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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Letícia lê - semana 3 - Timely classic, Clássico do momento - Dom Casmurro, Machado de Assis

E aí eu li Dom Casmurro. Achei que era hora de ler literatura brasileira, e a Maria, do Bombuteco, mencionou tê-lo relido, e além de tudo esse tipo de livro é gratuito no kindle.

A quantidade de coisas que eu não lembrava sobre o livro! Lembrava do cerne da história (Capitu traiu ou não Bentinho com o amigo? O filho é ou não dele?) mas não me lembrava que isso na verdade é só o núcleo central, e tem um monte de coisas à volta. Por exemplo, a questão de ele ter sido prometido ao clero, as manipulações que faz desde adolescente em nome disso, tudo que acontece dentro da cabeça dele, a amizade dele com Escobar, a paranoia nos mínimos detalhes ("Ezequiel comia como Escobar, concentrado no prato"), a relação dele com as outras pessoas e com a solidão. Isso tudo sim é o que faz do livro algo incrível, e não somente a dúvida sobre a Capitu.

Não lembrava:

1. que o Bentinho é maluco. Vamos conversar, ma-lu-co. Um maluco imaginativo, meio travado, mas ainda assim... Ele sabe um pouco de algumas partes de si: "Tive um daqueles meus impulsos que nunca chegavam à execução: foi atirar à rua caixão, defunto e tudo." ou "Um dos costumes da minha vida foi sempre concordar com a opinião provável do meu interlocutor, desde que a matéria não me agrava, aborrece ou impõe. Antes de examinar se efetivamente Capitu era parecida com o retrato, fui respondendo que sim"

"Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito. É o que vais entender, lendo."
Só que Bentinho se lembra das coisas, como todos nós, do jeito dele. Ele vai construindo as coisas na cabeça dele, e na verdade, no fundo até sabe disso.

Por exemplo, Bentinho imagina Otelo já matando Desdêmona no primeiro ato e como tudo seria diferente e como a vida é um teatro e diz que sabe que a vida não é assim.

Ao mesmo tempo: "Via-me já ordenado, diante dela, que choraria de arrependimento e me pediria perdão, mas eu, frio e sereno, não teria mais que desprezo, muito desprezo; voltava-lhe as costas. Chamava-lhe perversa. Duas vezes dei por mim mordendo os dentes, como se a tivesse entre eles."

"Era um bom amigo, não direi ótimo, mas nem tudo é ótimo neste mundo. E não lhe suponhas alma subalterna; as cortesias que fizesse vinham antes do cálculo que da índole." (analisando José Dias, a quem acha que é calculista e oportunista - agora me ocorre, existe alguém que ele não ache? Se a única pessoa com quem ele estreitou laços era Escobar... bom, tem a mãe. Mas verdade seja dita, ele teve um certo ódio da mãe quando ela o quis enviar para o seminário.)

2. Também não lembrava que o amor adolescente de Capitu e Bentinho era fofo, e poético, e até bastante realista:
"Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na lua, ou então que os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer. Em todos esses sonhos andávamos unidinhos. Os que eu tinha com ela não eram assim, apenas reproduziam a nossa familiaridade, e muita vez não passavam de simples repetição do dia, alguma frase, algum gesto. Também eu os contava. Capitu um dia notou a diferença, dizendo que os dela eram mais bonitos que os meus, eu, depois de certa hesitação, disse-lhe que eram como a pessoa que sonhava... Fez-se cor de pitanga."

"Que as pernas também são pessoas, apenas inferiores aos braços, e valem de si mesmas, quando a cabeça não as rege por meio de ideias. As minhas chegaram ao pé do muro."

"Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, mas uma só criatura seráfica. Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham..."

"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarre-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me". (quando ela está falando de convencer a mãe de Bentinho de ficar.)



"Não sei se alguma vez tiveste 17 anos. Se sim, deves saber que é a idade em que a metade do homem e a metade do menino foram um só curioso."

Bentinho sabia que Capitu era forte, e inteligente, e ao mesmo tempo que era seduzido por isso, seu ego não sabia muito lidar com o fato.






3. E que ele era absurdamente arrogante:

"... coisa que não era necessário dizer, mas há leitores tão obtusos, que nada entendem, se se lhes não relata tudo e o resto. Vamos ao resto."

"Ezequiel morreu de febre tifoide. (...) Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro." Esse deve ser o fim mais triste de um livro que eu já vi. Fiquei olhando pra última página um tempão. Que triste viver dentro de você, Bentinho. (e hats off to you, Machado de Assis! Você é sensacional!)

"E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativa frustradas tentou até amar... Pois bem, não conseguiu, e aqui está." - Dom Casmurro.

Mas minha charge favorita, desculpa aí, é essa: (e diz muito, não diz não??)






quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Letícia lê - semana 1 - Nos estandes - After, Anna Todd

O que eu li essa semana, começando com Nos estandes - uma semana por mês eu falarei de algum livro que me chamou a atenção por estar em exposição nas livrarias e eu li:

Nos estandes:
fui atraída pelo After, da Anna Todd. Um YA, parecia simpático, (gosto das palavras YA, romance, fanfiction) e resolvi procurá-lo no kindle em vez de comprar na livraria. Aí descobri que ele tinha toda uma história: havia sido publicado gratuitamente no watpadd, por uma universitária, baseada nos sujeitos do One direction. A tristeza começou aí. (um pouco por vergonha alheia, na verdade). Enfim, resumindo, são quatro livros, três dá pra achar entre kindle e watpadd e o último ainda será lançado. Eles cobrem dois universitários, o Hardin (que originalmente era Harry, da banda) e a Tess. Tinha partes se referindo ao Morro dos ventos uivantes (claro, tantos romances estão usando isso agora loucamente), e é meio sexy demais pra um YA, além do fato de esse menino ser muuuito Garoto Enxaqueca pro meu gosto. (referência aqui, pra quem não sabe do que eu estou falando.) Mesmo se fosse só Heathcliff, vocês sabem qual minha opinião sobre o drama excessivo, abuso exacerbado e falta de educação generalizada entre o casal, né? Mas não é.
Enfim, a Tess é meio puritana, e claro, se apaixona pelo Hardin, o bad boy da história. Até aí, mais ou menos sete milhões de livros foram escritos sobre isso. Só que rola uma coisa meio doentia e mal educada, e o primeiro livro termina de modo definitivamente vergonha alheia. Para ambos. Para ela, porque ela já disse tantas vezes "eu não falo mais com você, você quer me arruinar, não posso viver com você nem sem você, te odeio", etc, que quando ela realmente quer dizer isso, ninguém tá nem aí. E para ele, porque realmente, realmente ele passou todos os limites da falta de noção.

Aí começa o segundo livro. Mais do mesmo, com o adicional das pessoas à volta dos dois. Ou seja, não contente com transmitir a loucura psicótica adolescente do casal, a autora decidiu que todo mundo havia contribuído para que isso acontecesse. De um certo modo, é justo. Porque a família dele não é normal, embora finja. A dela, Jesus. (e piora no terceiro livro). Os amigos fazem com que o nosso jardim de infância pareça um grupo de mestrado. De verdade, chega a ser engraçado. SQN.
Como uma resenhista do Goodreads bem colocou:

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E finalmente chegamos ao terceiro livro. Por que ele é ruim? porque tudo que aconteceu nos dois primeiros só é elevado à terceira potência. Eles são mais disfuncionais, os términos de relacionamento acontecem com mais frequência ainda (e são ainda menos críveis conforme o tempo passa), acrescenta-se mais tragédia (porque claro, ela vai ficando mais mexicana), mas ela não faz nada pela história. E aí, no fim, chega um momento daqueles doces, que faz o leitor se lembrar do porquê tanta gente continuou lendo (o maluco psicótico adolescente sabe ser bem fofo, quando não está se jogando no chão gritando)...
SPOILER. ALERTA VERMELHO. SE VOCÊ VAI LER E NÃO QUER SABER O FIM, PARE AQUI.

ESTOU AVISANDO.

... e não, eles ainda não ficam juntos nesse momento. Literalmente, a página termina com ela indo correr em direção a ele, toda derretida com o que havia começado por ser algo terrível que ele tinha feito (estou tentando manter os spoilers no mínimo aqui) e terminou sendo fofo. E aí, na página seguinte, você lê e descobre que eles ficaram separados anos...
e piora! Durante esses anos, subitamente os dois se tornaram pessoas maduras, normais, deixaram de gritar, beber, se drogar, chorar a cada cinco minutos, qualquer comportamento destrutivo. Tipo,

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Pois é. Eu sou bem fã de YA, mas me recuso a reconhecer essa série como tal. Era tipo erotica para universitários. E deprimidos. Ou maníacos. Enfim, gente que busca automedicação. Há realmente momentos fofos, reconheço. Sou a primeira a dizer que amo heróis meio malucos. Mas tudo tem limite.