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sábado, 15 de abril de 2017

1a. quinzena de abril - aleticiale2017

Li/I've read...


9th and 13th, by Jonathan Coe - a very short book with some stories, one of them brilliant and the others, imho, just okay. I love Coe, however, and strongly recommend you try this one as the appetizer for his other books.

Otherwise Pandemonium, by Nick Honrby - this very short book has two stories, and the first one is great: a high school student finds out, almost by accident, a VCR (yes, who remembers those?) that fasts forward to the future, and instead of making money, he basically uses it to predict doom and lose his virginity. Ah, the innocence of the youth lol. But Hornby has this streak for narrative that is friendly and fluid, and you always want more.

The wave, Todd Strasser - based on a real story, an experiment that took place in California in 1969, and turned into a movie and a series, I think (I saw the movie), the book is my yearly re read. It never ceases to be shocking, though. And sad. and interesting. And slightly crazy. Just like the facts that originated the beginning of the experiment - the curiosity of a bunch of students about the Nazis and their way of thinking. Definitely worth reading.

Literatura comentada, Mario Quintana - Todos esses que aqui estão, atravancando meu caminho/eles passarão/ eu passarinho! - não dá pra ser mais fofo que isso, né? mas dá. A prosa é tão doce e bem escrita quanto a poesia, e esse é um velhinho pra se conhecer.

É agora como nunca: Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira, organizado por Adriana Calcanhoto - se eu já conheço pouco poesia, imagina a contemporânea. Conhecia dois ou três nomes, e é sempre interessante saber o que se está escrevendo por aí. Isso dito, como toda antologia, o gosto de quem escolheu é ligeiramente pessoal, e embora a temática seja excelente - o agora - nem todas as poesias "conversam" do mesmo jeito comigo como leitora.

Tudo que nunca contei, Celeste Ng - estava na minha lista há anos. e imagino que vá entrar em voga novamente, com a tal série advogando o suicídio (13 reasons why) do Netflix. Mas fiquei com gosto de quero mais. Achei que terminei o livro querendo saber tão mais sobre todo mundo, com a sensação de que não conheço ainda nem a Lydia, que perdemos no primeiro parágrafo, nem Hannah, que queria muito conhecer, nem seus pais, que vão do imperfeito ao quero ser perfeito que me deixou insatisfeita, nem o entorno. Acho que abordar um assunto como esse requer mais profundidade, mais empatia, mais amor, e mais informação. Ou seja, não foi detestável, mas não gostei. não teve a empatia de All the bright places, nem o lirismo de The wrath and the dawn.

Cinco esquinas, Mario Vargas Llosa - livro desconhecido para mim do Vargas Llosa, depois de Travessuras da menina má, então altas expectativas, né? pois eu realmente não gostei. Achei meio mais do mesmo, achei muito sexual, achei a trama meio óbvia sem ser interessante, meio novelesca sem ser reveladora... sei que soa feio, mas se não fosse dele eu teria largado o livro. como era, fiquei insistindo esperando ser algo mais interessante do que se tornou. Nunca melhorou. Decepcionante.

My not so perfect life, Sophie Kinsella - oh, how much I missed her <3 and she didn't disappoint me. Even if there were some hollywoodian turns, they were not predictable and it was fun and interesting. Her voice is always the same, and it feels like the person whose sense of humor totally reflects yours, you know? I start smiling by the beginning of the sentence knowing how it is going to end many times. It actually led me to...
a Shopaholic marathon! (actually, a Kinsella marathon, but I'm nothing if not thorough, so I started with the first book I read from her, Confessions from a shopaholic)
I've re read all seven books:
Confessions of a shopaholic - my mind had been playing tricks on me, because I didn't remember important bits, such as Tarkin's first crush or Suze's real looks or how she manages to get rid of debt in this book - Ihad got it confused with the second book. So see, it was great re reading it!
Shopaholic takes Manhattan - I can only imagine what it is like for a Brit shopaholic to go to NY for the first time. The brands, the outlets, the strong currency... I'd go crazy too, lol! and also, Luke <3 and one of my favorite scenes, the t-shirt worn as fashion because she packed light.
Shopaholic ties the knot - the double wedding is something only Becky Bloom would do. At least, believably.
Shopaholic and sister - one of my least favorites. Jess annoys me, Becky seems under the weather for most of the book, Luke is all macho, I don't like it.
Shopaholic and baby - Kinsella being creative all over again. That Venetia is almost Mexican soap opera worth it.
Mini Shopaholic - Even if Minnie sounds a bit of a nightmare, the ending made it all worth for me. I love it.
Shopaholic to the stars - Again, not a favorite: too much drama, too much side plots - I don't care so much about all that soap opera thingy celebrities do - and sadness that doesn't agree with her. Also, where's Minnie?
I still have to read Shopaholic to the rescue, which vanished from my bookcase - apparently, I have two Wedding nights, though. Anyone for bartering? And then I'm going to go for the random ones, Can you keep a secret?, Twenties girl, and so on, which I absolutely love.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

aleticiale2017 - 2a. quinzena de fevereiro

Cheguei a um terço da meta do ano, o que é bom.

Cartas extraordinárias, organizado por Shaun Usher, que incrível <3. Estava na minha estante há anos, presente da Tati Feltrin, esperando um momento especial. Minha reclamação é que eu gosto de ver as letras das pessoas, e queria ver os originais. Nem sempre tem: a maioria é a tradução e em Times new roman, o que perde um pouco a graça. Mas o conteúdo e a curadoria foram incríveis, que delícia de leitura. Recomendo ainda mais que o das listas, e eu amo as listas.

Breakfast at Tiffany's, Truman Capote. Nem tenho vergonha de dizer que é um desses que estava na minha estante há anos e eu nem me lembrava de ter lido. Por um lado, achei interessante e bem escrito. Por outro, ainda não sei qual o fascínio tão absoluto que a Holly (ou Lullamae) exerce sobre todo mundo. Preciso pensar mais sobre isso.

Histórias de fadas, Oscar Wilde. Depois de ter lido sobre a época de prisão e o fim da vida dele, é ainda mais triste ler essas histórias, que são quase sem exceção muito tristes e meio irônicas. Mas valem a leitura, sem dúvida.

O seminarista, Rubem Fonseca. Emprestado. Achei meio bruto demais pra mim, especialmente o final, muito descritivo. Um policial para meninos, com o perdão do sexismo.

Uma janela em Copacabana, Luiz Garcia-Roza, em compensação, gostei muito. Achei mais sutil e interessante, e o final bem surpreendente.

Claros sinais de loucura, Karen Harrington - essa é uma história para adolescentes, YA, escrita por uma personagem cuja mãe tentou matá-la. Devia ser muito horrível, né? Mas é de fato pungente e bem escrita, adolescente mesmo. Acho isso original. Foi uma releitura, e ainda gosto do livro.

Passarinho, Crystal Chan - outra releitura, que gostei um pouco menos do que gostei da primeira vez, sobre uma menina que vive com uma família e suas tragédias sem saber muito bem o que fazer com elas.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury - gosto tanto da premissa. Gosto menos de algumas partes do desenvolvimento, mesmoq ue entenda que fazem parte do mito. Da inana Mildred, da completamente fora da caixa Clarisse - me parecem muito estereotipadas - e do fato de que aquele final me dá uma sensação de incompletude.

E vamos embora :)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

aleticiale2017 - 1a. quinzena de fevereiro

Cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke. Esse é um pedaço da Carta número 8, que eu reli diversas vezes, acenando com a cabeça daquele jeito que a gente faz quando queria ter escrito e se sente a um tempo estúpido e profundamente intelectual:
No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar. Por terem os homens revelado covardes nesse sentido, foi a vida prejudicada imensamente. As experiências a que se dá o nome de “aparecimentos”, todo o pretenso mundo “sobrenatural”, a morte, todas essas coisas tão próximas de nós têm sido tão excluídas da vida, por uma defensiva cotidiana, que os sentidos com os quais as poderíamos aferrar se atrofiaram. Nem falo em Deus. Mas a ânsia em face do inesclarecível não empobreceu apenas a existência do indivíduo, como também as relações de homem para homem, que por assim dizer foram retiradas do leito de um rio de possibilidades infindas para ficarem num ermo lugar da praia, fora dos acontecimentos. Não é apenas a preguiça que faz as relações humanas se repetirem numa tão indizível monotonia em cada caso; é também o medo de algum acontecimento novo, incalculável, frente ao qual não nos sentimos bastante fortes. Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo de vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança. Entretanto, quão mais humana, aquela perigosa incerteza que faz os prisioneiros dos contos de Poe apalparem as formas de suas terríveis prisões e não desconhecerem os indizíveis horrores de sua moradia. Nós outros, aliás, não somos prisioneiros. Em redor de nós não há armadilhas e laços, nada que nos deva angustiar ou atormentar. Estamos colocados no meio da vida como no elemento que mais nos convém. Também, em conseqüência de uma adaptação milenar, tornamo-nos tão parecidos com ela que, graças a um feliz mimetismo, se permanecermos calados, quase não poderemos ser distinguidos de tudo o que nos rodeia. Não temos motivos de desconfiar de nosso mundo,pois ele não nos é hostil. Havendo nele espantos, são os nossos; abismos, eles nos pertencem; perigos, devemos procurar amá-los. Se conseguirmos organizar a nossa vida segundo o princípio que aconselha agarrarmo-os sempre ao difícil, o que nos parece muito estranho agora há de tornar-se o nosso bem mais familiar, mais fiel. Como esquecer os mitos antigos que se encontram no começo de cada povo: os dos dragões que num momento supremo se transformam em princesas? Talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas que aguardam apenas o momento de nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo horror em última análise, não passe de um desamparo que implora o nosso auxílio.

Não amei o livro todo, houve cartas que me deixaram inerte e acho que não podia ser diferente. Mas houve passagens como essa, que acredito que são o que fazem o livro ser relido desde que foi publicado, há um século.

Aqui estão os sonhadores, Imbolo Mbue. Um desses livros comprados por impulso, porque adoro ler coisas diferentes e a autora era camaronesa - e eu não sei nem apontar Camarões no mapa, e parecia uma narrativa interessante, sobre um casal de imigrantes de Limbe que estava lutando para ficar em NY versus um casal de alta sociedade cujo marido trabalhava no Lehmann Brothers na época do escândalo. Bom, não decepcionou: foi mesmo bem interessante. Não acho que é um livro "muda a sua vida"nem que vou reler a cada x anos - sempre me lembro do Ítalo Calvino e da frase "um clássico é aquele que nunca termina o que tinha a dizer". Esse acredito que terminou, mas foi um discurso que ecoa e é consistente, foi uma ótima leitura.

The age of Innocence, Edith Warton. (A época da inocência). Gente, que surpresa. Eu estava na vibe de limpar a estante dos livros que estavam lá só fazendo volume, e esse, por ser um clássico, era desses que eu jamais teria tido coragem de me livrar. Aí comecei a ler, e começa um pouco lento, mas não muito. o sr. Newland Archer está apaixonado pela May Welland, e tece diversos comentários sobre a sociedade e sobre a prima della, Ellen Olenska, que fugiu do marido conde por alguma razão quase escusa, o que é semi imperdoável para a época. A Edith Warton foi a primeira mulher que ganhou o Pulitzer, em 1921, mas ele foi seu 14o. livro e só um dentre suas muitas obras. Sem dúvida vou buscar outras coisas dela, porque o livro é sutil e profundo, de um jeito que vi pouca gente escrever. Não tem o drama exacerbado de outros clássicos, não é óbvio nem pedante, achei realmente surpreendente. Adorei o final, adorei o fato de que os personagens parecem unidimensionais mas... nesse exato momento, o livro está na minha lista de doação, mas toda vez que penso nele acabo chegando à conclusão de que talvez ele volte pra estante. Vale ser relido.
P.S.: Como eu sou ligeiramente obcecada, fui atrás dos Pulitzer Prizes (que descobri que são dados só para autores americanos, não sabia), e descobri que só li 10% deles. A boa notícia é que os 10% que eu li eram de fato bons, então talvez valha a pena ir atrás dos outros.

Sempre seu, Oscar, uma biografia epistolar - Oscar Wilde. Esse é um sujeito tão plural, e acho tão lindo ser plural. Um cara que conseguiu escrever A importância de ser prudente, O retrato de Dorian Gray e Histórias de fadas, foi casado por anos, e feliz, amava seus dois filhos profundamente, se apaixonou tão cegamente por um cara que o deixou levá-lo à ruína completa, morreu tão pobre e arruinado... é uma vida realmente interessante, embora tão triste. Essa biografia inclui a carta que ele escreveu ao Alfred Douglas, o Boisie, que se eu encontrasse na rua ia ser empurrado pra baixo de uma carruagem. Que sujeito horrível! Wilde podia ser leviano e superficial, mas duvido que merecesse um companheiro tão cruel.

Delirio, Laura Restrepo - uma colombiana que estava na minha estante há um tempão. O livro é fascinante porque fala de um sujeito (Aguilar) que está perdendo a cabeça (comece a notar os padrões) porque não entende o que aconteceu com sua mulher Agustina (e as aliterações) que foi encontrada num estado de delírio num hotel e não recuperou  mais totalmente a razão. Aos poucos, vc vai notando o entorno - a família dela, que é cercada de gente envolvida com o cartel - é época de Pablo Escobar, claro - , o irmão dela de quem nunca se fala e subitamente está presente, e se exilou para poder ser quem é, homossexual - e o ex namorado, de quem dificilmente se entende o papel. A narrativa é delirante como Agustina, a tia que cuida dela tem um papel atrapalhado, e por vezes eu não sabia se era eu com dificuldades com a língua ou a intenção da escritora. Como há muita gente falando bem do livro, imagino que tenha sido eu. Não adorei, mas acho que pode valer a pena tentar.

A Audácia dessa mulher, Ana Maria Machado - esse é um livro que eu adorei desde o primeiro capítulo. Gostei do mote, gostei dos personagens, fiquei torcendo pra ninguém se tornar chato ou maluco. Quando, lá no final, estava achando que ia ser ridículo, eba!, não era. É um paralelo megainteressante, gostei dos personagens principais e dos secundários, e ao mesmo tempo que me lembrou a escrita antiga (Maria Jose Dupre, Vivina de Assis Viana, Pedro bandeira) que eu lia adolescente, me trouxe também novas informações. Vou procurar outras coisas dela. Obrigada, Silvia!

The kindness of strangers, Katrina Kittle - livro difícil, com o tema de abuso infantil, mas que foi difícil de parar de ler, mesmo com a testa franzida e o coração apertado.

What she knew, Gilly Macmillan - That was really, really good. I actually refused to leave the house before finishing it. It was about a boy who went missing with his mom after a walk in the woods and even though as I read it I kept thinking "It can't be this person or that person", you know it can actually be anyone, which is an awful feeling by the way. Lots of secrets came out - a la Lianne Moriarty - and the ending was as fulfilling as such a book can be. I love it when you are so involved with a story you can almost see the characters around you. Good job, Gilly!

Fernando Sabino na sala de aula - li numa sala de espera as 86 páginas de crônicas levinhas e fofas desse mineiro simpático. Gostei muito de uma na qual ele fica tão desacorçoado a respeito de um aviso mal escrito num elevador que perde até o andar no qual ia descer - se chama "Como nasce uma história", e valida o que eu acho sobre o fato de que à nossa volta estão sempre tantas histórias de tanta coisa acontecendo, é só ter os olhos abertos. Bem legal.

E assim caminhamos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

2a. quinzena de janeiro - aleticiale2017

Cordilheira - Daniel Galera
Esse é um livro que foi escrito com uma premissa deliciosa: aparentemente deram uma grana para uns autores para escrever in loco em alguns lugares, e disseram pra esse sujeito ir escrever em Buenos Aires. Então a ambientação é ótima, e pra quem já foi, super se sente em casa. Mas detestei a história, coisa chata! uma mistura de complexo de Electra com metanarrativa que não tem fim. Tinham me falado super bem do cara, e foi meio decepcionante. Talvez não seja meu tipo de livro.

A dor - Marguerite Duras
Árido e difícil como todo livro escrito sobre essa época, narra algumas histórias, e com o holofote em uma, sobre uma pessoa que aguarda a volta do amante de um campo de concentração nazista, e é membro do partido de resistência, e tem detalhes autobiográficos, e é mascarado como "diários perdidos", e tem exatamente esse tom de dor tão em "stacatto" que você só sente o latejar. Quando você achar que está tendo um dia ruim...

Rita Lee, uma autobiografia
Dá pra resumir bem com o que ela diz que gostaria que fosse o epitáfio dela, algo como "Não era um bom exemplo a ser seguido, mas era gente boa".

Senilidade, Italo Svevo
Gosto da narrativa dele, mas achei esse livro em particular meio repleto de clichês, o sujeito mais velho apaixonado pela jovem muito trambiqueira e que tem a irmã virgem e feia como contraponto vivendo com ele. Existem equilíbrios, como a vizinha ou o amigo, mas acho que o autor tinha mais talento que isso. Claro, é necessário lembrar que foi escrito no começo do século (1920 e pouco) e só foi bem sucedido porque era amigo de alguém (Camus, talvez?)

Uma coisa de nada, Mark Haddon
Esse é o cara que ficou famoso pelo outro livro, e eu esbarrei nesse título no sebo. E aí fui lendo, e achando aflitivo o senhor que estava claramente à beira de um colapso, pai da moça que estava claramente necessitando terapia, marido da senhora que estava urgentemente precisando de um grupo de apoio... ele segue uma certa linha, né rs... enfim, fora o fim que foi muito hollywoodiano pra mim, achei bom e envolvente.

Wild, Pacific Crest Trail, Cheryl Strayed
It took me a while to get to this book simply because I had assumed it would be boring and I wouldn't be able to relate at all to the story, being the last person on Earth who would go on such an adventure. But soon I figured out that the author was not so different from me, and the book focused on being human much more than on being an athlete. And then I really enjoyed it.

Os viúvos, Mario Prata
Bom e velho policial, leve, interessante, divertido. Vou procurar mais coisas dele.

Conte sua história de São Paulo, Milton Jung
achei que fosse gostar tão mais do que gostei! São 110 histórias de ouvintes sobre a cidade, e houve uma tentativa de separá-las em blocos temáticos, mas pra mim ficaram sem pé nem cabeça. Muitas são só pedaços de nada, outras vão indo e vindo e não sei pra onde...

Terra descansada, Jhumpa Lahiri
Li O xará dela anos atrás, e me apaixonei loucamente. Esse livro teve críticas no goodreads sobre "mais do mesmo",com  o que eu discordo muito, simplesmente porque entendo que ela é muito boa sim em escrever sobre os aspectos culturais, mas além disso, ela é muito boa em escrever sobre gente. Sobre aquelas pequenas coisas que nos fazem mesquinhos e difíceis e sofridos e tornam as relações tão complexas e cheias de nós. Claro, o Terra descansada tem contos (acho que oito) e todos trazem famílias de origem indiana. Mas acho que é porque ela sabe disso, né. Tanto faz. Enfim. Me lembrei como gosto dela.

Doei uma pilha de livros pra Biblioteca (Viriato Correa, na Vila Mariana), e li quase que exclusivamente livros físicos esse mês. Estou curtindo "eliminar" livros da estante, seja por doar, emprestar, trocar no sebo, redescobrir... não curto o fato de que "compartilhar" trechos no Kindle, que é algo com o que eu tinha me acostumado e gosto muito (tenho cadernos de citações desde adolescente), dá muito mais trabalho. Mas acho que vou  manter isso por mais algum tempo, e continuar a "faxina" na estante. Estou vendo progresso!! Foram 26 livros esse mês, só literatura brasileira e internacional de fato.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Letícia lê - 2a. quinzena de outubro

Eu sei, é vergonhoso. Mas tem sido um período tenso, de muitas horas de trabalho, e chegou um momento no qual ou eu lia ou eu escrevia sobre o que estava lendo :P
Ah, e teve a maratona Gilmore girls, que roubou todas as noites durante umas três semanas. Que saudades eu tinha da Rory e da Lorelai e de todo o drama e das 60 palavras por minuto.
Enfim, agora chega aquele período no qual eu me desespero porque minha meta de 260 livros do ano está muito atrasada (faltam 93 e só temos 53 dias para acabar o ano!). D. disse "mas a meta é sua, deixa ela pra lá"e eu tive um ataque de riso. Parece que não me conhece :P A la Scarlet O'Hara, dramaticamente, cumprirei a meta ou morrerei tentando.

De qualquer jeito, no último mês e meio, eu li 45 romancezinhos Harlequin, que são os aceleradores de meta, rã rã. Rápidos, com fórmula quase, uns dois ou três MUITO mal escritos dos que fazem a gente fazer caretas ao ler, outra meia dúzia muito fofinha e romântica, a maioria gratuitos porque depois que eu descobri o Ebook lovers hesito muito em pagar por esse tipo de livro - só aqueles cujos autores eu já conheço e gosto. Nalini Singhi, Lexi Ryan, Kersley Cole, essas de quem eu já li vários, por exemplo. Se esses livros te interessam, espia meu goodreads. Pule tudo que tem duas estrelas. Nem tudo que é gratuito vale a pena.

Além deles, li meia dúzia de chick lit que já estava na minha casa (Ralph's party, da Lisa Jewell, foi o único que ainda se manteve interessante, com as três estrelas do meu 'corte'. Os outros perderam o encantamento em algum momento dos últimos dez anos. Li pela primeira vez um da Jenny Colgan, The bookshop on the corner, bem fofo.

Reli alguns outros títulos: em particular, um chamado A madrasta, da Nancy Thayer, que foi comprado pelo meu irmão no Círculo do livro em 1900 e bolinha e eu li muitas vezes quando adolescente. Achava a narrativa muito vívida, conseguia ver muito bem a madrasta e as enteadas e a lista de demandas da ex esposa. É muito interessante reler livros que você leu quando era praticamente outra pessoa. Reli também um Veríssimo, Histórias brasileiras de verão. Não é o mais engraçado, mas há algumas das histórias que te fazem rir horas depois de ler.

Li um distópico bem bom, Anthem, Ayn Rand. E mais dois YA, The magicians, Lev Grossman, que eu tinha esperado muito e fiquei um pouco desapontada, e Despertar, da Meg Cabot, sempre uma alegriazinha. ah, e um chamado Lionheart, uma revisita de Bela e a Fera, sempre uma fofura.

Li um mistério chamado The Little Stranger, da Sarah Waters, que me prendeu muito quando o sobrenatural começou de fato a aparecer, e me frustrou um pouco quando não foi de fato "resolvido". Foi bem Poe pra mim. Gostei. (obrigada, Silvia!) Li também um livro chamado I know this much, do Wally Lamb, cujo gênero eu não sei classificar. Gostei muito de algumas partes, me arrastei por outras. Gostei do final, mesmo mais hollywoodiano.

Li Ruth Manus, Pega lá uma chave de fenda e outras divagações sobre o amor, e eu já sabia que ia gostar porque adoro muito o que ela escreve. Comprei dois, já pensando numa amiga que sei que também gosta, e na verdade já saí da livraria pensando que devia ter comprado quatro, porque é um livro doce e fofo. Ela me faz sorrir, chorar ou querer compartilhar - sabe aquele pensamento de "Sim, eu também!"? sempre tenho quando leio sua coluna no Estadão. O livro é mais genérico, mas mesmo assim muito fofo.

E li Antonio Prata, Trinta e poucos, e estou salvando o melhor para o final porque AMEI MUITO. MUITO. MUITO. Compre pra todo mundo que você conhece, porque é uma delícia de leitura. Leve, engraçado, triste, interessante, termina rápido demais.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Letícia lê - 2a. quinzena de agosto

Vou começar falando da importância do goodreads e desse blog na minha vida. Hoje de manhã vi uma notificação do goodreads que dizia que alguém comentou minha opinião sobre um livro qualquer sobre hábitos. Imediatamente eu pensei, Ué, mas eu não li esse livro, não só me desdizendo como confundindo o livro com um que virou piada aqui no escritório porque eu tenho dois (um físico e um no kindle) e no escritório tem mais dois, então eu disse que devia ser um sinal do universo que era pra eu ler, e bom, ainda não li.
Resumo da ópera: o que eu escrevi no goodreads eu de fato tinha lido. Me vi acenando com a cabeça como concordando com uma desconhecida, que nem uma louca, lendo minha própria opinião.
Enfim.

Comecei a segunda quinzena lendo os dois livros que a Silvia (oi, Silvia!) fofamente me emprestou. A gente tem gostos super diferentes, e eu tenho receio de dizer que nem sei o que a faz vir aqui me ler, embora seja grata por isso :)
O primeiro livro que ela me emprestou era O livro do apocalipse, ou Doomsday book, da Connie Willis. Embora seja o primeiro de uma série, dá pra ler sozinho. É um livro sobre viagem no tempo, e a personagem principal, Kivrin, sempre quis ir à Idade Média, embora seu (?) tutor? não sei como chamá-lo. Pelo que eu entendi, há diferentes especialistas em diferentes áreas que apoiam essas viagens no tempo de seus pupilos. Esse especialista tutor gostava muito de Kivrin e tentou convencê-la mil vezes a não ir (cólera, envenenamento, perseguição às bruxas, machismo, sem contar a peste bubônica, febre tifoide e etc). Bom, resumindo, obviamente ela foi. E, claro, algo dá errado, mas não dá pra saber o que, porque o técnico que a apoiou na viagem fica doente, e é 2050 ou algo assim, ninguém fica doente. Então acontece uma quarentena, e a Kivrin tá lá, perdida na Idade Média, supostamente perto de Bath.
Ou seja, começa fofo, com você pensando que acontecerá algo mas sem saber o que. Ingênuo.
A vida da Kivrin fica muito, muito difícil. Primeiro, porque o tal mecanismo de interpretação que a ajudaria a se comunicar em inglês antigo não funciona. Segundo, porque ela fica doente (pegou a doença que ninguém sabe o que é do técnico, lá em 2050). Terceiro, porque ela vai descobrir depois, mas não está exatamente onde achou que estivesse, e vai passar um bom tempo procurando o lugar e o tempo certos.
Estou lutando contra possíveis spoilers, mas a questão é que mesmo que Kivrin tivesse achado que estava pronta, ninguém em nenhuma idade estaria pronto pro que ela enfrentou. Mesmo que o fim tenha sido meio apressado e muito racional pra mim, claramente em negação às emoções, quero muito saber como foi tudo que aconteceu pra todo mundo, porque há coisas que te transformam muito completamente.
De qualquer modo, o que dá pra dizer é que mesmo com todo o desespero que muitas vezes você sente, é um livro que te prende quase do começo ao fim, por motivos diferentes, e mesmo que a mitologia criada pela autora pareça um pouco confusa e sem contexto, dá pra entendê-la e achá-la interessante.
Importante lembrar que o livro foi escrito em 90, publicado em 92 no auge dos filmes de ficção científica e quando celulares eram quase uma invenção.


A Bíblia envenenada - Barbara Kingsolver
Esse foi o segundo. A primeira coisa pra se dizer sobre esse livro é que é uma narrativa muito boa: você enxerga o barro vermelho, as chuvas torrenciais, o que eles comem ou não, as pessoas, o jardim, as irmãs.
A segunda coisa pra se dizer é que quando você começa, a história de uma família cujo pastor decidiu passar um tempo numa missão no Congo, você não tem a mais vaga ideia de como aquilo vai terminar. Quando os personagens vão tomando seus caminhos, um fica completamente desimportante, um morto, um apaixonado, um mudado, etc etc, nem se eu te disser o que acontece com cada um você vai corresponder o evento à pessoa do jeito certo. Ponto pra dona Kingsolver.
A terceira coisa pra dizer é que as pessoas leem de jeitos e com olhares muito distintos: pra mim, toda a política era só pano de fundo. Então, quando pareceu muito focado nela, eu dei uma desligada, ficou chato. Teve gente que achou isso o mais sensacional. Ou seja, parece que isso foi bem escrito.
A propósito: o título vem do fato de que, sem ninguém falar a língua, há diversas coisas que são ditas de modo a dar outro entendimento, uma delas sendo a bíblia (em vez de "sagrada", ela acaba sendo referida como "envenenada"numa tradução tosca, porque a inflexão muda o sentido das palavras). Isso já é um tremendo spoiler, na minha opinião, simplesmente porque fala muito do Pai Nosso (a maneira como as filhas se referem ao missionário pai que as levou e de santo tem bem pouco) e de quão disposto, aberto ou capaz de entender a cultura na qual estava ele era. Uma parte favorita do livro pra mim foi o encontro da família com o missionário anterior, o irmão Fowles.
Mas, me conta quando você o fizer.

Li também o livro sobre a Imperatriz de ferro: a Concubina que formou a China moderna,  e foi bem interessante. Ela parecia uma mulher muito peculiar, muito à frente do seu tempo, me lembrou muito uma mistura de Eva Perón com rainha Vitória. Claro, é difícil ler o tipo de coisa que acontecia em 1800 e tantos, mas se for pensar no cenário, ela te surpreende sempre. Foi um não ficção que li em seqüência numa semana.

Li também um livro que foi publicado nessas listas de "promissores", chamado Eileen. Achei a sinopse super legal, sobre uma moça que trabalhava numa prisão para jovens (tipo a antiga Febem), mas pensa numa narrativa lenta que acaba funcionando do jeito errado. Ou seja, era pra ajudar a autora a construir suspense, mas chega uma hora que ela fez isso direito, então 1, vc quer saber que diabos ela quer contar logo, e 2, quase tudo que ela for revelar a essas alturas vai ser anticlimático. Quem sabe fazer isso bem é a Liane Moriarty, essa moça não sabe. Foi um livro que eu não larguei na primeira metade, mas só li a segunda por desencargo (e porque a tal revelação só apareceu aos 80% do livro).




terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Leticia lê - julho terminando

E na segunda quinzena de julho:

eu li A elegância do ouriço, da Muriel Barbery - me recomendaram e emprestaram. Acho que eu jã tinha ouvido falar dele, mas não me lembrava. A narrativa me lembrou Marguerite Yourcenar, sabe, da História de Adriano? elegante e clássica. Basicamente, conta a história de uma concierge (vamos lá, é zeladora) que se finge de inculta quando na verdade ama coisas que os ocupantes do prédio considerariam muito sofisticadas para sua profissão (como Tolstoi e Brahms), e de uma das moradoras, uma adolescente suicida. A coisa vai crescendo de você gostar, e quando você vê, está envolvida com a vizinha simpática, os moradores do prédio, o possível romance - a única coisa que não me atraiu foi a adolescente chatinha e esnobe, tão inteligente que não consegue se achar no mundo. Ah vá. Mas, sem querer ser desagradável, eu não estava preparada para o desfecho.

O centauro no jardim, Moacyr Scliar - um autor por quem sempre tive curiosidade, e aí nas #andanças do mês, fomos ao Parque do Povo e lá peguei o livro. É realismo mágico, então não é pra todo mundo. Mas eu simpatizei com o centauro e estava super acreditando nele, porque a narrativa das emoções e do entorno são de fato boas. Acho (mas acho mesmo, certeza não tenho não) que é uma metáfora de, além de se sentir diferente, crescer numa comunidade rural e pequena numa família judia nas primeiras décadas do século, como imigrante. E, de novo, achei o final levemente anti climático.

El juego de Ripper, da Isabel Allende - adoro Allende, e esse livro, por ser físico e em espanhol, estava na fila há um tempão. É uma tentativa de mistério criminal dela - aparentemente ela começou escrevendo com o marido, e quase deu em divórcio, mas resolveu continuar sozinha. Gosto muito da Isabel Allende, porque ela tem essas narrativas que parecem alguém te contando uma história ótima enquanto vocês tomam café 'a tarde, sabe? uma voz boa. E esse livro, embora tenha elementos mais crus de assassinato, tem uma pegada meio YA (a filha da personagem principal é quem está tentando desvendar o mistério junto a seu avô). Eu gostei, Não amei, como Cuentos de Eva Luna, mas gostei bastante.

Truly madly guilty, da Liane Moriarty - acho bem injusto que esperei meses por esse livro e ele acabou tão rápido. E acho que essa é uma autora muito, muito consistente - há sempre um capítulo qualquer no qual eu penso "ah, acho que esse vai ser chato", e aí ela me desmente logo, e cria uma reviravolta que eu realmente não esperava, e eu tenho vontade de fazer isso aqui:


Incrível, dona Moriarty. Seu talento permanece. O livro conta a história de duas amigas desde o colégio, Erika e Clementine, embora essa amizade seja também questionada. Em um dado momento, me pareceu MUITO aquele filme que se originou de uma peça, O deus da carnificina. Adorei. Aliás, recomendo o filme também.

e pra agosto, gente? ganhei um certo pacotinho de livros emprestados e comprei o último Harry Potter (estou na verdade querendo reler todos os outros, só pra durar mais), então aparentemente estou na fase livros físicos. Tá interessante, tranquilo e favorável.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Letícia lê - já sabe. Robinson Crusoe, o Sono de 28 anos

Gente, peloamor. Assim, é verdade que foi um mês atribulado. Houve diversas mudanças no trabalho, o que finalmente culminou na minha saída; aí teve a semana-de-se-preparar-para-o-evento-do-adeus, a semana-do-adeus, a semana-pós-adeus. Sim, sou pisciana, essas coisas existem. Enfim - parênteses: foi uma jornada sensacional, só levo coisas boas comigo, estou bem, começo em outro cenário em breve, não há traumas. - Mas, voltando ao Robinson Crusoé: no começo achei que era por conta de tudo isso que estava difícil de ler.
Daniel Defoe tinha mais de 50 anos quando escreveu esse livro. Foi publicado em 1719, como folhetim, e tem o mérito de ter lançado o romance narrativo, porque era centrado em uma autobiografia fictícia contada em tom de história. Aparentemente, não foi sua primeira obra, mas foi graças a ela que ficou famoso. Um outro título dele é Moll Flanders. De qualquer jeito, não houve qualidade que o redimisse sob meus olhos, assim que o jovem alemão (sim, originalmente o nome era Robinson Kreutz whatever, mas como moravam no Reino Unido, não conseguiam falar o nome dele e virou algo como  Crusoé) se mostrou o adolescente mimado que havia enfiado na cabeça que queria ser marinheiro porque sim, e mais tarde viu tudo que lhe aconteceu como prova de que tinha errado ao desafiar as entidades divinas e estava sendo punido. #oi? Ele passa 24 anos na ilha tentando fazer coisas com as próprias mãos, creditando às entidades divinas quando (depois de uns 12) dá certo de plantar coisas e culpando a si mesmo quando todos os barcos nos quais entra afundam, encontra uns canibais, mantém umas trinta casas na ilha (chamadas de 'meu castelo', 'meu esconderijo', 'minha caverna', cada lugar tinha um apelido, era de morrer de rir), a pólvora jamais termina, o rum também não, por sorte dele...
acordado ainda? sorte sua. Eu lutei bastante.
enfim, depois desses cento e dez anos (isso porque ele tinha pouca tinta e  'só escreveu coisas relevantes'), o grupo de canibais que ele sabia que às vezes visitava a ilha traz mais prisioneiros, mas dessa vez ele resolve salvar um pra se tornar escravo dele, porque ele vinha pensando nisso. Sim, é isso aí. Isso, minha gente, é 70% do kindle. Você está morrendo de sede na frente do mar. Chega então o selvagem chamado de Sexta-feira. Sujeito boa gente. Robinson o ensina a não comer os amiguinhos, a louvar Deus como a Bíblia ensina, a plantar e a usar a arma.
E aí subitamente a ilha deve ter entrado no google maps, no waze, os marcianos ouviram os tiros... porque a partir daí é um entra e sai de personagem que você, acostumada a ler só a voz do Robinson Soninho, fica bem confusa. Até porque há várias lutas de espada e mosquete e espingarda e sei lá mais o que, então não se sabe que mocinho ficará até a próxima página.
Então, resumindo: moço mimado, monólogo das suas tentativas de sobrevivência por 24 anos e 70% do livro, aparece personagem secundário, seguido pela porta dos fundos de mais meia dúzia deles nos próximos três anos, que acontecem em tipo três páginas.
Robinson então resolve voltar pra terra dele e ver em que pé está sua vida pregressa.E veja só, parece que sua má sorte só acontece nos barcos, porque fora deles, seus amigos, embora ele tenha sumido por 28 anos, não só guardaram seu dinheiro, como investiram, estão dispostos a reconhece-lo e devolver seu investimento e não lhe dão problema algum. Sua família morreu em sua maioria, e também não o roubou, não discute a herança, nadinha. Ou seja, ele é rico na terra dele.
E o sujeito fica lá? nãaaao! Ele se casa (juro por deus que isso aconteceu em um parágrafo. Não tenho ideia de onde veio a mulher, nem o que ela viu nele, porque eu correria na direção oposta até ele virar um ponto) e quer ficar indo visitar a ilha que ele 'populou'. Megalomania? Falta do que fazer? Insanidade? Todas as anteriores?
Vou dizer o que eu disse no goodreads: Só sei que, se eu fosse pruma ilha deserta, esse seria o último livro que eu levaria.


domingo, 10 de abril de 2016

A Letícia lê

Ao contrário do que a Silvia e a Maria dizem, estou de fato lendo devagar: 20% da minha meta só foi alcançada, com 50 livros lidos - e já estamos em abril. Ando enjoadíssima, burlando minhas próprias regras - como tenho dificuldades imensas de largar o livro começado, dou permissão a mim mesma de fazê-lo só até os primeiros 10% dele, e larguei vários assim. Só que aí, né Brasil, nada vai pra frente. Essa semana diz a lenda que ganho tempo livre (conto depois), quem sabe aí deslancha.

As cerejas, Lygia Fagundes Telles - na verdade, o primeiro conto dela e os três próximos com releituras. Gostei de um deles, do Duílio Leite, mas não gostei dos outros. Claro, é bem árduo competir com um conto da Lygia, mas bem, era a proposta e foi aceita, nénão? #fiquecomaLygia.

Heart Collector, Jacques Vandroux - sobre um serial killer que, adivinha, rouba corações e os come, tentando afastar o espírito da mulher que matou há anos. Essa, por sua vez, 'avisa' um moço aleatório - que acaba não sendo tão aleatório assim - sobre os crimes, de forma paranormal, e ele tenta ajudar a encontrar o assassino. A ideia não era horrível, mas houve uns momentos MUITO forçados. E aliás, se você é um espírito, e consegue me contar seu nome e sua relação comigo, por favor, dê um passo a mais e me conte o endereço de onde está o assassino.

Hannah e suas filhas, Marianne Frederiksson - gosto de histórias familiares, mas a cronologia disso aqui me incomodou. Havia Anna, Hanna, Johanna. Mas claro, na história de uma, outra aparecia. Havia dois Rickard. Havia dois John. Tava faltando nome no dominó dos personagens, minha gente???

O demônio do meio dia, Andrew Solomon - um não ficção sobre depressão. Infelizmente, muita gente que eu conheço sofre, sofreu, tem sofrido de doenças mentais de algum tipo, e esse título sempre cruzava meu caminho. Gostei muito de algumas colocações do autor - meu goodreads tá lotado de citações e trechos do livro - mas outras partes me entediaram, por serem muito particulares, muito específicas ou muito locais: história de alguém, falar sobre os hospitais psiquiátricos da região na qual ele entrevistou pessoas, etc. Ainda assim, por ser um retrato semijornalístico e autobiográfico, vale a leitura.

Tá rolando é nada nem de rain, nem de tea. Só desejando por aqui.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Letícia lê (só não digita)

Oiii!
Gente, agradeçam ao seus polegares opostos todos os dias: são realmente um sinal evolutivo, e fazem diferença na sua vida... foi bem difícil estar sem o uso do meu (direito) no último mês. Tentem abrir shampoo, cortar carne, dirigir, se vestir... e o mundo realmente não está muito pronto pra quem está sem acessibilidade. Contatei até uma ong que acolhe quem perdeu os movimentos na idade adulta, pra saber como ajudar. Quando responderem, divido aqui. Afinal, nada é por acaso, né?
Então, agora, com o poder da escrita restaurado...

(imagem da Stokpic)

Cá estou. Não li muito, por conta do mau humor, em sua maioria, rs. Mas do que eu li:

O príncipe, Nicolau Maquiavel - eu já tinha lido em inglês há muito tempo, mas reli a edição da Companhia das letras recentemente, para uma tarefa do trabalho. É ligeiramente assustador como faz sentido. Maquiavel é um fiorentino de 1469 que chegou a ser muito relevante na sua época, chanceler, acompanhou a vida política de perto, fez parte de movimentos grandes; e aí, quando os Médici subiram ao poder, perdeu tudo, foi torturado e preso, e passou uma década escrevendo e mais ou menos buscando redenção. Esse livro foi dedicado ao neto de Lourenço de Medici e tem a intenção de ser um tratado completamente analítico e realista (ele menciona em algum momento que quer ser útil, e portanto, dirá a verdade efetiva) e destrincha as ações de diversos líderes da época e o que fizeram certo e errado, a fim de orientar futuros soberanos. Claro, há momentos cínicos - 'os homens são ingratos e volúveis' - mas há basicamente muita, muita verdade. Foi uma leitura interessante.
Li alguns Harlequins, três em inglês e um em espanhol (confesso que é ligeiramente curioso, parece-me novela mexicana, por falta do hábito), que foram razoáveis, e li o último da J Ward, que foi uma grande decepção. (a da Irmandade Negra).
Li um livro que parecia super fofo,chamado Out of sorts, de uma francesa: a história de um velho que começa em busca de sua cadela, a única criatura que ama, se relaciona com os vizinhos mal, é cativado por uma menina... enfim, tinha uma sinopse meiga, mas a execução foi sofrível, na minha opinião, e ele acabou raso, sem se conectar com o leitor, não crível. Uma pena.
Li a autobiografia Dado: memórias de um legionário, e de novo me arrependi de fazer isso com gente que eu gosto. Costumo ler biografias de pessoas que não conheço ou conheço pouco, portanto tudo será interessante, novo e imparcial. Mas Legião era algo que eu amava muito, e não pude deixar de me sentir vagamente ofendida pela narrativa que me pareceu cheia de uma superioridade sem motivo (o Bonfá é citado duas vezes; o Negrete, um irresponsável, lá no final vira um 'não, claro que ele fez diferença; só era meio drogado, né gente, não era culpa dele'; o Renato, uma prima dona insuportável). A impressão era que o Dado basicamente era o superego da banda, que não iria pra frente sem ele, e que ele não tinha conexão emocional com eles - o que me doi como fã. Pode perfeitamente ser tudo verdade - a gente sabe bem que o próprio Renato, como quase todos os letristas meio geniais, era realmente meio maluco - mas achei escrito com muita defesa e pouco sentimento.
Li A menina da neve, que aparentemente está fazendo sucesso agora. É baseado num conto antigo, e é bem interessante. Não mudou minha vida, veja bem. Mas a história do casal de meia idade que não pode ter filhos e vive meio isolado e um dia recebe uma menininha de gelo é cativante. Do meio pro fim, me irritou um pouco, contudo. Não sei se era a história ou eu.
Li Os últimos preparativos, da Maggie Shipstead, e embora a sinopse em si seja meio tola (um casal que casa a filha mais velha e grávida, os desejos dos pais), a narrativa é ótima, densa, me soou muito como Lionel Shriver, que eu amo.
Li Os impostores, da Chris Pavone, que não fica devendo nada pros Identidade Bourne da vida. Gostei bastante.