe sobre o que é a história, fique sabendo que é bem escrita, bem desenvolvida e interessante. Talvez goste mais do que eu.

The one that got away - Simon Wood
misteriozinho, acho que peguei de graça. Um serial killer que resolve ir atrás da única vítima que escapou, Zoe Sutton, e a perspectiva dela, cheia de culpa porque ela deixou a amiga para trás quando fugiu dele, mais de um ano atrás. Melhor do que a média, o que não anda querendo dizer muito.

Cadê você, Bernadette?, Where'd you go, Bernadette - Maria Semple


Que decepção! eu queria tanto ter gostado desse livro. Pra começo de conversa, é um desses que eu 'namorava' há um tempão. Depois, tem essa capa fofinha. Finalmente, é epistolar! tudo pra dar certo. #sqn. Um bando de personagens chatíssimos, sem noção, que não se conversam, (literal e figurativamente), pontos de vista se alternando entre eles sem conexão... puxa, detestei. Leia por conta e risco.

The viking, Marti Talbott - Marido está viciado em tudoviking. Séries, filmes, toy figures. ou seja, assisti à série (yummy), vi o filme A saga viking (meh), e aí fui ler esse livrinho. Só que, depois de tanta machadada e lutas por honra e terras na telinha, esse livro é um menino que sobrevive a uma invasão viking que deu errado na Escócia, e ele é tipo fofo, sabe... quase uma história de amor, o que é estranho. Bom, não estranho. Mas, em algum momento, a gente pensa, tá, por que então chamá-lo de viking? podia ser um náufrago, um órfão, um primo da pessoa... porque olha, de viking ele não tá tendo nada não, viu...

You, CAroline Kepnes - Esse livro foi eleito (por alguém, já me esqueci) o melhor suspense lançado em 2014. Fiquei curiosa, me processe. Fui ler. O moço trabalha numa livraria, flerta com a cliente, pega os dados dela no cartão de crédito, joga no google/facebook/twitter, e em dez minutos está na porta da casa dela vigiando. Arrepiou? Credo, né?
Só que é essa a extensão do livro. A gente arrepia de nojo e aversão desse tipo de atuação, e quando ele começa a soar ainda mais maluco e perseguidor e 'esbarrar' nela e vigiar as amigas e monitorar os e-mails e afins, acho que se fosse um filme e fosse bem feito, podia ser bem legal. No livro, não achei que a autora conseguiu. O sujeito é claramente um psicopata, mas ele só é assustador porque é tão 'preto e branco', sabe? ele realmente acha que a ama, e tudo que faz é pensando nisso, bem obcecado. Mas além de eu pensar, bom, vou checar minhas configurações de privacidade na mídia social e rezar pra não cruzar com gente maluca, semana que vem já esqueci do livro.

#Falsiane, Lucy Skyes - Gente, esse título é tudo, né? Pena que não foi tão bem desenvolvido assim, porque podia. A história é: editora de moda chique, linda, clássica, respeitada, tirou 6 meses de licença, pra tratar um câncer de mama. Quando volta, a ex assistente, periguete (a Falsiane), vendeu a ideia de transformar sua revista em uma publicação só digital, e está quase no seu lugar. Ótimo, né? E seria, eu acho, com uma única mudança: não deixar a Imogen (a editora) parecer uma completa imbecil, que ficou numa caverna por 25 anos, e não por 6 meses, e tem 68 anos de vida rural, não 42 urbanos - porque é assim que ela soa quando demonstra a ignorância absoluta sobre qualquer meio de social mídia, seja facebook, twitter, pinterest, ou algo que podia ser de fato mais complexo, tipo programação ou taxa de conversão de clientes. Isso me incomodou tanto que estragou o livro, que de outro modo, seria bem divertidinho.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A Letícia lê - livros lidos em agosto. Sim, é uma nova manchete por aqui.

Livros lidos em agosto

Porque eu tenho zero vergonha na cara, e porque acho que é melhor sim tentar consertar que jogar fora, estou ignorando minhas parcas tentativas recentemente de manter esse blog tão organizado como eu prometi e em vez disso contando de modo 'enfia numa cesta' o que eu li em agosto:

Li três livros que não vale a pena mencionar: dois romances unidos, (In too deep e Too far gone, Stella Rhys), um YA (don't forget to breathe, Catharine alguma coisa, chatíssimo) e um não ficção (A killer in the family, Peter Range Ross) que só gastaram uma hora da minha vida. Esse último era pra ser mais interessante - um sujeito um dia pirou e matou a família, fugindo por vinte anos - mas minha nossa senhora, pensa numa coisa sem pé nem cabeça. Não se falou de nada no livro. Nem do crime, nem da fuga, nem da família, nem do criminoso... tipo, eu sei tanto sobre o caso agora quanto eu sabia antes de ler o livro. É pra dizer que foi mal escrito ou não?

Li Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, do Covey: é um livro que estava na minha lista há tempos, e fazia parte do Kindle Unlimited. Me surpreendeu positivamente, na verdade. Eu esperava um livro de autoajuda ou algo muito voltado à liderança e hábitos vire sua vida do avesso.
Em vez disso, o autor faz questionamentos válidos, realistas, coloca em cheque alguns princípios importantes e de fato faz sentido. Gostei.
Li um PNR (Paranormal romance) chamado Drink of me, da Jacquelyn Frank, que era bem desenvolvido, bem escrito, com cenas quentes e divertidas. Me julgue, se quiser. Aproveita e paga essa conta minha aqui.
Li Jane and Prudence, da Barbara Pym, que embora tivesse resenhas ótimas e supostamente uma conexão (quem não?) com Austen, foi um desperdício de duas horas da minha vida nas quais eu podia: 1. ter feito bolo de chocolate. 2. ter comido bolo de chocolate 
Li War Brides, Helen Bryan. Idem, ótimas resenhas, história potencialmente interessante - me lembrou o romance que eu li mês passado sobre as pessoas na época da guerra e que era bem mais legal - mas não decolou. Pena, porque inclusive eram seis noivas diferentes, ou seja, muuuita chance e alguém ser muito fascinante, né?
Li A word child, da Iris Murdoch. Quem já viu o filme Iris? É uma coisa linda demais, com a Kate Winslet interpretando a escritora quando jovem e a Dame Judi Dench na época de sua morte. Mas não somos todos que estamos preparados para Iris Murdoch, e eu tentei Henry e Cato primeiro, e desisti. Porque estava achando chato, e claramente isso é falha minha - não estava preparada. Refiz a tentativa para A word child, a história do Hilary, um sujeito vivendo uma vida medíocre após um incidente que mudou sua vida e a vida de um companheiro na época da Universidade, anos atrás - até encontrar o tal companheiro. A história é absurda, você quer o tempo todo sacudir esse cara pelos ombros pra causar alguma reação que seja 'normal' - não que nada seja normal na vida dele, nem os amigos, nem a irmã, nem os companheiros de trabalho. Você fica imerso em toda essa loucura... muito bom, muito bem escrito, MUITO eloquente. 




A propósito: as mini reviews tb estão todas no meu goodreads, em inglês.







quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Letícia lê - semana 28 - os livros fora da caixa (do Kindle Unlimited)

Olivia Joules e a imaginação hiperativa, Helen Fielding
A autora do Bridget Jones aqui faz algo que eu não sabia que ela sabia fazer: mistura cenas bem cruas e sanguinolentas com sua heroína de literatura cor de rosa. Foi interessante ler um livro 'chick lit' com essa pegada de crime e mistério. Confuso, mas interessante :P

Finding Audrey, Sophie Kinsella
Já falei o quanto eu amo essa mulher? Audrey é uma adolescente com um transtorno, que não está conseguindo olhar as pessoas nos olhos, nem sair de casa, por conta de algo que ocorreu no colégio. Ela não faz nada muito profundo, é verdade, no sentido de explorar o distúrbio - embora haja um momento muito tenso no qual Audrey para de tomar o remédio e você começa a 'falar' com ela no livro, "Não faça isso, não dá pra perceber que não vai dar certo?" - mas é leve e ao mesmo tempo muito triste. O que se chama bittersweet em inglês, a coisa agridoce mesmo. Sei que vou reler o livro, e mais uma vez tiro o chapéu pra moça que escreveu Shopaholic e agora foi pro terreno de literatura infantojuvenil sem perder o charme.


The room, Jonas Karlsson
Esse livro foi um mistério do começo ao fim. Escrito por um ator sueco, e sendo sua primeira obra, poderia ir para qualquer lado, né? Supostamente, foi escrito como uma paródia aos escritórios do mundo. The Authority, (A Autoridade), para quem Bjorn trabalha, pode ser qualquer multinacional do planeta, o escritório, qualquer escritório. Ele consegue ver uma sala, na qual se acalma, que descobre que ninguém mais pode ver. Logo, os colegas começam a se incomodar com o que parece ser a loucura dele (já que quando ele visita a ‘sala’, para os outros parece que ele está olhando para o nada). Você fica sem saber se a sala existe, se ele está provocando as pessoas com seu plano de crescer na escada corporativa, se ele realmente está perturbado... a tensão crescente é tão boa quanto a reação horrorosa das pessoas que não conseguem lidar com qualquer tipo de diversidade. Me lembrou muito o livro do Orwell, Animal farm, com as regras escritas pelos porcos sobre os animais serem iguais, mas alguns mais iguais do que os outros... de qualquer modo, achei que foi um daqueles livros que se torna mais interessante ainda depois que você o terminou, porque fica com você.

The last anniversary, Liane Moriarty
Eu estava salvando esse livro, porque era o único da Liane Moriarty que eu não tinha lido ainda. Gosto TANTO dela, já disse? Uma das minhas favoritas hoje em dia. Esse livro não é o melhor de todos, mas tem os elementos chave que são típicos dela: uma narrativa fluida, envolvente, cheia de detalhes dos personagens, que ficam ricos e interessantes e cheios de segredos, e quando você acha que descobriu tudo sobre eles, percebe que ela é boa mesmo porque ela faz algo que te diz “há, te peguei, nem era isso!”. A história? Basicamente, uma mocinha descobre que é a herdeira de uma casa numa ilha. Quem a deixou para ela foi a tia do ex namorado, que por sua vez tinha todo um segredo envolvendo um bebê encontrado e que era o cerne turístico da ilha. Maluco, né? E você não viu da missa a metade... Fora que ela é engraçada! Olha só:
“Não preste atenção nela’, diz Enigma. ‘Geralmente eu canto na minha cabeça até que ela termine de falar”.

How to build a girl, Caitlin Moran
Humorista, mas de fato, pouco humor.

O silêncio das montanhas, Khaled Hosseini
Esse me ensinou a ser, de novo, menos intolerante e crítica com os best-sellers. Pari e Abdullah são dois irmãos que são separados quando crianças, e a história conta suas vidas e de quem estava envolvido nelas até o fim. O foco narrativo me deixou bem confusa várias vezes, porque muda por capítulo e demora um pouco para se entender quem agora está falando, mas é delicado e sutil e doce.

The lost daughter, Elena Ferrante
Queria muito ter gostado desse livro, porque essa é uma autora que estava na minha lista havia meses – uma pessoa supostamente italiana, de quem ninguém sabe nada, pporque é um pseudônimo e as entrevistas, feitas por e-mail, dizem que tudo que se precisa saber sobre ela ‘é dito nos livros’. E de fato, nota-se que há um movimento de esforço de ser profundo e doído no livro. A narradora tem muitos conflitos latentes, que aparecem quando vai à praia passar uma temporada e começa a se lembrar de outro período da sua vida, quando suas filhas eram crianças e ela as abandonou por algum tempo. Mas de verdade, achei cansativo, chato, repetitivo, denso. Não só emocionalmente denso, mas literariamente cansativo, quero dizer.
 O rei negro, Mark Menozzi
Um autor italiano escreveu sobre Manatasi, um herói negro, que decide ter seu nome gravado na Roda da Fortuna e, para tal, atravessa metade do reino e passa por muitas aventuras. Literatura fantástica com poucos buracos, interessante, com personagens bem desenvolvidos. Infantojuvenil de grande potencial.
De verdade, Sandor Marai
O que dizer sobre esse livro, escrito por um húngaro no decorrer de quatro décadas (o primeiro capítulo escrito em 1941, o último em 1980)? Que coisa incrível! São monólogos, na voz de quatro pessoas: a ex mulher, o ex marido, a suposta pivô da separação e primeiro amor do ex marido e o último amante da suposta pivô da separação/primeiro amor do ex marido. Cada um traz uma série de reflexões, dores e motivações explicadas de modo tão transparente, e ao mesmo tempo tão denso... foi um livro em papel, e ficou com aproximadamente sete mil post-its entre suas páginas, pois havia tantos parágrafos que eu lia e pensava “puxa, que bem colocado! Que lindo! Que insight incrível! Que ironia bem explicada!” Não é um livro fácil de ler, para ler na praia, como muitos dos anteriores – mas vale o esforço em cada minuto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Letícia lê - semana 6 - semana temática - chick lit

Bom, eu resolvi desenterrar alguns chick lits para essa semana temática. Foi uma viagem no tempo, porque de verdade, lembrava de poucas coisas das histórias (lembra da minha memória ridícula?), mas me lembrava da cinestesia envolvida: onde comprei o livro - em um dos casos, encontrei a nota fiscal dentro: Saraiva do Shopping Anália Franco, em abril de 2002, e ele custou 42 reais! não é à toa que hoje em dia tenho preferido o kindle, e pago no máximo 8 dólares por livro. Em outros, em Londres, na Waterstone's, a qual tem uma promoção linda chamada 3 por 2, com vários títulos. Todas as vezes que passei por uma fui obrigada, portanto, a comprar tipo 12, rs, todas as vezes que via esse selinho lindo. Deu mais saudade do clima da viagem do que, em alguns casos, do livro. Sei lá se eu estava mal humorada, você vai ver que a semana foi de crítica, rs:

Enfim, vamos ao que interessa: alguns desses livros vão para a pilha de doação/venda, porque descobri que eles não precisam morar comigo - espaço é dinheiro, né.
Li: (e as reviews do Goodreads, com links de outras pessoas, estão aqui)
Don't you want me?, da India Knight.
Stella foi casada com Rupert, na faculdade, depois morou com Dominic, com quem teve Honey, se separou e agora vive na casa que ficou com ela com um amigo, Frank, tentando entender como funciona a vida de uma mãe solteira que quer sair com pessoas novamente. Bem escrito, em termos de construção linguística. Mas ela é muito cheia de julgamento para alguém que no fim das contas, vive de pensão e só entende o que realmente sente nas últimas dez páginas...
Bet me, Jennifer Crusie.
O tema central é bem clichê: a personagem principal, ligeiramente acima do peso, escuta o ex namorado fazer uma aposta com um bonitão sobre dormir com ela. O bonitão é, claro, muito mais fofo do que parece, e a relação deles evolui de um modo bem simpático. A cena dela na casa dos pais dele é impagável, e os amigos de modo geral são interessantes.
Bad Boy, Olivia Goldsmith
Autora do Clube das mulheres divorciadas (que virou filme com a Diane Keaton), mas foi o que mais me irritou desse pacote. O tema central é outro bem comum (amiga que tenta ajudar o amigo nerd a ser atraente para as mulheres, um 'bad boy', e as coisas saem um pouco do controle), mas achei menos interessante e longo demais.
Perfect Strangers, Robyn Sisman
Fofo, gostei desse: embora seja chick lit, foi bem desenvolvido como história, ou seja, o romance ficou sujeito à segundo plano (na verdade acho que teria sido interessante tê-lo melhor desenvolvido, especialmente no final) e a história chama a atenção. Lloyd e Suze trocam de casa e país dentro da empresa onde trabalham. Suze, inglesa que está na casa dele e da namorada em NY, começa a achá-lo simpático e tenta ajudá-lo quando ele é demitido por espionagem industrial e diz que é inocente. O melhor de todos os que eu li nesse pacotão.
My single friend, Jane Costello
A Jane Costello é famosa nesse meio, e o livro é ok. Adivinha, outro projeto makeover. Você tem um amigo nerd? Certeza que ele é o Clark Kent (ah vá, todo mundo sabe que é só tirar os óculos dele pra perceber que ele era o Superhomem! aliás a Rainbow Rowell linda discutiu isso através da Beth e Jennifer no Anexos) disfarçado, lindo, sarado, além de, como você já sabia, inteligente e doce e bem humorado. E, claro, depois de ficar com várias mulheres no decorrer da história, meio que pra provar que ele é desejado e causar um drama de ciúmes, no fim ele confessa à heroína que sempre gostou dela (essa parte na verdade foi fofa). Bonitinho, mas só se você está numa vibe romântica, de praia e alegria.
Where have all the boys gone?, Jenny Colgan (esse não achei, mas há vários dela)
Katie trabalha em Relações Públicas, e acaba no meio da Escócia para ajudar um moço meio Grinch, Harry Barr, a salvar uma floresta que está correndo perigo de virar um campo de golfe e isentá-lo das acusações de estar matando as árvores que lhe estão sendo feitas. Enquanto isso, a amiga que foi a tiracolo ninguém sabe muito bem como nem porquê se aventura com o resto da cidade (é Fairlish, uma cidade na qual existem 16 homens para cada mulher), e ela mete os pés pelas mãos várias vezes. Meh.
Azur like it, Wendy Holden.
Quase não terminei esse. Katie é jornalista de uma cidade superpequena e o filho do dono vem assumir o jornal; ela vai pra Cannes cobrir o festival de cinema, que já era um sonho dela, toda iludida que ele está apaixonado por ela, quando na verdade ele é um sem caráter. Etc, etc.
BFD

Conclusões: antigamente, eu gostava de todos os chick lits, que eram engraçados, leves, interessantes e românticos. Agora, quero que eles sejam tudo isso, tenham todos os aspectos da história envolventes e não me façam ficar com vergonha de estar lendo o título em questão. Parece que isso é mais difícil que há quinze anos quando eu comecei a lê-los. Por outro lado, devo dizer que as histórias eram mais bem desenvolvidas que eu achava que seriam, muito mais do que hoje se acham nos estandes os romances que são SÓ isso. Quase sempre existe uma tentativa real de ter um pano de fundo, amigos, trabalho, personalidade, e não só o herói e a heroína. Hurray. Acho digno...
"Book Covers Are Judging Me" by Tara Sparling. Hilarious.

A propósito: troco qualquer livro desses (acho que só não o da Robyn, me apeguei um pouco), se alguém quiser e ler em inglês ;)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Letícia lê - semana 1

Os livros que eu li essa semana fora da categoria Nos estandes:

After her - Joyce Maynard
Eu fui atrás da obra da Joyce Maynard porque gostei muito do Labor day, que foi transformado em filme. (E também porque esse livro estava 2 dólares). Gostei. Mas não adorei, como Labor day. Essa história é sobre duas irmãs, que tem um relacionamento bem próximo, com aventuras, cumplicidade, amor de irmãs que contam uma com a outra, e cujos pais se separam quando são pré adolescentes. O pai é detetive e quando um serial killer começa a atacar a região, ele fica abalado, tanto pela violência dos crimes (contra mulheres) quanto pela sua inabilidade de conseguir prendê-lo. Ele é um personagem muito charmoso, muito sedutor, que vai lentamente sendo consumido pelo fato, enquanto as meninas, especialmente a mais velha, tentam continuar resgatando a vida como ela era.
Houve coisas muito boas: de novo, os laços humanos que a autora constroi são realmente muito bons. A história em si, tenho muitas dúvidas, me pareceu surgir alguns laços soltos. Enfim, bom romance, bom para um período de férias, tipo 'me recomenda um livro'. Mas nada que vá pra minha estante permanentemente.

Peça-me o que quiser, Megan Maxwell, a trilogia
A versão espanhola dos romances eróticos, tem feito sucesso na Europa e traz a história de Eric e Judith Flores. O de sempre - ou seja, muito escândalo, muito grito, muito drama desnecessário, muita química, só que eles preferem voyeurismo a BDSM. E a tradução está meio estranha. Reconheci muitas expressões que me soaram muito espanholas (do tipo Ay caramba, ou Anda que te conozco) traduzidas literalmente, o que ficou estranho. Enfim, se você gosta do gênero e quer estar a par do que está rolando nele, vale, não é terrível. Mas só se estiver num preço muito bom. - Ou entre no meu sorteio, assim que eu descobrir como fazer para sortear os 8 livros para pessoas diferentes, ele pode ser todo seu.

The woman who stole my life, Marian Keyes
THE WOMAN WHO STOLE MY LIFE
Bom, por onde começar? Foi ok. Nada de mais. Eu já gostei muito de Marian Keyes, então nada de mais pra mim já é ruim. Talvez tenha sido intenção dela ter tantos personagens absolutamente imbecis num mesmo livro, mas eu esperava mais profundidade deles e menos falta de noção/caráter. Tem gente que dá vontade de bater (com o livro, talvez, que tem 500 páginas). Aí vem a segunda coisa: pra isso, não precisava de 500 páginas. Vamos gente: vamos cortar uns personagens e fazer disso um chick lit? já que a gente tem o médico bonitão? ou fazer uma novel de verdade, e nesse caso trabalhar um pouco os outros caras? ah, sei lá. Acho que é um pass. Pode dispensar. Leia os livros antigos dela, que eram mais legais, especialmente as crônicas (Under the duvet, por exemplo), e aí você volta nesse, que talvez fique mais simpático (vai que eu estava de mau humor).





sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Desafio dos livros - dia 21 - um livro que é um prazer culpado pra você

Day 21- A guilty pleasure book

YA, (Young Adult literature, literatura o que, minha gente, juvenil??) e Dystopian books (livros distópicos) ; ou seja, Hunger games, que eu gostei antes das pessoas gostaria de deixar claro, porque a Kat é um animal instintivo e fofo, e a história é ótima, não quero nem saber o que o mundo acha :) - já passei por isso quando li HP e me disseram (lá em 1999): Ué, por que vc tá lendo um livro de criança?



 Harry Potter, a trilogia do Philip Pullman, que eu já mencionei antes, as crônicas de Nárnia, do C.S.Lewis e tão melhor que o filme (aqui), a série da Marie Lu (Champion, Prodigy, e mais um cujo nome não me lembr)

a série da Tahereh Mafi, (em português aqui) gente, eu me alternei querendo me casar com o Warner e com o Adam a cada página e até agora não sei como termina (essa semana sai o último e tô dividida, naquel momento que você quer terminar pra saber mas não quer porque é tão legal e não devia acabar nunca) e é tãaaao fofo! (aliás, update: eu li, amo mais que paçoca, mais que isso são spoilers).




da Veronica Rossi ( Under the never sky - em português, Sob o céu do nunca, aqui)... gente, não dormi até as 3 da manhã querendo ler.


amo, o que eu posso fazer? posso dar uma explicação intelectual sobre a minha (bem) alta tolerância à ambiguidade e capacidade de abstração, o que faz com que livros com esse tipo de fundo sejam perfeitamente críveis e bem coloridos na minha mente, mas a verdade é que quando bem escritos eles são a definição pura de indulgência.
Eu também poderia falar de Paranormal, Erotica ou Dark Romance, mas acho que é bom manter a dignidade que me resta por mais um pouco de tempo.

Além disso, poderia falar horas sobre chick lit (que seria 'literatura de meninas', e cuja definição deveria englobar mil títulos, mas na verdade eu conectei com British chick lit, a melhor de todas: Maryan Keyes, Sophie Kinsella, Jane Green, Robyn Sysman, Jane Costello, a lista vai por aí e será coberta em algum momento).

Trilha sonora do dia: Mr. Jones, Counting Crows