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Leticia's favorite books »

quinta-feira, 15 de junho de 2017

1a. quinzena de junho - aleticiale2017

Li/I've read...

How to be good, Nick Hornby - This British guy who became famous for High fidelity is a wonderful writer. That sort of "guy next door"writing that you can't help but liking, I've always thought. As many of the other books in my journey this year, I remembered very little about this title, and traipsed around these pages like a drunkard. The characters are horrific, imho. The main character is a doctor, and the number of times she mentions that alone is a reason for you to hate all GPs in the world and think they are as self-absorbed as she is. She thinks of divorcing her husband, another self-absorbed brat, and then something happens, and he decides to be a self-righteous brat instead. Everybody is equally horrible, I think. Even the kids don't add to anything good. They go from "we hate each other" to "we may be hateful", he decides he will adopt a weirdo and "be good" and all hell breaks loose. Now, the million dollar question would be, is it worth reading? Surprisingly, it sort of is. Hornby writes very well, and despite the depressing tone of life he conveys in this story, that is fine literature.

A caverna, José Saramago - Que livro sensacional. Não sei nem como começar a falar dele sem usar adjetivos, o que diria Stephen King que está errado. Dane-se Stephen King. É incrível, é lindo, é poético. O protagonista, sua honestidade crua, sua filha, o genro, o cão Achado. Até chegar à caverna, muito se percorre, e nenhum passo é em falso, posso assegurar. O mais lindo é que se está falando simplesmente da vida, da vida de oleiro, da vida que precisa ser vivida, nada mais. E de algum modo a gente se envolve, se aproxima, e no fim, quer ir com eles. Pra onde eles forem. Ah, Saramago, você foi embora cedo demais.

The house of sleep, Jonathan Coe - So far, I didn't know why I once thought this guy was so wonderful. After this book, I finally had an inkling. It is superbly well written and well thought of, in terms of structure - like the stages of sleep - and characters. Still, for me, not something I want to re read when I get old.

Tinto de verano, Elvira Lindo - Um livro de crônicas em espanhol que me soou muitíssimo como Martha Medeiros.

A promising man, Elizabeth Young - Chick lit that is honest and reasonably fun, but a bit on the serious side - there were some things I thought were a bit far fetched, like how involved the hero was with helping the young girl who was nothing to him at all - and despite the fact I respect how not of a wimp the heroine was, for a change, it got a bit tiresome to read so much about nothing.

The guy next door, Meg Cabot - The book was all written in e-mail format, which is amusing in 2017, because it feels so odd. (it was published in 2002, you all old souls). First, because it is not natural anymore, and second, because the author is actually able to give voices that sound authentic to most of the characters. The romance is cute and old fashioned - as a 2002 book with a pink cover was expected to be - and in general, it was a great afternoon with a cup of tea. But it hasn't changed my life, nor it will change yours, unless you have a fetish with e-mail, it is your first chick lit or you are in love with Meg Cabot.

terça-feira, 6 de junho de 2017

6on6 maio!

Fiz com as minhas próprias mãos!!! E a ajuda da Lara, da @coisinhas e tal e cia!

Almoço delícia de ravióli de búfala com pesto de manjericão, linguiça calabresa e um vinho de Puglia incrível!
Paolo Nutini incrível! É um escocês com voz delícia que vale a pena ouvir.

Essa é a história da nossa vida, agora duplicada... Zara bebendo água como se a Cantareira fosse zero problema e ensinando ao Panzerotti...

Buttina, em Pinheiros, onde comi um spaghettini de cacau com mascarpone bem sensacional num dia de chuva pós reunião com cliente.

O presente da Babi mais amado. O palito de dente foi piadinha interna, mas a capa de celular reflete um amor que a gente compartilha 💜

Algumas das fotos já estavam no instagram (aspequenasegrandesalegrias), se vc tem, aparece lá!

beijo <3

quarta-feira, 31 de maio de 2017

2a. quinzena de maio - aleticiale2017

I've read/Li...

The sweetness of tears, Nafisa Haji
The beginning was a bit dull, but after I picked it up I enjoyed it and considered it good for what it is: a story of many lives connected through real love, be it fraternal, romantic or fatherly.

A touch of love, Jonathan Coe
This one I really disliked. Not only because it is so tragic and awful but because the narrative seemed to me stuck with the coming and going of the many (uninteresting and self absorbed) characters.

A perfect hoax, Italo Svevo
Another story very well told, about something very ordinary. Mario is compared to a child many times, and Gaia is the typical bully who gets punched in the end as our hearts would like to hear. Despite the fact his illusions are declared to be shattered after the whole kaboodle, it is a happy enough ending

A life like other people's, Allan Bennet
It gets a bit tiresome even if his tone is usually light and interesting, with pictures and anecdotes. Probably because the subject is after all so heavy. (The disease and death of some family members, among them the parents and aunts)

David Copperfield, Charles Dickens
And then I found out I knew nothing about this book... I thought it was about an orphan wandering around, but my first hint at the fact it might be more than that was that at 34% of the book he had already found a new abode. I still remained suspicious about this state of affairs for a while, lest the new tutor should die suddenly, but hey, Trot Copperfield was 18! 
And so much happens. With the acquaintances he made, with his irritating naivete, with the unnerving irony. There were moments that didn't hold a candle to any soap opera, and there were others... You gnawed at things.The Micawbers, Dora and later Agnes, Traddles and Steerforth, the awful Mr Mell's episode at the beginning, the craziness with Mr Dick, the constant irony borne of naivety. Dumbfounded, I will say two things that cannot be considered spoilers: one, Dickens was really really something. The talent, mastery of words and sense of irony put others to shame. Two, it is NOT a "book about an orphan". This hardly scrapes the surface of a whole hot biography.Not my favorite classic, but it will hold a dear place in my heart.

A desumanização, Valter Hugo Mãe
**spoiler alert** Melhor do que eu esperava ao chegar no meio. Achei estranho o peso da língua portuguesa e sua poesia com a imagem dosfiordes islandeses, mas provavelmente preconceito meu. O final redime muita coisa, mas não tudo. Acredito que a desumanização vem da própria estrsnheza de ser uma gêmea que perdeu sua metade e com isso sua chance de ser criança- engravidando, lidando com a completa loucura da mãe e a omissão do pai - aos 12 anos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

1a quinzena de maio - aleticiale2017


Cânticos, Cecília Meireles - doçura infinita, a musicalidade que faz parte do movimento poético dela presente em cada página. Essa edição é particularmente fofa, porque traz a transcrição dos originais.

A tia Júlia e o escrevedor, Mario Vargas Llosa
Continuo me surpreendendo com o fato de que me lembro tão pouco dos livros que li na vida. Depois de Travessuras de menina má, esperava que esse fosse incrível, e achei bem menos incrível que essa expectativa. Alerta de spoilers, acho: não me lembrava de que os capítulos alternados remetiam às histórias do narrador de novelas Pedro Camacho, nem de que ele virava uma certa piada triste no final. Também não me lembrava que de que a tia Júlia e o Marito, os personagens principais, se tornavam um casal, depois de muito drama, e quando finalmente acontecia, o casamento acabava em algum momento, sem se explicar o porquê, o que talvez não fosse importante, embora eu tenha sentido falta. O próprio Marito me soou um boêmio meio sem caminho em busca de ser burguês, se é que isso faz sentido. Não curti muito não.

Ilusões do Mundo, Cecília Meireles
Esse é o livro de crônicas da Cecília, e embora seja literalmente poético, não é tão doce e interessante como os poemas. Tem um toque internacional e multicultural bom.

O livro das ilusões, Paul Auster
Paul Auster é um desses autores que eu considerava um favorito. Relê-lo foi interessantíssimo, é como me redescobrir. Esse livro tem toques de genialidade maravilhosos. Tem um momento no qual você sorri pensando "isso aqui é muito "Paul Auster", com o 'inner life of Martin Frost', uma parte na qual o personagem escreve um capítulo e a musa inspiradora definha enquanto ele termina, como se fosse a mitologia tomando vida; ao perceber isso, ele queima a obra-prima, escolhendo o amor, algo muito sutil e muito surpreendente na narrativa. Fantasticamente escrito. Mas é uma parte bem breve. O livro em si é sobre um sujeito que perdeu a família e está no fundo do poço, e se fascina por um astro do cinema mudo que desapareceu. O simples fato de que ele consegue descrever cenas infinitas do cinema sem se tornar entediante é testemunho de como ele escreve bem. Assim mesmo, não acho que é o melhor livro dele.

I've read...

Leviathan, Paul Auster
The book starts with someone who literally blew himself up. Then it is difficult not to get involved with the myriad of characters and to find out who is in love with whom, - and there's a bunch of those... , how they got there and why. As most of Auster's books, the story is unbelievable, absurdly well written, subtle and full of human, deep stuff. At the end, you barely know how to describe what you read, but you feel something.

Mr. Vertigo, Paul Auster
This is, in my opinion, one of the most American stories he wrote. I think it is the feeling of picking up a boy and the road trips, searching to sell his talent, the Native American + the Negro + the Orphan, the Jew and the Rejects, the Bad Uncle, the characters with this kind of capital letters, you know? that he makes a point of emphasizing. all the archetypes that seem to be put together literally with magical talents. I was mesmerized through the whole reading.

Travels in the Scriptorium, Paul Auster
One of my least favorites. To this point, have no idea what was the deal with Mr. Blank, the main character. Oh, there we go. Mr. Blank - see the pun?

The Rotters'club, Jonathan Coe
Coe was another one of my favorite writers, till I started re reading. The thing is, he writes very well. The first 100 pages are involving and fun and interesting, but at some point there is so much going with so many people you start to lose track and patience -  not all of them are terribly amusing, that is the truth.

The closed circle, Jonathan Coe
Sequel to the Rotters'club, so whomever was interesting keeps being so, whomever wasn't is even more boring.

The Undomestic Goddess, Sophie Kinsella

Ask the dust, John Fante
I'm sure I'm a dumb bell and deserve a scolding, but honestly, I just hate Bandini and his horrible personality, and I think it kept me from enjoying the book's other qualities, whatever they are. Come to think of it, I think this is what people like about Bukowski and Nelson Rodrigues, and I don't get them either. I feel prudish and bothered by them, keep wanting them to show some redeeming qualities after all. Sorry. Sue me.

A pale view of hills, Kazuo Ishiguro,
The narrative is involving and so subtle and full of nuances, the book is worth reading just for it. Some things bother me, though: there is this suspicion that Etsuko may in fact be Sachiko, the traumatized post war kitten killer - and maybe child killer- and Mariko might be Keiko, the latter suicidal daughter, which would explain a couple of things such as what happened to S and M or why Keiko killed herself or the glimpses of personality you see in Etsuko. 
There is slso the possibility this is too much imagination and in that case all of that is unanswered and deeply dissatisfying.
So, three stars it is.

The dwarves of death, Jonathan Coe
Another forgettable book, sadly. Well written, with some surprises, not obvious: it could be a crime book, but it is more than that. It could be a contemporary book, but it is more than that. And in this it relies the genius of the author. But I did not love it, and it will go to the pile of 'to sell/trade/give away'.

sábado, 6 de maio de 2017

6on6 - abril

Da visita à Pinacoteca:

O quadro retratando a terra do meu pai eu não resisti a registrar...

Entrada da Pinacoteca, imitando Victor Brecheret. Demais, né?

E essa estátua, que só falta um celular para estar tirando uma selfie, rs?

Não pode faltar minha duplinha dinâmica, né? Olha como o Panzerotti já tá crescido <3

Presentinho de Páscoa do nosso chefe para o escritório: um rolo de 700 g da Chocolat du Jour. Difícil, viu?

 Presente de Páscoa, um incensário vintage da minha mãe roubado, e o Panzerotti fazendo figuração ali atrás.

Prue é muito fotogênica, né não?

domingo, 30 de abril de 2017


Num único domingo turistando em São Paulo, teve Coral Paulistano no Mosteiro de São Bento (presentão de Domingo de Ramos), Arte no Brasil, uma das exposições da riquíssima Pinacoteca (e no domingo Pina família, a entrada era gratuita) e passeio no Parque da Luz, que eu não conhecia e achei lindo demais. Teve também o sanduíche de mortadela do Mortadela Brasil, no Mercado Municipal (acho mais leve do que o do Hocca Bar, embora deva ser pecado dizer que 300 gramas de mortadela sejam leves...). Que delícia... Recomendo fortemente que a gente seja tão turista na nossa cidade como somos em outras. Treina o olhar e diverte.

Também fomos, na Restaurant week, ao Clos de tapas, um restaurante lindíssimo na Vila Nova Conceição. Comi um ovo perfeito no creme de crustáceos na entrada, e só ele já valia a visita - que coisa mais linda :) nossa amiga pediu o nhoque de beterraba e não resistiu a tirar uma foto, porque era um dos pratos mais lindos que ela já tinha comido. Era mesmo. todos eles eram obras de arte visuais. O prato principal era bom, mas não mudou minha vida: um peixe com risoto muito bem executado. A sobremesa também, linda e fresca, com chocolates e sorbet de frutas vermelhas.

Esse é o Gajos, um português ali perto do shopping Ibirapuera. Não mudou minha vida, mas é simpático. O serviço estava bem demorado, infelizmente.

Buttina é sempre um vencedor na minha lista. Esse italiano na João Moura tem uma jabuticabeira linda incorporada ao salão ali em cima, e um spaghetini de cacau com mascarpone bem feliz.

2a. quinzena de abril - aleticiale2017

Li/I've read...

Shopaholic to the rescue, Sophie Kinsella - in pursuit of my Kinsella marathon, this was the last of the shopaholic series. I've found out it was the only one I didn't have in my shelves, but I had it on kindle. (usually I have both, sue me, I'm a fan). Honestly, I don't like it very much. It revolves around Becky Bloom after her estranged father and her best friend's husband, who suddenly decided to go on a trip to the desert nobody knows why. She is escorted by her mother, her mom's best friends, a couple who live next door, the aforementioned best friend and Alicia Bitch Legs. Everybody who knows the books already thinks it's fishy, but it only goes down the hill from here: the best friend is a total bitch to her throughout the whole book, and even though at the end it is all revealed and teary, this was a decoy used two books before, so not only is it a bit unbelievable but also monotonous. The mother is in total hysterics, and after a while you just want to know why Becky doesn't go on some therapy to realize she is a punch bag for all these people. I know she has a heart of gold, but there is that and there is this book. It annoys me.

Remember me?, Sophie Kinsella - the story is cute and the characters too, but I saw myself deeply bothered by the fact that there was some romance going on that shouldn't be happening. Can't say any more. Spoilers on goodreads.

Twenties girl, Sophie Kinsella - I'd completely forgotten this ghost modern story that revolves around a headhunter and a dead aunt mingling in search of a necklace with a plot twist and everything. Even though the hero is not the typical sweetie Kinsella writes about, it's fun and light.

Undomestic goddess, Sophie Kinsella - the plot is so absurd it seems like a Mexican soap opera. A totally driven lawyer, on the eve she's about to become full partner, is found out to have made a horrible mistake that costs 50 million pounds to the company, and completely crazed, she ends up in a manor in the countryside, mistaken by the housekeeper sent by the agency (btw, apparently nobody else ever applied) and there she stays. You'd think it's hard to pull it off, but then you're not Sophie Kinsella. It's light, fun, easy to relate to Samantha, as absurd as it sounds, and the only thing that kept me from giving it 5 stars was the ending with the three times she goes back and forth. Can't one of Sophie's heroines be actually determined?? :P

Wedding night, Sophie Kinsella - I like the main plot and the subplot! Fliss'story is almost as interesting as Lottie's, and for that matter, Lorcan is almost as interesting as Richard or Ben. I'll say no more.

As pequenas memórias, José Saramago
Quem sabia que o nome do Saramago nem era Saramago, e foi "o primeiro caso no qual o filho teve de dar nome ao pai?" eu não! esse livro é uma autobiografia da infância dele, e embora as histórias não tenham muita costura entre elas, como ele não está mais entre nós nesse planeta, é sempre um prazer ler o que restou :)

Claraboia, José Saramago
Aparentemente esse foi um livro cuja publicação foi recusada, mas o que eu acho é que talvez um certo guia e editor tivesse ajudado. Os personagens são interessantes e a narrativa também, mas achei que termina meio sem precisar, sabe? queria saber um pouco mais de alguns deles, um pouco menos de outros... não sei. Se você leu, me conta o que achou.

Um teto todo seu, Virginia Woolf
Emprestado de uma amiga, esse livro foi uma surpresa. E colocou Virginia Woolf tão acima no meu conceito! Que mulher conseguiria escrever com tanta propriedade e racionalidade sobre a mulher na ficção (o tema que lhe foi pedido) e enveredar pelo empoderamento feminino EM 1930? Sensacional. Na minha ignorância, estou pra te dizer que ela também fala bastante da meritocracia, quando basicamente descreve  os x escritores famosos da época e suas condições. Ela diz que para a mulher escrever ela precisaria de 500 libras por ano e um teto todo seu, sem depender de outras pessoas. Livro fácil, não só por ser interessante mas pelo tom, e relevante. Recomendo.

A ilha contada, conto contemporâneo em Cuba.
Tenho esse livro na estante há anos. Tenho parentes em Cuba, e tinha uma natural curiosidade em saber o que se escreve lá hoje em dia. Foi curioso. Menções a parques de diversões, a jogos de baseball, dramas humanos, um colorido interessante, dois contos que amei, outros que não curti. Mas sempre aumenta a perspectiva, né? É bom saber que nosso mundo não é só aqui.

Fundamentos de psicologia analítica, C Jung
Um dos personagens de livros que eu li estudava símbolos e pensei que seria interessante reler Jung, vinte anos depois (fiz psicologia, mas nunca exerci). E foi. Acho esse suíço muito centrado, muito "com noção",  sabe? Esse livro é uma transcrição de cinco conferências que ele fez em tavistock, e é bem velho, mas didático, porque ele ainda está falando bem lentamente das funções de pensamento, começando a contar da análise de sonhos, dando mérito a Freud e Adler, falando do inconsciente de Kant, colocando pingos nos is. Bem interessante, mesmo pra quem não fez graduação na área.

sábado, 15 de abril de 2017

1a. quinzena de abril - aleticiale2017

Li/I've read...

9th and 13th, by Jonathan Coe - a very short book with some stories, one of them brilliant and the others, imho, just okay. I love Coe, however, and strongly recommend you try this one as the appetizer for his other books.

Otherwise Pandemonium, by Nick Honrby - this very short book has two stories, and the first one is great: a high school student finds out, almost by accident, a VCR (yes, who remembers those?) that fasts forward to the future, and instead of making money, he basically uses it to predict doom and lose his virginity. Ah, the innocence of the youth lol. But Hornby has this streak for narrative that is friendly and fluid, and you always want more.

The wave, Todd Strasser - based on a real story, an experiment that took place in California in 1969, and turned into a movie and a series, I think (I saw the movie), the book is my yearly re read. It never ceases to be shocking, though. And sad. and interesting. And slightly crazy. Just like the facts that originated the beginning of the experiment - the curiosity of a bunch of students about the Nazis and their way of thinking. Definitely worth reading.

Literatura comentada, Mario Quintana - Todos esses que aqui estão, atravancando meu caminho/eles passarão/ eu passarinho! - não dá pra ser mais fofo que isso, né? mas dá. A prosa é tão doce e bem escrita quanto a poesia, e esse é um velhinho pra se conhecer.

É agora como nunca: Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira, organizado por Adriana Calcanhoto - se eu já conheço pouco poesia, imagina a contemporânea. Conhecia dois ou três nomes, e é sempre interessante saber o que se está escrevendo por aí. Isso dito, como toda antologia, o gosto de quem escolheu é ligeiramente pessoal, e embora a temática seja excelente - o agora - nem todas as poesias "conversam" do mesmo jeito comigo como leitora.

Tudo que nunca contei, Celeste Ng - estava na minha lista há anos. e imagino que vá entrar em voga novamente, com a tal série advogando o suicídio (13 reasons why) do Netflix. Mas fiquei com gosto de quero mais. Achei que terminei o livro querendo saber tão mais sobre todo mundo, com a sensação de que não conheço ainda nem a Lydia, que perdemos no primeiro parágrafo, nem Hannah, que queria muito conhecer, nem seus pais, que vão do imperfeito ao quero ser perfeito que me deixou insatisfeita, nem o entorno. Acho que abordar um assunto como esse requer mais profundidade, mais empatia, mais amor, e mais informação. Ou seja, não foi detestável, mas não gostei. não teve a empatia de All the bright places, nem o lirismo de The wrath and the dawn.

Cinco esquinas, Mario Vargas Llosa - livro desconhecido para mim do Vargas Llosa, depois de Travessuras da menina má, então altas expectativas, né? pois eu realmente não gostei. Achei meio mais do mesmo, achei muito sexual, achei a trama meio óbvia sem ser interessante, meio novelesca sem ser reveladora... sei que soa feio, mas se não fosse dele eu teria largado o livro. como era, fiquei insistindo esperando ser algo mais interessante do que se tornou. Nunca melhorou. Decepcionante.

My not so perfect life, Sophie Kinsella - oh, how much I missed her <3 and she didn't disappoint me. Even if there were some hollywoodian turns, they were not predictable and it was fun and interesting. Her voice is always the same, and it feels like the person whose sense of humor totally reflects yours, you know? I start smiling by the beginning of the sentence knowing how it is going to end many times. It actually led me to...
a Shopaholic marathon! (actually, a Kinsella marathon, but I'm nothing if not thorough, so I started with the first book I read from her, Confessions from a shopaholic)
I've re read all seven books:
Confessions of a shopaholic - my mind had been playing tricks on me, because I didn't remember important bits, such as Tarkin's first crush or Suze's real looks or how she manages to get rid of debt in this book - Ihad got it confused with the second book. So see, it was great re reading it!
Shopaholic takes Manhattan - I can only imagine what it is like for a Brit shopaholic to go to NY for the first time. The brands, the outlets, the strong currency... I'd go crazy too, lol! and also, Luke <3 and one of my favorite scenes, the t-shirt worn as fashion because she packed light.
Shopaholic ties the knot - the double wedding is something only Becky Bloom would do. At least, believably.
Shopaholic and sister - one of my least favorites. Jess annoys me, Becky seems under the weather for most of the book, Luke is all macho, I don't like it.
Shopaholic and baby - Kinsella being creative all over again. That Venetia is almost Mexican soap opera worth it.
Mini Shopaholic - Even if Minnie sounds a bit of a nightmare, the ending made it all worth for me. I love it.
Shopaholic to the stars - Again, not a favorite: too much drama, too much side plots - I don't care so much about all that soap opera thingy celebrities do - and sadness that doesn't agree with her. Also, where's Minnie?
I still have to read Shopaholic to the rescue, which vanished from my bookcase - apparently, I have two Wedding nights, though. Anyone for bartering? And then I'm going to go for the random ones, Can you keep a secret?, Twenties girl, and so on, which I absolutely love.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

6on6 - março 2017

Meu pai fez churros para o escritório todo, juntando 20 pessoas num domingo friozinho. Muito amor <3

Prue é tímida, mas tão fotogênica, né?

Minha poltrona de leitura foi destruída pelo demoniozinho, quer dizer, gatinho novo. E aí quando fomos comprar outra decidimos trocar tudo no escritório, que nunca foi mesmo usado como escritório. D. fez um desenho em escala 1:15, desculpa sociedade, para podermos planejar a compra de móveis. Achei tão talentoso...

Essa foi a mesa que escolhemos para a cozinha depois que a nossa desabou rs. É da Oppa Design, um site que amei muito.

Esse é o ravioli de gema com manteiga trufada, a entrada mais delícia do Modi Gastronomia, lembra dele? sensacional.

Fomos ao Rio para visitar uma cliente e na volta nosso consultor querido nos levou a essa livraria, na galeria da Av Rio Branco, a Livraria Leonardo da Vinci. Sensacional <3 e olha que ideia legal - eu conhecia a ideia dos Books without covers, mas não tinha visto em prática no Brasil. Vc basicamente embrulha livros com um parágrafo sobre eles e a pessoa compra sem saber o nome, o autor ou o tipo. Legal, né?

sexta-feira, 31 de março de 2017

2a. quinzena de março - aleticiale2017 + andanças, que a vida não tá fácil


Enclausurado, Ian McEwan - ganhei esse livro de aniversário de alguém muito querido, caso contrário não o teria lido, porque aparentemente meu espírito não se comunica com o de McEwan. Isso continua sendo verdade, infelizmente. A premissa é incrível - um bebê ainda não nascido, no ventre da mãe, narrando a intenção dela e do amante, seu tio, de matarem o pai e ficarem com a casa e herança. Mas me incomodaram as pequenas coisas - em algum momento a voz desse narrador passa a "esquecer" que não conseguiria descrever em detalhes algumas coisas, e se alterna nas descrições super detalhadas que teria "ouvido" e outras que não. Me irritou a ponto de querer entender como foi feita essa edição, porque deve ter sido uma escolha... enfim, houve dois momentos que em termos de narrativa foram incríveis, e acho que é por isso, mais a premissa, que as pessoas costumam gostar tanto.

Heart of a dog, Mikhail Bulghakov - he was born in Kiev, and the book is supposed to be a satire related to the Russian revolution. Of course, portraying a Professor who states he is against the Proletariat, is the only one living in seven rooms - and being protected to do so - and playing with rejuvenation, we are off to a good start. We add to that the fact that a dog is a great narrator - I actually liked him a lot up to the point when he turned almost human - seems familiar?
the Professor tries a transplant and ends up turning the old mutt Sharik into a new member of - what? human race? his family? his quarters? - and that's only one of the problems.
INteresting, fun in that not obvious way, creative and obviously, revealing as to how sad we are as people...


ver Logan - eu sei que estou soando garota enxaqueca, e que quem gosta das HQs deve ter amado, mas detestei ver o decrépito que antes era Wolverine.
ao Modi Gastronomia - AMO esse lugar. Gosto do custo benefício, gosto dos pratos, gosto do ambiente, AMO o ravioli de gema da entrada. O novo, do shopping Morumbi, ainda parece estar acertando o ponto - a lula veio semi grelhada, o ravioli de gema tinha um pedacinho de casca de ovo, o ravioli de abóbora estava sem sal. Mas tenho fé que é questão de tempo. Não é fácil ser brilhante nesse cardápio simples e gostoso que eles tem. E sempre temos as unidades de Higienópolis.
ao Attimo, no Restaurant week. Para um restaurante com uma estrela Michelin, achamos beeeeem mais ou menos. Claro, vc pode dizer que é por conta do menu Restaurant week, mas eu tenho aqui pra mim que o chef é o mesmo, os ingredientes, conceito, tudo igual. Já houve diversos restaurantes que entraram na nossa lista de favoritos na vida por conta dessa semana, que afinal tem essa intenção, né? de expandir a base de clientes? então ou os caras desprezaram essa ideia, e nesse caso o meu eu corporativo acha isso bem pobre de espírito, porque era muito melhor não participar, ou simplesmente são ruins, ou no desenho do conceito ou na execução. Que fique claro: nada estava horrível. o cardápio que eu escolhi (há duas opções para cada prato) era um carpaccio, bonzinho e fresco, uma polenta com ragu de linguiça (a polenta estava com o gosto do pó, nada de cremosa e feliz; a linguiça bem apimentada) e um mousse de chocolate razoável. Não valia o preço e muito menos atendia a expectativa de um restaurante incrível, no máximo um executivo razoável. Da carta de vinhos, metade não estava disponível, e claro, pagamos 16 reais por uma Stella Artois pequena.  Pode ser que esse não seja o padrão deles, mas não me deu vontade de voltar.

quarta-feira, 15 de março de 2017

aleticiale2017 - 1a. quinzena de março

What makes Sammy run?, Budd Schulberg - this had been on my shelves forever. At some point I had read a great review on this book and bought it second hand, but never got to read it. Then, on my quest for cleaning shelves and reading everything I hadn't, this went to the pile (well, it is not a pile: it is a very organized basket that now comprises titles which wouldn't meet in any cocktail party, I guess). It had a wonderful beginning, narrating the always on the run (no pun intended) Sammy Glick the copy boy soon to be discovered as a sleazy bastard by his boss, Al Maheim, the narrator. The narrator is also the person who asks the question - what makes Sammy run? - even though I think it is pretty obvious. These guys work in the late 30s, early 40s Hollywood, in the world of screenplay writing, and Sammy basically wants out of his old life - his Jewish family, including his old name, his  parents, and most of all, his being nobody. He does everything he can to be mentioned by name, and well, he soon is.
I didn't like the ending, which I thought was abrupt and a bit silly.

The great Gatsby, F. Scott Fitzgerald - oh well, I must admit I like a lot of it: the vulnerability, the shallowness, the sadness. But I wanted to kick Daisy's butt so hard, and I hated the ending, and I don't get it why it is considered such a magic book. Sue me.

The catcher in the rye, JD Salinger
Holden Caufield: a lost boy. I guess that sums it up perfectly. He is right when he identifies the assholes, however.

She: A chave para o entendimento da psicologia feminina, Robert Johnson
Um desses livros fininhos, que vc pega inadvertidamente e senta e... puxa! com o mito de ERos e Psiquê por trás, Robert Johnson usa a simbologia toda para falar do feminino. Dos lutos pelos quais Psiquê tem de passar, da simbologia que Afrodite, a mãe de Eros, representa, de como ela supera - ou não - obstáculos. Já dei a uma amiga e espero que ilumine a vida de várias outras mulheres.

Holding up the universe, Jennifer Niven - #wearealllibbystrout - no, we are really not. I wish we were, though, because she is such a force of nature... something to be reckoned. A girl who had to be removed of her house with a crane, because she was morbidly obese - mostly due to suffering so much from grief. Then, she is homeschooled, and then one day she thinks, what the hell, I should join the school again. She is still very heavy, and will go through what still makes me boil with shame and embarrassment. And she does all that wearing purple bikinis. Ah, did I mention it's also a love story? There's this guy who comes across her way, and well, he should. In any case, it's a YA, and unlike so many others, it actually can teach the girl readers some of what it souls should be made of. I'd be proud of Libby, had I met her.

Pequenas grandes mentiras, Liane Moriarty - Reli porque comecei a assistir a série da HBO e fiquei intrigada - lembrava da Maddie morena, de um filho do meio, de coisas que não apareceram. E gente, como ela é fantástica. O livro teve a mesma maravilhosidade da segunda vez que da primeira, ou até mais, porque não havia a ansiedade da primeira vez. Os personagens são bem construídos, a narrativa é envolvente, é divertido, é profundo... que autora sensacional.

segunda-feira, 6 de março de 2017

6on6 - fevereiro 2017

#andanças. Fomos ver God, com o Miguel Falabella, comemorando a meia entrada do D.

Fomos também jantar na Mimi, pra estrear a mesa de jantar nova dela.

Prue é a prova que foto tem de ser no ângulo certo. Nem parece que ela é obesa.

Fomos também ver Histeria, montada num encontro com Dali, Freud e a filha de uma paciente de um caso, num roteiro muito bem produzido - presente de aniversário do escritório. Muito interessante :)

Pra não perder o hábito, arranjo do Atelier em flor pra comemorar meu aniversário.

Parece a Zara e o Panzerotti, mas é uma gatinha que encontrei no estacionamento da natação - aparentemente, havia sido abandonada pela família de um senhor que morreu, quando fecharam a casa, e estava vagando ali há uma semana, super dócil, veio quando chamei imediatamente. Trouxe pra casa, dei comida e colo e foi um final feliz bem rápido: achei um dono muito fofo e amoroso que já está tomando conta dela e prometeu nunca mais deixá-la pra trás. ufa!

Tudo isso aí na feira foi 5 reais Delícia, né?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

aleticiale2017 - 2a. quinzena de fevereiro

Cheguei a um terço da meta do ano, o que é bom.

Cartas extraordinárias, organizado por Shaun Usher, que incrível <3. Estava na minha estante há anos, presente da Tati Feltrin, esperando um momento especial. Minha reclamação é que eu gosto de ver as letras das pessoas, e queria ver os originais. Nem sempre tem: a maioria é a tradução e em Times new roman, o que perde um pouco a graça. Mas o conteúdo e a curadoria foram incríveis, que delícia de leitura. Recomendo ainda mais que o das listas, e eu amo as listas.

Breakfast at Tiffany's, Truman Capote. Nem tenho vergonha de dizer que é um desses que estava na minha estante há anos e eu nem me lembrava de ter lido. Por um lado, achei interessante e bem escrito. Por outro, ainda não sei qual o fascínio tão absoluto que a Holly (ou Lullamae) exerce sobre todo mundo. Preciso pensar mais sobre isso.

Histórias de fadas, Oscar Wilde. Depois de ter lido sobre a época de prisão e o fim da vida dele, é ainda mais triste ler essas histórias, que são quase sem exceção muito tristes e meio irônicas. Mas valem a leitura, sem dúvida.

O seminarista, Rubem Fonseca. Emprestado. Achei meio bruto demais pra mim, especialmente o final, muito descritivo. Um policial para meninos, com o perdão do sexismo.

Uma janela em Copacabana, Luiz Garcia-Roza, em compensação, gostei muito. Achei mais sutil e interessante, e o final bem surpreendente.

Claros sinais de loucura, Karen Harrington - essa é uma história para adolescentes, YA, escrita por uma personagem cuja mãe tentou matá-la. Devia ser muito horrível, né? Mas é de fato pungente e bem escrita, adolescente mesmo. Acho isso original. Foi uma releitura, e ainda gosto do livro.

Passarinho, Crystal Chan - outra releitura, que gostei um pouco menos do que gostei da primeira vez, sobre uma menina que vive com uma família e suas tragédias sem saber muito bem o que fazer com elas.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury - gosto tanto da premissa. Gosto menos de algumas partes do desenvolvimento, mesmoq ue entenda que fazem parte do mito. Da inana Mildred, da completamente fora da caixa Clarisse - me parecem muito estereotipadas - e do fato de que aquele final me dá uma sensação de incompletude.

E vamos embora :)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

aleticiale2017 - 1a. quinzena de fevereiro

Cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke. Esse é um pedaço da Carta número 8, que eu reli diversas vezes, acenando com a cabeça daquele jeito que a gente faz quando queria ter escrito e se sente a um tempo estúpido e profundamente intelectual:
No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar. Por terem os homens revelado covardes nesse sentido, foi a vida prejudicada imensamente. As experiências a que se dá o nome de “aparecimentos”, todo o pretenso mundo “sobrenatural”, a morte, todas essas coisas tão próximas de nós têm sido tão excluídas da vida, por uma defensiva cotidiana, que os sentidos com os quais as poderíamos aferrar se atrofiaram. Nem falo em Deus. Mas a ânsia em face do inesclarecível não empobreceu apenas a existência do indivíduo, como também as relações de homem para homem, que por assim dizer foram retiradas do leito de um rio de possibilidades infindas para ficarem num ermo lugar da praia, fora dos acontecimentos. Não é apenas a preguiça que faz as relações humanas se repetirem numa tão indizível monotonia em cada caso; é também o medo de algum acontecimento novo, incalculável, frente ao qual não nos sentimos bastante fortes. Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo de vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança. Entretanto, quão mais humana, aquela perigosa incerteza que faz os prisioneiros dos contos de Poe apalparem as formas de suas terríveis prisões e não desconhecerem os indizíveis horrores de sua moradia. Nós outros, aliás, não somos prisioneiros. Em redor de nós não há armadilhas e laços, nada que nos deva angustiar ou atormentar. Estamos colocados no meio da vida como no elemento que mais nos convém. Também, em conseqüência de uma adaptação milenar, tornamo-nos tão parecidos com ela que, graças a um feliz mimetismo, se permanecermos calados, quase não poderemos ser distinguidos de tudo o que nos rodeia. Não temos motivos de desconfiar de nosso mundo,pois ele não nos é hostil. Havendo nele espantos, são os nossos; abismos, eles nos pertencem; perigos, devemos procurar amá-los. Se conseguirmos organizar a nossa vida segundo o princípio que aconselha agarrarmo-os sempre ao difícil, o que nos parece muito estranho agora há de tornar-se o nosso bem mais familiar, mais fiel. Como esquecer os mitos antigos que se encontram no começo de cada povo: os dos dragões que num momento supremo se transformam em princesas? Talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas que aguardam apenas o momento de nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo horror em última análise, não passe de um desamparo que implora o nosso auxílio.

Não amei o livro todo, houve cartas que me deixaram inerte e acho que não podia ser diferente. Mas houve passagens como essa, que acredito que são o que fazem o livro ser relido desde que foi publicado, há um século.

Aqui estão os sonhadores, Imbolo Mbue. Um desses livros comprados por impulso, porque adoro ler coisas diferentes e a autora era camaronesa - e eu não sei nem apontar Camarões no mapa, e parecia uma narrativa interessante, sobre um casal de imigrantes de Limbe que estava lutando para ficar em NY versus um casal de alta sociedade cujo marido trabalhava no Lehmann Brothers na época do escândalo. Bom, não decepcionou: foi mesmo bem interessante. Não acho que é um livro "muda a sua vida"nem que vou reler a cada x anos - sempre me lembro do Ítalo Calvino e da frase "um clássico é aquele que nunca termina o que tinha a dizer". Esse acredito que terminou, mas foi um discurso que ecoa e é consistente, foi uma ótima leitura.

The age of Innocence, Edith Warton. (A época da inocência). Gente, que surpresa. Eu estava na vibe de limpar a estante dos livros que estavam lá só fazendo volume, e esse, por ser um clássico, era desses que eu jamais teria tido coragem de me livrar. Aí comecei a ler, e começa um pouco lento, mas não muito. o sr. Newland Archer está apaixonado pela May Welland, e tece diversos comentários sobre a sociedade e sobre a prima della, Ellen Olenska, que fugiu do marido conde por alguma razão quase escusa, o que é semi imperdoável para a época. A Edith Warton foi a primeira mulher que ganhou o Pulitzer, em 1921, mas ele foi seu 14o. livro e só um dentre suas muitas obras. Sem dúvida vou buscar outras coisas dela, porque o livro é sutil e profundo, de um jeito que vi pouca gente escrever. Não tem o drama exacerbado de outros clássicos, não é óbvio nem pedante, achei realmente surpreendente. Adorei o final, adorei o fato de que os personagens parecem unidimensionais mas... nesse exato momento, o livro está na minha lista de doação, mas toda vez que penso nele acabo chegando à conclusão de que talvez ele volte pra estante. Vale ser relido.
P.S.: Como eu sou ligeiramente obcecada, fui atrás dos Pulitzer Prizes (que descobri que são dados só para autores americanos, não sabia), e descobri que só li 10% deles. A boa notícia é que os 10% que eu li eram de fato bons, então talvez valha a pena ir atrás dos outros.

Sempre seu, Oscar, uma biografia epistolar - Oscar Wilde. Esse é um sujeito tão plural, e acho tão lindo ser plural. Um cara que conseguiu escrever A importância de ser prudente, O retrato de Dorian Gray e Histórias de fadas, foi casado por anos, e feliz, amava seus dois filhos profundamente, se apaixonou tão cegamente por um cara que o deixou levá-lo à ruína completa, morreu tão pobre e arruinado... é uma vida realmente interessante, embora tão triste. Essa biografia inclui a carta que ele escreveu ao Alfred Douglas, o Boisie, que se eu encontrasse na rua ia ser empurrado pra baixo de uma carruagem. Que sujeito horrível! Wilde podia ser leviano e superficial, mas duvido que merecesse um companheiro tão cruel.

Delirio, Laura Restrepo - uma colombiana que estava na minha estante há um tempão. O livro é fascinante porque fala de um sujeito (Aguilar) que está perdendo a cabeça (comece a notar os padrões) porque não entende o que aconteceu com sua mulher Agustina (e as aliterações) que foi encontrada num estado de delírio num hotel e não recuperou  mais totalmente a razão. Aos poucos, vc vai notando o entorno - a família dela, que é cercada de gente envolvida com o cartel - é época de Pablo Escobar, claro - , o irmão dela de quem nunca se fala e subitamente está presente, e se exilou para poder ser quem é, homossexual - e o ex namorado, de quem dificilmente se entende o papel. A narrativa é delirante como Agustina, a tia que cuida dela tem um papel atrapalhado, e por vezes eu não sabia se era eu com dificuldades com a língua ou a intenção da escritora. Como há muita gente falando bem do livro, imagino que tenha sido eu. Não adorei, mas acho que pode valer a pena tentar.

A Audácia dessa mulher, Ana Maria Machado - esse é um livro que eu adorei desde o primeiro capítulo. Gostei do mote, gostei dos personagens, fiquei torcendo pra ninguém se tornar chato ou maluco. Quando, lá no final, estava achando que ia ser ridículo, eba!, não era. É um paralelo megainteressante, gostei dos personagens principais e dos secundários, e ao mesmo tempo que me lembrou a escrita antiga (Maria Jose Dupre, Vivina de Assis Viana, Pedro bandeira) que eu lia adolescente, me trouxe também novas informações. Vou procurar outras coisas dela. Obrigada, Silvia!

The kindness of strangers, Katrina Kittle - livro difícil, com o tema de abuso infantil, mas que foi difícil de parar de ler, mesmo com a testa franzida e o coração apertado.

What she knew, Gilly Macmillan - That was really, really good. I actually refused to leave the house before finishing it. It was about a boy who went missing with his mom after a walk in the woods and even though as I read it I kept thinking "It can't be this person or that person", you know it can actually be anyone, which is an awful feeling by the way. Lots of secrets came out - a la Lianne Moriarty - and the ending was as fulfilling as such a book can be. I love it when you are so involved with a story you can almost see the characters around you. Good job, Gilly!

Fernando Sabino na sala de aula - li numa sala de espera as 86 páginas de crônicas levinhas e fofas desse mineiro simpático. Gostei muito de uma na qual ele fica tão desacorçoado a respeito de um aviso mal escrito num elevador que perde até o andar no qual ia descer - se chama "Como nasce uma história", e valida o que eu acho sobre o fato de que à nossa volta estão sempre tantas histórias de tanta coisa acontecendo, é só ter os olhos abertos. Bem legal.

E assim caminhamos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

6on6 - janeiro 2017

Nossos 11 anos juntos foram comemorados... casando. De novo. Porque tudo que é bom deve ser repetido, né?

Panzerotti aprovou meus sapatos.

E a gente aprovou, sempre, o Jardim Botânico, alternativa maravilhosa para alguns parques que ficam lotadíssimos no fim de semana. Eita lugar lindo.

Resolvi fazer um risoto atrevido e não é que ficou lindo e bom? 

Perdemos a Luna, a cadelinha dos meus pais, esse mês. Fala se ela não era linda e boazinha?

Zara e Pan sendo lindos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

2a. quinzena de janeiro - aleticiale2017

Cordilheira - Daniel Galera
Esse é um livro que foi escrito com uma premissa deliciosa: aparentemente deram uma grana para uns autores para escrever in loco em alguns lugares, e disseram pra esse sujeito ir escrever em Buenos Aires. Então a ambientação é ótima, e pra quem já foi, super se sente em casa. Mas detestei a história, coisa chata! uma mistura de complexo de Electra com metanarrativa que não tem fim. Tinham me falado super bem do cara, e foi meio decepcionante. Talvez não seja meu tipo de livro.

A dor - Marguerite Duras
Árido e difícil como todo livro escrito sobre essa época, narra algumas histórias, e com o holofote em uma, sobre uma pessoa que aguarda a volta do amante de um campo de concentração nazista, e é membro do partido de resistência, e tem detalhes autobiográficos, e é mascarado como "diários perdidos", e tem exatamente esse tom de dor tão em "stacatto" que você só sente o latejar. Quando você achar que está tendo um dia ruim...

Rita Lee, uma autobiografia
Dá pra resumir bem com o que ela diz que gostaria que fosse o epitáfio dela, algo como "Não era um bom exemplo a ser seguido, mas era gente boa".

Senilidade, Italo Svevo
Gosto da narrativa dele, mas achei esse livro em particular meio repleto de clichês, o sujeito mais velho apaixonado pela jovem muito trambiqueira e que tem a irmã virgem e feia como contraponto vivendo com ele. Existem equilíbrios, como a vizinha ou o amigo, mas acho que o autor tinha mais talento que isso. Claro, é necessário lembrar que foi escrito no começo do século (1920 e pouco) e só foi bem sucedido porque era amigo de alguém (Camus, talvez?)

Uma coisa de nada, Mark Haddon
Esse é o cara que ficou famoso pelo outro livro, e eu esbarrei nesse título no sebo. E aí fui lendo, e achando aflitivo o senhor que estava claramente à beira de um colapso, pai da moça que estava claramente necessitando terapia, marido da senhora que estava urgentemente precisando de um grupo de apoio... ele segue uma certa linha, né rs... enfim, fora o fim que foi muito hollywoodiano pra mim, achei bom e envolvente.

Wild, Pacific Crest Trail, Cheryl Strayed
It took me a while to get to this book simply because I had assumed it would be boring and I wouldn't be able to relate at all to the story, being the last person on Earth who would go on such an adventure. But soon I figured out that the author was not so different from me, and the book focused on being human much more than on being an athlete. And then I really enjoyed it.

Os viúvos, Mario Prata
Bom e velho policial, leve, interessante, divertido. Vou procurar mais coisas dele.

Conte sua história de São Paulo, Milton Jung
achei que fosse gostar tão mais do que gostei! São 110 histórias de ouvintes sobre a cidade, e houve uma tentativa de separá-las em blocos temáticos, mas pra mim ficaram sem pé nem cabeça. Muitas são só pedaços de nada, outras vão indo e vindo e não sei pra onde...

Terra descansada, Jhumpa Lahiri
Li O xará dela anos atrás, e me apaixonei loucamente. Esse livro teve críticas no goodreads sobre "mais do mesmo",com  o que eu discordo muito, simplesmente porque entendo que ela é muito boa sim em escrever sobre os aspectos culturais, mas além disso, ela é muito boa em escrever sobre gente. Sobre aquelas pequenas coisas que nos fazem mesquinhos e difíceis e sofridos e tornam as relações tão complexas e cheias de nós. Claro, o Terra descansada tem contos (acho que oito) e todos trazem famílias de origem indiana. Mas acho que é porque ela sabe disso, né. Tanto faz. Enfim. Me lembrei como gosto dela.

Doei uma pilha de livros pra Biblioteca (Viriato Correa, na Vila Mariana), e li quase que exclusivamente livros físicos esse mês. Estou curtindo "eliminar" livros da estante, seja por doar, emprestar, trocar no sebo, redescobrir... não curto o fato de que "compartilhar" trechos no Kindle, que é algo com o que eu tinha me acostumado e gosto muito (tenho cadernos de citações desde adolescente), dá muito mais trabalho. Mas acho que vou  manter isso por mais algum tempo, e continuar a "faxina" na estante. Estou vendo progresso!! Foram 26 livros esse mês, só literatura brasileira e internacional de fato.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

andanças - 1a. quinzena de janeiro 2017

Fomos ver La la land e Moana, com expectativas super diferentes: no primeiro, eu nem sabia que era um musical, porque só tinha ouvido falar que haviam ganhado tudo quanto tinha sido Globo de ouro e gosto dos atores principais. No segundo, só que era um filme da Pixar que tinha a ver com lendas neozelandesas.

Quis sair do cinema nos primeiros dez minutos, nos quais todo mundo começa a cantar e dançar numa ponte, a la Grease - nos tempos da brilhantina. De-tes-to musicais. ODIEI Mamma mia!. Me prometi que se não melhorasse na próxima meia hora ia embora. Mas aí melhorou. Gostei dos diálogos, adorei a trilha sonora, e realmente gosto bastante dos atores - me surpreendem positivamente sempre. É um daqueles filmes à moda antiga, nos quais a fotografia, a atuação e a contação de histórias valem mais que metralhadoras ou cenários estapafúrdias, e acalenta o coração. O fim foi pungente e valeu o filme. Ah, e a música... presta atenção nisso aqui:

Moana, em compensação, é beeeem comprido prumfilme infantil, viu? Fofo e tal, empoderamento feminino considerado, mas nem é tão fascinante. O que valeu mesmo foi o curta do começo, o Paul. Sensacional. Quase tão bom quanto o Piper, o curta anterior ao último infantil que eu vi no cinema.

Dali fomos ao Jamile, o tal restaurante do Henrique Fogaça, no Bexiga. Pensando que o sujeito vive de criticar os outros, resolvi que ia escolher o prato mais fácil de criticar do cardápio, o que pra mim significava algo que eu jamais pediria em outro lugar ou comumente: um magret de pato - só comi pato uma vez e odiei - com risoto de tangerina e rúcula. Era quase aposta contra, né? Pois caí do cavalo. Além do atendimento super gentil e ágil, o prato foi um dos melhores que eu comi na vida. Ponto perfeito, gosto incrível, surpreendente, interessante... realmente bom. Parabéns, gente toda que fez isso acontecer. (a foto não é minha, eu estava meio ocupada comendo). A moqueca do D. também estava incrível, diz ele.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

primeira quinzena de janeiro - aleticiale2017

The perfect girl, Gilly Macmillan, estreou meu ano. Parece não ter ainda tradução em português, e foi ótimo.
It was gripping from beginning to end; even when you want to slap Zoe silly (or, actually, slap her mom, or her uncle, or punch Chris, or ... there's some bottled up anger sipping from the characters' passiveness, attitude or lack thereof.), you want to know what happens a bit more, so you go on. The ending might be a bit predictable, everything considered (I'm really bad at predicting the butler's crime and I had guessed it a whole chapter in advance), but as usual, I think the journey is what truly matters.

A resistência, Julian Fuks - O livro, em tom autobiográfico, é narrado pelo irmão mais novo Sebastián, e começa falando que quer falar sobre seu irmão adotado. Filho de psicanalistas argentinos que buscaram exílio na década de 70 no Brasil, logo ele está falando dos vazios e dos ecos que isso quer dizer, num vai e vem constante. É um livro que não sei se gostei, pra ser bem honesta. Ás vezes sim - me lembrava minha amiga argentina falando, o tom é bem genuíno, me pareceu que até os tempos verbais o eram - e às vezes eu só me cansava.

As fêmeas, Marcelo Rubens Paiva - É uma coleção das crônicas que ele escreveu para o jornal, que eu não leio. Em sua maioria, não gostei. Achei escatológico, ou cru, ou agressivo, e nao estou dizendo que não devia ser - simplesmente não é meu estilo ou não era minha expectativa ao ler.

Olhai os lírios do campo, Erico Veríssimo - Havia lido esse livro quando adolescente, e chorado por Olivia, e odiado Eunice. É interessante reler agora. Novelesco, claro, moralista, sem dúvida, mas tem um toque romântico e sociopolítico (mesmo que isso não seja a ênfase total) que é cativante. Me lembrou muito A cidadela, do Cronin. A questão do médico que se tornou médico para ser respeitado e valorizado pela sociedade, enriquecer, ignorando o proposito da profissão e as pessoas que amava no caminho... enfim.

Senhora, José Olímpio - Falando em novela... Várias reviradas de olhos ao ler a descrição da Aurelia, que basicamente era "espertinha, considerando que era uma moça". É preciso lembrar que foi escrito em 18... , e na verdade era até inovador, já que ela se recusava a depender do tutor e foi, até o fim, senhora de seu próprio destino.

O livro das perguntas, Pablo Neruda - Um livrinho leve de poesia que você quase quer ler para crianças, perguntando por que o sol é amarelo e por que o outono gasta tantas folhas em suas dívidas.

Travesuras de la niña mala, Travessuras de uma menina má, Mario Vargas Llosa - Sensacional. Sabe aquela frase que acho que é do Italo Calvino, de "um clássico é o livro que nunca termina o que tem para dizer"? foi isso que pensei, porque adorei a narrativa, e dias depois de terminar ainda coisas ecoavam em mim. Sensação deliciosa! Pensa que o mote da história é entre o Ricardo e a "menina má"; ela sequer tem um nome próprio real no decorrer todo do livro... e isso não importa, é parte da mitologia. Muito incrível.

Selma e Sinatra, Martha Medeiros - a fase de Martha Medeiros continua forte. Esse é um dos dois romances que ela escreveu, e eu achava que ia ser pior que as crônicas, mas gostei muito. É basicamente a entrevista de uma cantora aos 70 e poucos anos, cuja vida perfeita intriga e incomoda a entrevistadora. O drama de ser gente vem à tona várias vezes, e é gostoso de ler.

O túnel, Ernesto Sabato - um argentino que é muito bom contador de histórias, com um romance que começa falando que ele matou uma pessoa. Bom de ler, né? mesmo o personagem sendo ligeiramente maluco, passional e ciumento (bom, faz sentido). Um daqueles romances nos quais a narrativa se sobrepuja em muito ao cerne da história.

Contos fantásticos no labirinto de Borges, organizado por Braulio Tavares - são contos escolhidos pensando-se no argentino Jorge Luis Borges, e há alguns que ficam em pé realmente sozinhos - adorei A livraria, do Nelson Bond, e tive pesadelos com A terceira expedição, do Ray Bradbury.

A dama das camélias, Alexandre Dumas filho - a história de uma meretriz, Marguerite Gautier,  que se apaixona e é correspondida por Armand Duval. Serei honesta: eu esperava mais. Queria saber da história da mme. Gautier, queria entender a razão das camélias, e embora entenda a delicadeza com que a história foi tratada - a cortesã do século XIX renunciando a seu amor em nome da dignidade do amado (pedido do pai de Duval), o arrependimento de Duval por tê-la tratado vingativa e cruelmente como resposta, a doença que a consome, a falta de perspectiva, enfim - não me convenceu como uma das personagens mais conhecidas da literatura. Também li em algum lugar que a história era verdadeira, mas não encontrei fatos que comprovassem essa hipótese.

O sol se põe em São Paulo, Bernardo Carvalho - livro emprestado, de um autor sobre quem eu não conhecia nada e nem sabia que existia. Veio bem recomendado, e aí as primeiras vinte páginas foram de doer. Difíceis pra mim, lentas, aquele tipo de narrativa do senhor dos anéis, de descrever cada coisa e não ir pra lugar algum... quando eu estava quase desistindo, a coisa engrenou e aí se tornou bem fácil. É uma metahistória da metahistória, vários personagens dentro deles mesmos, reviravoltas e surpresas sobre o que de fato aconteceu com os envolvidos - e onde, e quando. Tive de ler o fim duas vezes e meia, porque houve algumas revelações de coisas que eu não tinha prestado muita atenção, mas valeu assim mesmo.

Como falar com um viúvo, Jonathan Tropper - achei esse livro no sebo perto de casa, tinha uma cara simpática e me lembrou outro Jonathan, o Coe, que eu adoro. A sinopse é como o título, mórbida - o sujeito de 29 anos que perdeu a mulher de 40 num acidente de avião e está deprimido e sem saber como lidar com o enteado adolescente e com a vida de modo geral. Ele nem é interessante, se você pensar muito bem. Mas ele começa a escrever uma coluna com o nome do livro, faz um sucesso danado, ele luta contra a depressão - na verdade, mentira, luta bem pouco; ele passa por aquele período que só quem perdeu alguém sabe, que é não querer lutar contra a depressão porque ela significa superar a pessoa perdida - e a história surpreendentemente fica em pé, tem insights até divertidos. Zero expectativa virou vai pra estante.

Grande irmão, Lionel Shrivner - quem já esteve por aqui sabe que eu amo essa mulher. Li duas coisas sensacionais dela, Precisamos falar sobre Kevin e So much for that, e ignoro um pouco as críticas negativas sobre o fato de que ela é ligeiramente pedante em seu uso de polissílabos para descrever qualquer coisa. Mas esse livro não foi um ganhador. Começou bem: Pandora é casada com Fletcher, e eles tem aquela pequena mesquinhez que você identifica nos outros e te faz sentir humano, é dona de um negócio bem sucedido mas não se conecta de verdade com nada, aparentemente. Aí surge o irmão, o único membro da família que ela gosta de fato, e ela quer hospedá-lo. Ao encontrá-lo no aeroporto, descobre que ele está pesando 175 kg, e todo o drama se segue daí. Ignorar o fato? Ajudá-lo? Entender o preconceito que está à volta dos obesos? Lidar com a fome que não é fome? Com a própria autoimagem? Com as questões de saúde que ele enfrenta? Com a mobília que ele quebra? Com o fato de ser a irmã caçula exercendo o papel de irmã mais velha? ou...
é como assistir um reality show, quase, só que muito melhor escrito, e você segue os capítulos. Me incomodei com a decisão tomada quando ele tinha de ir embora, e achei o fim muito clichê para o que eu conheço e admiro da Lionel Shrivner. Sei lá. Ainda é um livro ruim muito melhor que outros livros médios.


sábado, 7 de janeiro de 2017

aleticiale2017 - metas do ano

Pois é...

  • o blog tem um instagram pra registrar em tempo real quando termino os livros: se chama aspequenasegrandesalegrias . Tem pouca coisa além dos livros, frases, minhas gatas e comida, porque bem, é exatamente essa a intenção :P
  • para 2017, em vez dos 250 e 260 livros de meta de goodreads de 2015 e 2016, estabeleci 150. No instagram, eles terão a hashtag #aleticiale2017 e em alguns casos, as indicações do que são (clássicos, contemporâneos, poesia, etc)
  • decidi tentar ler menos livros em inglês/espanhol, e quando o fizer, fazer os comentários também na mesma língua. Uma amiga que mora nos EUA falou sobre isso e como queria compartilhar às vezes as dicas de leitura e achei que fazia sentido. A verdade é que o Kindle tem muitas promoções de livros gratuitos em inglês, e muitas vezes eles saem mais barato e mais rápido, por isso acabo usando esse atalho.
  • quero ler mais poesia, mais literatura brasileira, mais clássicos, mais coisas que estão na minha estante esperando... E variar mais. Aceito sugestões!


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

6on6 dezembro 2016!

Pois é... não querendo ser a louca dos gatos, mas já sendo, esse bichotinho foi encontrado por uma amiga preso na roda de um carro. Ela me perguntou se eu conhecia alguém que o queria, e tentamos com outra amiga, mas não deu certo. Aí ele voltou pra casa, e com esses olhos, já estávamos apaixonados... ia se chamar muitas coisas, mas acabou em Panzerotti. (É um lanchinho italiano de queijo e tomate que comemos em Milão, gostoso e feliz, e Pan combinava com ele <3)

Quem te conhece, sabe o que te dar, né? meu amigo nos deu dois cheesecakes de Natal (o da frente é doce de leite com amêndoas e o de trás, frutas vermelhas). 

E falando em Natal... essas são migas, um prato espanhol que como desde criança (meus pais vieram pra cá aos 18 anos da Espanha) e acho sempre difícil de explicar. Dá pra fazer com pão, mas as da minha mãe são de batata, e fica com essa carinha de farofa, mas é muito mais macia e úmida que farofa. E tem de ter todos esses acompanhamentos (montes de pimentão frito, alho, tomates, linguiças...)

Fomos ver a ópera Fosca, no TEatro Municipal de São Paulo. Esse lugar é lindo, e a ópera foi incrível. Eram poucas apresentações, e a história era sobre a personagem título, a irmã de um pirata completamente apaixonada por um prisioneiro e que faz loucuras por ele. O autor, Carlos Gomes, era um brasileiro (nascido em Campinas, SP) e a estreia foi no Scala de Milão em 1873. Experiência importante de viver!

Não dava pra não falar da viagem de fim de ano, que foi pro Paraná (Curitiba, Antonina/Morretes, Ilha do Mel). Esse lugar é o Bosque do Alemão, e é de desmaiar de fofura: tem uma trilha com a história do Joao e Maria, que termina NA CASA DA BRUXA! e tem mais: a casa da bruxa É UMA BIBLIOTECA! na qual há bruxinhas boazinhas que contam histórias, ajudam as mães a convencerem as crianças a largarem mamadeira e chupeta, e sobretudo, estimulam a leitura. Era fim de ano e nem tudo estava aberto, mas estava cheio de crianças LENDO. Amei <3

Pra terminar (já que houve um post só sobre Paraná), essa visão de Piratas do Caribe: na frente do restaurante na ilha do mel, beeem longe da praia, esse tronco de árvore cheio de formações de conchas. A natureza é mágica, né não?

Feliz ano novo!